OPERAÇÃO GAFANHOTO

No dia 09, último, esclareci aqui que num determinado período da vida do legislativo estadual havia uma prática através da qual, supostamente, um cidadão comum dirigia-se a um deputado estadual para pedir um benefício qualquer, ou seja, por exemplo, uma passagem de ônibus para viajar. O benefício era concedido e os dados pessoais do cidadão eram colhidos pela assessoria do deputado estadual. Posteriormente, sem seu conhecimento, o cidadão era contratado como funcionário da Assembléia Legislativa. O deputado contratante, no ato em que solicitava a contratação, indicava a conta corrente onde o salário que seria do cidadão deveria ser depositado. Nessa mesma conta o deputado depositava o salário de outras pessoas, contratadas da mesma forma. Essa prática a Polícia Federal cunhou de Gafanhoto, quando desencadeou a operação para apurá-la. A investigação acabou sendo suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal em razão de uma discussão que se estabeleceu em torno da competência para promover a investigação, segundo consta, a pedido da Assembléia Legislativa.
É que um dos deputados investigados foi eleito para a Câmara Federal, circunstância que, em princípio, deslocaria a competência para o STF.
Fala-se que até empréstimo consignado foi feito em nome do cidadão em uma cooperativa que seria da Assembléia Legislativa, como forma de captar os recursos mais rapidamente.
Lógico que nem todos os 63 investigados utilizavam-se da prática, mas estão sendo objeto da investigação.
Pois bem, nesta semana o Ministro Dias Toffoli, do STF, concedeu liminar para suspender a investigação das atividades de Bibinho da Assembléia Legislativa até que o Supremo, em decisão do seu plenário, verifique se efetivamente ocorre conexão entre as atividades de Bibinho e as fraudes apuradas na Operação Gafanhoto.
A liminar está sendo criticada por alguns na medida em que o próprio STF já decidiu que o único inquérito que deve permanecer ali é o que investiga o deputado federal Takayama, devendo os demais retornarem a origem onde hoje, certamente, já devem ter retomado os seus cursos.
Se é assim, qual a razão de se interromper a investigação de Bibinho?

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