SYLVIO SEBASTIANI: VELHO GUERREIRO

Recebi mensagem do velho guerreiro Sylvio Sebastiani e não posso deixar de passar adiante.
Testemunhei parte da sua história quando militei na Juventude do MDB, forçado pela circunstância do PCB ser ilegal.
Segue o texto:

56 ANOS COM APENAS 2 PROCESSOS

Iniciando na política em 1954, campanha municipal elegendo o então Major Ney Braga, primeiro Prefeito eleito de Curitiba. Em 1955 residindo em Toledo e por falta de uma Estação de Rádio, instalei um serviço de Alto-Falante no centro da Cidade, para dar noticias sobre o sistema adotado na época de colonização muito rígida, sem possibilidades de qualquer concorrência entre empresas, associações,comercio em geral e até de futebol, pois tinha somente um, assim criei o Internacional, na cidade colonizada por sua maioria de gaúchos. No ano de 1956 casei em Curitiba , mas residindo em Toledo. Em 1957 fui empossado vereador pelo PTB, mas logo no fim do mesmo ano retornei definitivamente para Curitiba.

A política sempre foi uma das minhas paixões e dedicações. No PTB participei ativamente do partido, ajudando nosso Presidente Souza Naves nas reuniões do partido e na campanha de 1958, elegendo Souza Naves, Senador, Iberê de Matos, Prefeito de Curitiba e meu amigo Luiz Alberto Dalcanale, deputado Estadual.

Quando do Golpe Militar de 64 e em seguida a extinção dos partidos em fins de 1965. No ano seguinte, quando da criação do partido de oposição, o MDB fui Secretário da Comissão Provisória Regional, chegando até a ser candidato à deputado estadual, pois poucos tinham essa disposição, em virtude da rigidez das Leis.

Mas o período principal foi no ano de 1974, quando o MDB pretendia ter um candidato à vaga de Senador da República. O deputado federal Fernando Gama me apresentou o advogado Francisco Leite Chaves em uma viagem de Londrina para Curitiba, assim nasceu o candidato, Leite Chaves, Senador do Paraná. A vitória de Leite Chaves abalou a ditadura militar. Com apenas 16 candidatos à deputado federal, o MDB elegeu 15 das 30 vagas e 25 deputados estaduais das 54 vagas. Isso me assustou,pois não aceitei essa diferença, naquela eleição de 1974 os votos eram vinculados, para deputado federal e estadual. Na condição de Delegado do MDB junto ao Tribunal Regional Eleitoral, protocolei em 22 de novembro um Oficio, esclarecendo e relatando sobre a legislação eleitoral e Requerendo certidão de todos os boletins de apuração, com exceção das quatro Zonas Eleitorais de Curitiba, que já se encontravam em nosso Poder. Foi um assombro, um medo total. O Presidente do MDB, deputado José Muggiati Filho, concedeu entrevista afirmado que:”Não foi dado entrega em nenhum Requerimento, sobre o pedido de Certidões”. Dei uma entrevista a Folha de Londrina, dizendo:”Muggiati mentiu”.

Com os Boletins do Interior do Estado, pretendia provar que foram alterados. O voto de federal e estadual eram vinculados, assim não poderiam dar essa diferença: “Para deputado estadual, a Arena obteve 116.043 votos a mais que o MDB e para, deputado federal, a Arena obteve 38.807 votos a menos que o MDB. A minha intenção era dirimir essa dúvida gerada. Vencendo o MDB na Assembléia Legislativa, este teria a Presidência, a Vice Governadoria e a indicação do Prefeito de Curitiba.”. Vi da ante-sala do Diretor Geral do TRE, Dr. Mario Lopes dos Santos, conversando com o deputado José Muggiati Filho.

O PRIMEIRO PROCESSO
Em 9 de dezembro de 1974, o Presidente deputado José Muggiati Filho, ingressou na Vara Criminal de Londrina, com uma Ação por injúria, dada a minha entrevista no jornal Folha de Londrina. A imprensa, com forte ligação com o Governo Militar e a Arena, aproveitou esse fato para tirar o brilho da vitória do MDB, assim diariamente este assunto era levantado. Meu advogado foi meu colega do Colégio Santa Maria, Alcides Munhoz Neto. Neste período que tramitava a Ação, em 1975, eu fui eleito pela terceira vez Presidente do MDB de Curitiba e em seguida o suplente do Senador Leite Chaves, Euclides Scalco foi eleito Presidente do MDB do Paraná. Visitei os presos políticos. Os comentários pela imprensa sobre a Ação era uma constante. Em uma reunião dos deputados estaduais, ficou acertado que, para o bem do interesse maior, o MDB, nós dois entrássemos num acordo para encerrar a Ação. Os deputados elaboraram um Requerimento ao Juiz, em conclusão,que ambos os peticionários pediam a desistência da Ação, formalizada em 23 de outubro de 1975. Assim foi encerrada, logicamente com prejuízos ao MDB, pois provaria na Justiça que houve manipulação dos votos, deixando claro pelos resultados dos votos, quando vinculado, em prejuízo ao nosso Partido.

O SEGUNDO PROCESSO
No ano de 1982 tinha terminado minha missão de lutar conta a ditadura militar e retorno à democracia. Já tinha extinto os dois Partidos Políticos e criado novos, sendo que a maioria dos emedebistas foram para o PMDB, mas que acolheu diversos políticos da Arena, participantes até de Governos da Ditadura, que tanto combati, que prenderam meus amigos e companheiros. Assim resolvi não participar mais da politica partidária.

Fui convidado pelo Diretor da TV Paraná, José Carlos Martinez para fazer parte do programa “O Repórter”, sob o comando de meu velho amigo e companheiro, Nuevo Baby que juntos fomos candidatos em 1970,pelo MDB. No programa participavam ainda, Luiz Geraldo Mazza e Ari Soares. Assim iniciando na TV como comentarista politico, entrevistamos de Paulo Maluf à Luiz Carlos Prestes.

Já no ano de 1985, estava marcado a eleição para Prefeito de Curitiba, após 23 anos de Prefeitos nomeados pela Ditadura. Oito candidatos se apresentaram, sendo que a disputa estava entre o ex-Prefeito Jaime Lerner e o novato na politica, deputado eleito pelo PMDB, Roberto Requião, em 1982. Procurando resumir, vamos ao Fato: faltando poucos dias para a eleição, com Jaime Lerner bem na frente, perante as Pesquisas, “alguém” me apresentou o jornalista Joaquim Zeferino do Nascimento, ex-assessor de Jaime Lerner, que pretendia dar uma entrevista sobre a campanha. Gravamos a entrevista, para ser levado ao ar na segunda-feira.

Após a gravação fui procurado por “muitos”, para não ser levado ao ar. Mas não concordei. O Comité de Lerner ingressou junto ao TRE, solicitando para impedir a divulgação. Na segunda-feira, solicitei ao jornalista Nascimento que aguardasse na minha sala. Faltando alguns minutos para iniciar o programa, chegou um Telex, com uma Liminar proibindo a divulgação da Fita. Nuevo Baby leu a Liminar e após apresentamos o jornalista Nascimento “ao vivo”. Ele discorreu o que havia no Comité, os impressos contra o Requião com as maldades e mentiras, e até quem levava o dinheiro e quanto, para a campanha. Logo após o programa, Nuevo Baby e eu fomos levados à Policia Federal, onde fomos fichados, qualificados e fotografados.

O Comité do Requião, usou a fita e a gravação, nos horários gratuito do TRE, nos dias que antecederam a eleição e “foi um desastre para o

Lerner”, sua queda nas pesquisas foram imediatas. Jaime Lerner e os deputados Norton Macedo e Algacir Túlio foram à Televisão pretendendo desmentir o jornalista Joaquim Zeferino do Nascimento, mas não convenceram a população e os eleitores.

Nuevo Baby e eu fomos processados por Jaime Lerner, mas também posteriormente, foi Arquivado.
Eu recebi somente estes dois Processos até esta data, na minha vida na política, que foram Arquivados!

ROBERTO REQUIÃO FOI ELEITO PREFEITO DE CURITIBA

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