NOEL ROSA, LOBATO E STALIN

Ruy Castro nos trás duas notícias na sua coluna de hoje na Folha. Noel Rosa será homenageado no Morro do Alemã com um paínel no teleférico. Escolheram uma foto clássica na qual o nosso poeta pousa de terno branco, camisa preta e gravata branca. O detalhe da foto é que, como de costume, aparece de cigarro na mão.
A segunda notícia é que a foto será manipulada de maneira a não aparecer o cigarro, sob o argumento de que, segundo Castro, a imagem influenciar negativamente nossas futuras gerações.
Dias atrás a inteligência nacional também foi perturbada com a notícia de que a obra de Monteiro Lobato também estava sendo objeto de manipulações para extrair das partes que irão para as nossas escolas o tratamento que o poeta dá a tia Anastásia, referindo-se a ela como preta e negra.
Nos tempos da cortina de ferro nos habituamos a assistir as pomposas apresentações do exército soviético com seus mísseis na Praça Vermelha.
O comando do Partido e das forças armadas se postavam diante da praça, no famoso memorial de Lênin, e eram tiradas as fotos que circulavam o mundo.
Também nos habituamos a perceber que, vez ou outra, um personagem desaparecia dessas fotos. Como num passe de mágica, despareciam das fotos.
Coloco-me a pensar que diferença há entre as manipulações nas obras de Lobato, na foto de Noel Rosa no painel do Morro do Alemão e das fotos de Stalin.

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