A AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL

Com a decisão Banco Central de reduzir a taxa básica de juros de 12,50% para 12% ao ano voltou à baila o debate sobre a tal autonomia do Banco Central no Brasil.
Já no início da semana, em sua grande maioria, os comentaristas econômicos afirmavam que seria um sinal ruim se o Banco Central cedesse a pressão do Governo Federal que, ao que se dizia também, pretendia começar uma redução da taxa básica de juros desde já para evitar o erro cometido em 2008, quando, na crise global, a autoridade monetária demorou para iniciar a redução da taxa de juros e causou grandes danos à economia.
Pois desta feita a autoridade monetária andou junto com o desejo do Governo e baixou a taxa de juros. Certo ou errado? Só o tempo poderá dizer com precisão, mas já se pode afirmar que a autoridade monetária não vai errar por omissão, como fez em 2008, quando o Banco Central era pretensamente mais independente do governo que o atual.
A autonomia do Banco Central é um fetiche de muito economistas e de toda a gente do mercado financeiro, que gostaria de um Banco Central à salvo das influências da conjuntura política e longe das injunções do Governo Federal.
A prática vai demonstrando que o modelo em vigor no Brasil é mais acertado que em outros lugares, onde os Bancos Centrais gozam de exagerada autonomia e o Presidente da República tem pouca ou nenhuma ação sobre a autoridade monetária.
Nos Estados Unidos, entra presidente e sai presidente, e a face da autoridade monetária não muda, eis que lá o Governo Federal, tirando o momento em que o Presidente da República indica o Chefe do Banco Central, nenhuma ascendência tem sobre a autoridade monetária.
Viu-se recentemente com a quebra de instituições financeiras nos EUA que há uma promiscuidade intensa entre a autoridade monetária e os agentes do mercado financeiro, de tal modo que a autoridade monetária foi flagrantemente omissa durante a crise e depois nas sanções sobre a bandalheira em que se transformou o mercado financeiro americano. E isto porque a autonomia da autoridade monetária tem se prestado a blindar o Federal Reserve contra as influências da classe política americana e, ao mesmo tempo, para torná-lo refém dos interesses do mercado financeiro.
O caminho que vem sendo trilhado no Brasil parece mais adequado, onde o Presidente da República não é apenas uma Rainha da Inglaterra em matéria de política monetária e pelo menos tem o direito de opinar.

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