Corrupção: Texto de Vladimir Safatle que vale a leitura

Política de uma nota só 02/05/2012
Vladimir Safatle

Há várias maneiras de despolitizar uma sociedade. A principal delas é impedir a circulação de informações e perspectivas distintas a respeito do modelo de funcionamento da vida social. Há, no entanto, uma forma mais insidiosa. Ela consiste em construir uma espécie de causa genérica capaz de responder por todos os males da sociedade. Qualquer problema que aparecer será sempre remetido à mesma causa, a ser repetida infinitamente como um mantra. Isto é o que ocorre com o problema da corrupção no Brasil. Todos os males da vida nacional, da educação ao modelo de intervenção estatal, da saúde à escolha sobre a matriz energética, são creditados à corrupção. Dessa forma, não há mais debate político possível, pois o combate à corrupção é a senha para resolver tudo. Em consequência, a política brasileira ficou pobre. Leia também: Reino Unido, laboratório de catástrofes Claramente a favor do aborto Não se trata aqui de negar que a corrupção seja um problema grave na vida nacional. É, porém, impressionante como dessa discussão nunca se segue nada, nem sequer uma reflexão mais ampla sobre as disfuncionalidades estruturais do sistema político brasileiro, sobre as relações promíscuas entre os grandes conglomerados econômicos e o Estado ou sobre a inexistência da participação popular nas decisões sobre a configuração do poder Judiciário. Por exemplo, se há algo próprio do Brasil é este espetá-culo macabro onde os escândalos de corrupção conseguem, sempre, envolver oposição e governo. O que nos deixa como espectadores desse jogo ridículo no qual um lado tenta jogar o escândalo nas costas do outro, isso quando certos setores da mídia nacional tomam partido e divulgam apenas os males de um dos lados. O chamado mensalão demonstra claramente tal lógica. O esquema de financiamento de campanha que quase derrubou o governo havia sido gestado pelo presidente do principal partido de oposição. Situação e oposição se aproveitaram dos mesmos caminhos escusos, com os mesmos operadores. Não consigo lembrar de nenhum país onde algo parecido tenha ocorrido. Uma verdadeira indignação teria nos levado a uma profunda reforma política, com financiamento público de campanha, mecanismos para o barateamento dos embates eleitorais, criação de um cadastro de empresas corruptoras que nunca poderão voltar a prestar serviços para o Estado, fim do sigilo fiscal de todos os integrantes de primeiro e segundo escalão das administrações públicas e proibição do governo contratar agências de publicidade (principalmente para fazer campanhas de autopromoção). Nada disso sequer entrou na pauta da opinião pública. Não é de se admirar que todo ano um novo escândalo apareça. Nas condições atuais, o sistema político brasileiro só funciona sob corrupção. Um deputado não se elege com menos de 5 milhões de reais, o que lhe deixa completamente vulnerável -para lutar pelos interesses escusos de financiadores potenciais de campanha. Isso também ajuda a explicar porque 39% dos parlamentares da atual legislatura declaram-se milionários. Juntos eles têm um patrimônio declarado de 1,454 bilhão de reais. Ou seja, acabamos por ser governados por uma plutocracia, pois só mesmo uma plutocracia poderia financiar campanhas. Mas como sabemos de antemão que nenhum escândalo de corrupção chegará a colocar em questão as distorções do sistema político brasileiro, ficamos sem a possibilidade de discutir política no sentido forte do termo. Não há mais dis-cussões sobre aprofundamento da participação popular nos processos decisórios, constituição de uma democracia direta, o papel do Estado no desenvolvimento, sobre um modelo econômico realmente competitivo, não entregue aos oligopólios, ou sobre como queremos financiar um sistema de educação pública de qualidade e para todos. Em um momento no qual o Brasil ganha importância no cenário internacional, nossa contribuição para a reinvenção da política em uma era nebulosa no continente europeu e nos Estados Unidos é próxima de zero. Tem-se a impressão de que a contribuição que poderíamos dar já foi dada (programas amplos de transferência de renda e reconstituição do mercado interno). Mesmo a luta contra a desigualdade nunca entrou realmente na pauta e, nesse sentido, nada temos a dizer, já que o Brasil continua a ser o paraíso das grandes fortunas e do consumo conspícuo. Sequer temos imposto sobre herança. Mas os próximos meses da política brasileira serão dominados pelo duodécimo escândalo no qual alguns políticos cairão para a imperfeição da nossa democracia continuar funcionando perfeitamente.

Tags: causa genérica, contribuição política, corrupção, debate político, despolitização, Judiciário

45 Comentários
Quando a indignação não leva a nada | Maria Bonita disse: 6 de maio de 2012 às 0:39 […] Política de uma nota só […] Responder cirineu fernandes disse: 4 de maio de 2012 às 19:30 Os grilhões das amarras do poder económico sobre nossos políticos só serão rompidos com o financiamento público de campanha, com a aprovação de uma lei que pune severamente o parlamentar e quem corrompe e tente corromper em interesses próprios ou de empresas. Responder A corrupção não explica tudo | Caótico | Espaço de leituras, histórias & especulações disse: 4 de maio de 2012 às 18:48 […] na revista Carta Capital pelo filósofo e professor da USP Vladimir Safatle (foto) sob o título Política de uma nota só.Cliquei no link acima e veja como Safatle explica bem explicadinho o que sempre pensei: dizer que […] Responder Miguel da Costa Lana disse: 4 de maio de 2012 às 13:45 Se é verdade que um deputado não se elege com menos de 5 milhões de reais, é óbvio que a remuneração que o dito cujo recebe durante todo o mandato é insuficiente para quitar a dívida de campanha. Isto quer dizer que ele trabalhará para repor (com lucro) os gastos de seu(s) patrocinador(es). Ou seja, o eleitor não passa de um mero idiota, que é levado a votar sem ao menos saber para qual “patrão” seu escolhido irá trabalhar. Será quantos “Cachoeira” existem? e Quantos “Demóstenes” para cada “Cachoeira”? Responder arlivre disse: 4 de maio de 2012 às 9:36 Texto muito bom. Mas tenho uma opinião diferente da do autor. É importante focar as atenções na corrupção, que comparo a um câncer, uma doença que come o corpo por dentro e o destrói. E se um paciente tem câncer, não adianta querer tratar de outros problemas no seu corpo antes de curar esse mal. E é assim com a corrupção, já que ela impede que outros problemas sejam tratados e resolvidos: um policial não trabalha direito se pode ganhar mais com propinas, um político também não fará o seu trabalho como deveria se ganha mais usando sua voz para favorecer determinados grupos, um juiz não tomará a decisão certa se a decisão errada for mais rentável, etc. Do que adiantaria, por exemplo, aumentar as verbas para a educação se, no final das contas, esse dinheiro não chega às escolas? Portanto, acho bom o foco na corrupção. Outro aspecto é a necessidade que qualquer povo tem de dar um nome ao “diabo”. O Brasil não tem um ditador, já que vivemos oficialmente numa pseudodemocracia. O Brasil não sofreu nenhum tsunami ou terremoto que possa levar a culpa. E como o povo precisa desse foco, acho bom que ele seja a corrupção. Sim, o povo precisa disso porque seria impossível uma mobilização da massa para combater muitos males pequenos/menores ao mesmo tempo. Não podemos fazer uma manifestação hoje contra o abandono do transporte coletivo, uma amanhã contra a precariedade na área educacional e mais uma depois de amanhã a favor de uma maior participação popular. Isso dispersaria a força popular. E também não concordo que a discussão sobre a corrupção não traz frutos. Não é isso que observo. Há um movimento ainda tímido, mas que cresce aos poucos. Vai chegar a hora do povo cobrar mais seriedade. Em um determinado momento, ninguém mais vai querer aceitar o fato de ter que contar cada centavo no final do mês para pagar suas contas e ver, ao mesmo tempo, um presidente sair do cargo com bilhões no bolso, sem contar com os benefícios recebidos por seus parentes e amigos. Querer que uma sociedade tente resolver vários problemas ao mesmo tempo é esperar um pouco demais e dispersar o poder popular. O que abordo aqui pode ser observado em vários cantos do mundo. Quanto mais claro ficar quem é o inimigo, mais fácil fica a luta. E uma revolução ou algum movimento que provoque uma mudança radical na sociedade precisa desse “inimigo” claro. Na Síria, por exemplo, o diabo tem um nome: “Baschar al-Assad”. Oxalá que esse “demônio” seja no Brasil primeiro a *corrupção* e, uma vez que se tenha acabado com ela, que seja então a *precariedade educacional*, já que educação é o único caminho para evitar que os abusos de corruptos voltem a ser praticados sem que haja punição. Responder Matt disse: 3 de maio de 2012 às 20:46 Não tenho muito a acrescentar. Esse ano, no início, prometia ser marcado pela Comissão Nacional da Verdade e pela CPMI das privatizações. Havia debates sobre uma possível reforma política, e mobilizações de organizações de trabalhadores rurais pela reforma agrária. A tragédia de Pinheirinho chama a atenção para a guerra entre a especulação financeira e imobiliária e os direitos sociais dos mais pobres (no caso, o direito à moradia). De repente, surge o caso Demóstenes/Cachoeira, e a CNV e CPI “da privataria” são engavetadas e esquecidas pela mídia, e a indústria cultural, com seus jornalecos vendidos, não fala de outra coisa. A investigação sobre esses dois desastres nacionais, a ditadura golpista e a privataria, saem do foco. Esses escândalos de corrupção talvez sejam uma das maiores invenções políticas da elite dominante: expondo ao escárnio midiático um ou dos dos seus membros, essa mesma elite desvia a atenção para todos os outros debates que ameaçam os seus interesses enquanto grupo social e político. Sacrificam um indivíduo, para manter o poder de classe. E, mostrando todos os políticos como corruptos, desacreditam qualquer força política alternativa, mantendo o seu reino de cinismo, do “rouba mas faz”, do “menos ruim”. É claro que só conseguem fazê-lo por terem nas mãos os oligopólios midiáticos privados e a maioria do poder legislativo. Assim se perpetua a plutocracia, despolitizando a política em tecnocracia e espetáculo circense. Responder Caio Junco disse: 3 de maio de 2012 às 18:23 Vladmir, com todo o respeito intelectual, acho que o seu artigo deixa muito a desejar a despeito da real versão dos fatos vivenciados neste momento histórico. Porém, atento apenas à parte final do mesmo, observo que a afirmação de que “sequer temos imposto sobre herança” não condiz com a realidade, porquanto o art. 179 do Código Tributário Nacional versa justamente sobre o “imposto de transmissão causa mortis”. Como o próprio nome diz, tal tributo incide sobre a transmissão de bens imóveis do falecido para os seus herdeiros. Mais atenção! Caro professor. Responder Luiz Moraes disse: 3 de maio de 2012 às 17:48 ___ [ R e g e n e r a ç ã o ] ___ Responder Luiz Moraes disse: 3 de maio de 2012 às 17:43 Pessoal, perdão pelo, “regenerarmos”… Mas, vcs entenderam. Responder Luciano Costa Azevedo André disse: 3 de maio de 2012 às 17:08 Belo artigo. Há uma espetacularização midiática que trata com simplismo problemas complexos e nada contribui para a reflexão acerca da complexa e contraditória realidade social. Responder debate sobre a corrupção: “Política de uma nota só” « geovest disse: 3 de maio de 2012 às 16:55 […] Artigo completo (e bastante recomendável) em http://www.cartacapital.com.br/sociedade/politica-de-uma-nota-so/?autor=961 […] Responder Caroline disse: 3 de maio de 2012 às 15:27 O problema dos bons artigos é que são facilmente mal compreendidos. Mas ainda prefiro 1 João Batista no deserto do que 1000 cartazes monofônicos no vão do MASP (com o perdão da metáfora religiosa). Acredito nas vozes dissonantes e na dissonância das vozes, e que não se faz política com uma nota só – para expor um dos sussurros fractais do título. Ao mesmo tempo, observo um grande abismo entre os cidadãos e seus governantes, um abismo chamado alienação política, mas que também pode se chamar Brasília, e também pode se chamar desigualdade social, e que muitas vezes alimenta a corrupção. Um abismo grande o suficiente para não permitir que os políticos enxerguem muito bem para quem mesmo eles estão trabalhando e os cidadãos não enxerguem muito bem de que Olimpo surgem as decisões “políticas”, ou como. Uma distância que nos torna tão desiguais, que já não somos capazes de nos enxergarmos uns nos outros. Tudo isso mina a própria ideia de política, tudo isso demonstra a falência de um sistema político; não só do capitalismo, mas da própria democracia representativa atual. Não porque sejam inúteis em si, mas porque já não fazem mais sentido para nós – se é que um dia fizeram. Há tanto tempo conservamos o mesmo status quo, há tanto tempo deixamos de repensar a Política, que havíamos nos esquecido do seu significado. Quem sabe então, essa vontade de política não possa nos re-unir em redes, não possa fazer transbordar as instituições, rompendo as barreiras virtuais entre os interesses dos indivíduos e os interesses sociais. Eu vejo ainda uma utopia. Marx a chamou de Comunismo, Proudhon de Anarquia, Adam Smith de Liberalismo. Mas quem de fato irá dar nome a ela, somos nós que a construímos dia a dia, por meio do diálogo, do autoquestionamento, da argumentação; nós que já agora temos buscado nos tornar seres políticos – desafiando, por vezes, a lógica da produtividade como fim em si, e pondo em risco a nossa própria estabilidade. Responder Luiz Moraes disse: 3 de maio de 2012 às 17:15 Oi, Caroline, tudo bom?… Meiga, inteligente, e fraterna… vc é um pedacinho do manjar dos Deuses rss. falo sério!!! __ Concordo plenamente com o que vc falou, precisamos nos reinventar… Melhor, nos “REGENERARMOS”. Mas, tem uma mídia no meio do caminho… No meio do caminho tem uma mídia… Tem uma mídia no meio do caminho… No meio do caminho tem uma mídia… Tem uma mídia no meio do caminho… Responder Mauro Julio Vieira disse: 4 de maio de 2012 às 12:19 A teoria na prática é outra. A maioria dos filósofos dos séculos e XIX , por desconhecer o fato de que existe mais coisas entre o céu e a terra que supõe nossa vã filosofia desprezou em suas teorias da salvação da humanidade, a condição humana. A excessão foi Nieztsche, que até se colocou como um anti filósofo, combatendo ideologias e religiões com seus mundo fantasiosos de paraíso. …. Utopia é a negação do presente e, quanto mais se foge dele, mais ele fica pior. Responder Harry Drahomiro disse: 3 de maio de 2012 às 9:20 Parabéns pelo texto Professor Vladimir Safatle! Só gostaria de enfatizar a questão da contratação de agências de publicidade para promoção governamental. De um modo geral isto ressalta a conivência do Ministério Público com a propaganda enganosa. Depois de decidir investir todos os seus recursos na formação do capital humano logo após a segunda guerra mundial, o salto da Qualidade conquistado pelo Japão só se tornou visível na década de setenta quando as indústrias relojoeira da Suíça e automobilística de Detroit sentiram o impacto. No Brasil, marketeiros oficiais de plantão tentam nos fazer crer que este up-grade se conquista via decretos. No caso da iniciativa privada isto fica mais evidente, basta observarmos que setores como o bancário e de telefonia, campeões em reclamações no PROCOM, vulgarizam a Qualidade em suas campanhas publicitárias. Entretanto, o mais grave foi a verdadeira despolitização da política implementada no país, a partir do momento em que esta foi delegada à marketeiros inescrupulosos. Responder Manoel disse: 3 de maio de 2012 às 9:15 No fundo o discurso do jornalista, é crítica o papel da midia que divulga todos os meandros da corrupção que envolvem os governistas. Para ele é perda de tempo investigar e combater essa peversidade com o dinheiro público. É lógico prá quem quer perpetuar no poder todo é válido, até os métodos mais escusos possíveis, como os tentáculos da contravenção dentro do poder. Um outro jornalista deste site publiucou que esta CPMI não vai diminuir um milímetro na biografia dos altos índices de Lula e Dilma, portanto, era perda de tempo da oposição. Isso é o cúmulo da rasteirice, mas, enfim é discurso de quem come o filé. Porfim, imaginem vocês se o tal “controle social da midia” que é sinônimo de censura tivesse sido implacado, o contaventor Carlos Cachoeira não estaria atrás das grades, estaria sim transitando pelos corredores e gabinetes do Planalto. Responder mario disse: 3 de maio de 2012 às 8:54 Ué ! o partido que está no Poder não veio para acabar com isso ? Responder damastor dagobé disse: 3 de maio de 2012 às 8:04 É a eterna chuva de Macondo que nunca para, é a serpente emplumada comendo eternamente o próprio rabo, é a agonia televisiva de Tancredo Neves, o que foi melhorando, melhorando, infinitamente, até morrer…são os funerais de Ayrton Senna, com aquela marcha fúnebre atroz que não parava nunca..(que dizer de um país cujo único herói era um motorista???), é estrutura circular da telenovela, que nunca acaba, apenas se repete infinitamente…ou o realismo fantástico não seria o único gênero de representação da realidade que dá conta da assim chamada América Latina? (sem trocadilhos tolos por favor)… Responder Corrupção, moralistas, cidadãs da high society e nenhuma reforma política | Maria Frô disse: 2 de maio de 2012 às 20:47 […] de uma nota só Por Vladimir Safatle, na Carta Capital 02/05/2012 Há várias maneiras de despolitizar uma sociedade. A principal delas é impedir a […] Responder Pedro disse: 2 de maio de 2012 às 17:07 Simplesmente brilhante! Parabéns! Responder Toledo disse: 2 de maio de 2012 às 17:01 É verdade…São muitas as questões a responder além da corrupção. Sobre um modelo econômico realmente competitivo podemos questionar: O PT, por exemplo, fez de tudo, mas de tudo mesmo para que o Plano Real não fosse aprovado. E qual é a política econômica do governo Lula? Se o Plano Real não era bom para o Brasil antes de Lula, por que ele é bom no governo Lula? Responder Mauro Cezar disse: 2 de maio de 2012 às 16:49 Podemos colocar vários adjetivos de como a corrupção apodrece nosso cistema político. Para mim o principal esta no cerne do indivíduo, ou seja: ” o homem é produto do meio de onde foi gerado, e criado.” QUEM de fato cre em um ser superior, e nos 10 mandametos de Deus, e tenha uma ótima formação do lar, duvido que esta pessoa se corrrompa. Responder Henrique Gelin disse: 2 de maio de 2012 às 16:48 eu acho importante a gente prestar atenção nas manobras da mídia brasileira. Ainda que muita gente que tem acesso a internet e à informação não percebe, boa parte da população ainda toma suas informações de redes globo, band, record, etc., tomando como suas as visoes de mundo de ditas empresas. A poucos dias li em lagum lugar(não posso citar a fonte porque nao lembro) que por coincidencia em um outro momento da história não muito distante onde o Brasil gozava de um bom momento no contexto internacional, a mídia nacional lançava mão de uma avalanche de informações, muitas vezes infundadas sobre esquemas de corrupção, mau governo, etc. resultando assim com uma indignação popular e vindo a tona um governo de extrema direita patrocinado pelos yankees. Na conjuntura geopolitica atual me parece dificil, mas nao impossivel de sofrermos um golpe de estado, mas nunca é demais ser precavido. Creio que ainda que haja um esforço de muitos ainda temos uma forte tendencia ao emburrecimento da população, onde a “elite pensante” do sul-sudeste acha que ler a Veja e ver a Globo News é CULT. É só liga r a TV e abrir qualquer jornal ou revista para se certificar do que estou falando… Concordo que cada povo tem o governo que merece, cabe a cada um de nós por nossa sementinha, nosso grãozinho que um dia isso surte efeito… Ando ansioso por essas próximas eleições… Responder Lenir Vicente disse: 2 de maio de 2012 às 16:40 Safatle tem razão, mas acho bom frisar que esse “samba de uma nota só” só teve início no Governo do Lula e foi logo ganhando o coro da mídia golpista.Eles mesmo trata de citar o “mensalão” que nunca foi comprovado.Só que agora o feitiço virou contra o feiticeiro e isso tem que ser encarado com muita seriedade.Outra coisa, as mudanças essenciais para o país crescer distribuindo não só renda ,mas possibilitando a todos os brasileiros acessos total aos bens e serviços, ainda é um processo em andamento. Se prestarmos atenção no que a Presidenta Dilma anda fazendo, vamos verificar que ela está criando as condições para as mudanças necessárias para o Brasil ser aquilo que o Lula idealizou: “um país de todos”.Ela o faz sem alarde, sem estardalhaços.Essa é a grandeza do legado que ela vai deixar para nós, brasileiros que ainda não perdemos a esperança. Responder Luiz Moraes disse: 2 de maio de 2012 às 16:03 _______ [ ? ] _______ Responder Luiz Moraes disse: 2 de maio de 2012 às 16:02 Como vc vê meu Caro, numa nota só, pode se resolver perfeitamente o problema do mundo inteiro…. Que tal começarmos pela mídia… Responder Luiz Moraes disse: 2 de maio de 2012 às 15:59 ___ Lembra ?!…. ___ Responder Luiz Moraes disse: 2 de maio de 2012 às 15:58 ___ [ Tenho pressa de viver…. Gosto de levar vantagem em tudo, certo?!… ] ___ Responder Luiz Moraes disse: 2 de maio de 2012 às 15:55 _______ [ O Problema é Moral ] _______ Responder O mantra conservador sobre corrupção como elemento despolitizador. Artigo de Vladimir Safatle | Blog do Artur Henrique disse: 2 de maio de 2012 às 14:54 […] o texto completo clicando aqui. Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso […] Responder Nelson de Azevedo Neto disse: 2 de maio de 2012 às 14:48 Com certeza os malefícios das terras brasilis vão do “dó” ao “mi” da escala “musical”… Mais, sem dúvida nenhuma, a corrupção estatal é a nota que dá o tom e desafina toda a composição… E, infelismente, num país de surdos-mudos, o que não faltam são péssimos intérpretes “fazendo sucesso”… Responder Nelson de Azevedo Neto disse: 2 de maio de 2012 às 14:56 Oops!… Errata!… Menos “mais” por mais “mas”… Responder Wilton Santos disse: 2 de maio de 2012 às 14:24 Como sempre impecável o professor Safatle. O baixo nível de consciência política de nossa sociedade assegura um terreno fértil para todas as formas de manipulação. As poucas discussões políticas travadas no país são esvaziada, enquanto questões importantes como a reforma agrária, democratização dos meios de comunicação, política de promoção da cultura, entre outras questões, são relegadas ao segundo plano. Infelizmente os argumentos expostos pelo autor tem total correspondência com a realidade. E nos coloca diante de uma verdade irrefutável, como a política no Brasil está distante do ideal. Parabéns pelo artigo! Responder souza disse: 2 de maio de 2012 às 14:23 sábias palavras. existe forte resistência para manter este modelo. assim como existe força tentando sair deste circulo. o socialismo é inevitável. Responder Andre SP disse: 2 de maio de 2012 às 13:49 Ótimo artigo. A corrupção é um assunto muito mais complexo, do que este espetáculo gerenciado pela mídia. Difícil dizer se roubam mais hoje ou se roubavam no passado. A única constante é que ela sempre existiu e provavelmente sempre existirá. O Maximo que podemos fazer é fiscalizar e condenar estes crimes contra a sociedade. Algumas pessoas pensam que hoje há mais corrupção, eu acho que existe mais apuração e divulgação, muitas vezes com estardalhaço desproporcional. Todo mundo está cansado de saber da corrupção nos órgãos públicos, a diferença é que antes não dava em nada, todo mundo sabia, ninguém investigava, tudo era abafado e usado como instrumento de barganha, como se diria era varrido para debaixo do tapete. A população sabia de sua existência, convivia com ela, e era conivente, todo mundo queria dar um jeitinho para seus próprios interesses. Hoje vemos uma Policia Federal mais atuante, querendo ou não, é determinação do Governo Federal para que ela atue no combate a corrupção, não tem como negar isto. O que falta é mais seriedade aos nossos juristas, muito deles, com atitudes até suspeitas, para concluir os processos. O grande problema está na contínua proteção aos mesmos coronéis da política. Eles fazem o que querem e não dá em nada. Na maioria das vezes ainda se posam de vítimas. A moda agora é anular as provas contra eles, alegando que são ilegais. É muita cara de pau. Se puníssemos todas as construtoras corruptoras, não sobraria uma Empreiteira limpa em nosso território nacional, muito provavelmente, nem no mundo. Isto vale também para os vários segmentos ligados a prestações de serviço para a sociedade, seja na Educação, Saúde, Tecnologia, Infraestrutura, Fiscalização e Receita, etc. O que falta no Brasil de hoje, não é apuração, mas sim, uma atitude Jurídica que leve os corruptores e corruptos para trás das grades. Coisa que me parece impossível, da à impressão que os mesmos estão lá com a única finalidade de jogar tudo para debaixo do tapete. Qualquer iniciativa de combate aos malfeitos pelos órgãos de fiscalização é taxada, de oportunista, ou revanchismo político. Isso sem levar em conta toda a manipulação que a população sofre por uma mídia voltada a interesses exclusos. Responder PEDRO BH/MG disse: 2 de maio de 2012 às 12:28 O problema do Brasil é falta de caráter e não o sistema político. Não é o sistema que corrompe, porque não há sistema político perfeito, o problema são as pessoas. O corrupto é como água que se amolda a qualquer recipiente. No mais, o artigo demonstra mais uma vez a defesa da CC em favor dos acusados do mensalão. Triste. Responder Uilson disse: 2 de maio de 2012 às 14:50 Vc só esquece que as pessoas não vivem fora, mas dentro desse sistema, portanto, em parte, são produtos dele. Então, obviamente, o sistema é sim o problema! Responder Roger disse: 2 de maio de 2012 às 12:12 Já que o PT é o governo da transparência, da ética e da faxina, e que tem ampla maioria no congresso para aprovar o que quiser, porque estes mesmos não colocam a reforma politica na pauta do congresso e do senado? Pois é, a resposta é sempre a mesma, veja bem!!! Responder Felipe disse: 2 de maio de 2012 às 11:40 Se um deputado gasta 5 milhões para se eleger e tem mandato por 4 anos, fazendo uma conta rápida ele deveria receber no mínimo uns 100 mil por mês para zerar o investimento. Nessa conta ele estaria doando seu tempo a sociedade e sem cobrar juros. Gostaria do contato do departamento de recursos humanos da Republica Federativa do Brasil para entender o tipo de perfil que eles buscam na seleção de seus colaboradores. Será que buscam pelo Messias ou o Messias já está aqui e eu não esto sabendo? Responder Safatle: Quando a indignação não leva a nada « Viomundo – O que você não vê na mídia disse: 2 de maio de 2012 às 11:10 […] por Vladimir Safatle, na CartaCapital […] Responder Rafael Legramandi do Prado disse: 2 de maio de 2012 às 11:03 A currupção é a causa de todos os males da sociedade e impede qualquer avanço social e enquanto a parada gay reunir 3000000 de pessoas, a parada de Jesus reunir milhares de pessoas também (não me recordo o número) e a passeata contra a corrupção reunir 3000 nada vai a acontecer. E pensar que os alunos da USP que no passado lutaram contra a ditaudura, agora lutam pelo baseadinho, é de enlouquecer. Responder roberto disse: 2 de maio de 2012 às 10:55 Muito bom o texto. Serve para compensar o anterior, que equiparava o feto a um parasita… Responder Fábio de Oliveira Ribeiro disse: 2 de maio de 2012 às 10:32 A política, como dizia Hannah Arendt, só pode existir no espaço comum e público criado voluntariamente pelas pessoas. Fora deste campo só existe a terra devastada e a guerra de todos contra todos, em que o predomínio de um grupo equivale apenas à institucionalização da barbárie. No Brasil, acusações de corrupção sempre precederam golpes de Estado tentados ou bem sucedidos. Portanto, a rigor não se pode falar que denuncias de corrupção sejam uma “plataforma política”. De acordo com Hannah Arendt, quando alguém ou algum grupo pretende desestabilizar o governo para derrubá-lo o que está a fazer é expandir a terra devastada mediante a destruição do espaço consensual em que a política existe. O ato do homem corrupto é crime e como crime deve ser tratado. Não pertence ao domínio da política, mas da Justiça. A função da Justiça é atribuir a cada homem as consequencias dos atos que praticou. A função da política é permitir o convívio pacífico entre grupos diferentes mediante regras negociadas num ambiente de tranquilidade. Denuncias vagas de corrupção não contribuem para a política, mas destroem as condições de possibilidade da mesma. Este tipo de discurso deveria ser banido por Lei, pois não faz parte da política mas do golpismo. Responder Mauro Julio Vieira disse: 2 de maio de 2012 às 10:27 O problema de muitos que se dedicamà filosofia é que nitidamente desconhecem a realidade humana. Sua natureza. Aí não dá para filosofar ou mesmo entender o que é filosofia. Não perceberam ainda que o Homem é um animal como outro qualquer e seu corpo já nasce com determinantes indestrutíveis. Sómente elas traduzem a verdade com seus sentidos: tato, visão, etc. Seus intintos como a cautela, o medo, etc o defendem de seus semelhantes. Podemos chamar isso de ceticismo. ……Com o advento ou o despertar da mente, da fala e das palavras, o ceticismo foi destruído na maioria dos humanos que se tornaram crentes de religiões e ideologias, produtos da mente que ignoram a condição humana ou a despreza como fizeram os filósofos dos séculos XVIII e XIX, com excessão de Nieztsche, que compreendeu o fato de que existe mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Responder Amaro Shakur disse: 2 de maio de 2012 às 9:59 Muito bom o artigo, e concordo com o autor. Responder Sua opinião Nome *E-mail *Website* Campos obrigatórios Seu e-mail não será publicado  máximo de caracteres Notifique-me de novos comentários via e-mail. Você também pode se inscrever sem comentar. ©2012 Carta Capital

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