A matemática de Hélio Duque e o PSDB no Paraná

Em pauta: quarta-feira, 17 de outubro de 2012 19:20:32

Tucano não é Urubu-Rei
*Hélio Duque

O PSDB do Paraná, por respeito à sociedade, precisa tomar o soro da verdade, entorpecente para obter relaxamento de quem se nega a falar o veraz. Foi o grande derrotado nas eleições municipais de 2012, no Estado, ao escolher o caminho muliado, assumindo ser súcubo colocando-se por baixo para dar prazer aos íncubos. Optou pela vassalagem, deixando de ser virtuoso para se tornar rebarbativo. Transformou-se em escaravelho, inseto que vive dos excrementos dos mamíferos herbívoros. Preferiu a rota do coluvião, solo de encostas nos morros formados por detritos provindos do alto. No mercado eleitoral, negando a social democracia, passou a ter valor locativo, onde o que vale é o preço do aluguel. Paparrotão assumido, o governo ao final do 1º turno, fundamentado na rabularia, palavrório que nada prova, anunciou ter sido vitorioso em 76 municípios. Os candidatos vitoriosos obtiveram a soma total de 323.849 votos, representando menos de 5% do eleitorado paranaense que totaliza 7 milhões e 727 mil votantes. A origem dessa realidade lutuosa, geradora de autêntico “haraquiri” político, responde pela ação desastrada e irresponsável de vetar candidaturas nas principais cidades das regiões sul, norte, oeste, sudoeste e noroeste. Deixou órfãos os eleitores históricos do partido. Disputou apenas os pequenos municípios, os “grotões” paranaenses. Dividindo-se os votos obtidos, 323.849 por 76 municípios, obteremos o índice de 4.261 votos na média. As maiores votações ocorreram em Fazenda Rio Grande, 31.728; Cambé, 28.080; e, Rio Negro, 13.769. Para um partido que governa o Estado, o cenário retratado só encontra tradução naquela expressão, de grande sabedoria do povo mineiro: “A esperteza quando é demais, vira bicho e come o dono”. O PSDB do Paraná sofre do mal de engasgo. Acreditava que vivia na colina mantéu, onde se pronunciavam os oráculos. Agora colheu o corrume, o entalhe que se faz uma peça para que nela corra outra, encaixada. Subordinou-se a outros partidos, os grandes vitoriosos, negando participação eleitoral aos seus quadros e militância histórica. Para efeito comparativo, nas eleições municipais de 2008, elegeu 42 prefeitos e teve 1 milhão e 70 mil votos. Os números falam por si. Os seus dirigentes, não venham à socapa, argumentando fantasias e disfarces, tentar justificar a estatura de pigmeu que impuseram à agremiação. Cortaram as asas do tucano, impedindo de voar, querendo, primariamente, ser urubu-rei, ave falconiforme de grande beleza. Colheram um metopópago, monstro formado por dois indivíduos de umbigos distintos e ligados superiormente pelas cabeças. Nascido para ser um partido doutrinário, vinculado aos princípios sociais democratas onde liberdade, desenvolvimento e justiça não são negociáveis, o PDSB não pode ser uma geleia-geral. Onde tudo vale a pena, para quem tem alma pequena, a antítese de Fernando Pessoa. Nivelou-se à crise partidária geral que domina a vida política brasileira. No Paraná, a descaracterização do PSDB é mais original: está enredado em uma ópera-bufa, com personagens burlescos, tipos patuscos, mas crentes e sonhadores de ungidos jupiterianos, dotados de caráter dominador. Fantasia criada e alimentada pelos áulicos do poder, usufrutuários dos benefícios de todos os governos.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi Deputado Federal (1978-1991) É autor de vários livros sobre a economia brasileira e suplente do senador Alvaro Dias.

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