RATINHO JR, PAULO BERNARDO, GLEISI, FRUET, REQUIÃO E GRECA JÁ SÃO VITORIOSOS

Qualquer analista, especialista em pesquisa eleitoral ou palpiteiro que se pusesse a analisar o processo eleitoral paranaense no seu início apontava para o risco da estratégia escolhida pelo Governo do Estado e que passava pelo descarte da candidatura própria nos principais municípios, especialmente na capital onde o PSDB descartou Gustavo Fruet para ficar com a reeleição de Luciano Ducci.
O deputado Rossoni, Presidente da Assembléia Legislativa e em exercício do PSDB, esteve no Jogo do Poder e, apesar de ser uma das únicas vozes ativas do PSDB a defender a candidatura própria na capital com Fruet (Scalco não entra no critério de voz ativa na medida em que desde a eleição de Beto para o Governo já não tem mais atividade partidária no Estado), argumentou que a legenda iria eleger um grande número de prefeitos em cidades menores e sairia fortalecida do processo eleitoral, apesar da posição de coadjuvante nos grandes centros.
Mas, mesmo descartando Fruet, Rossoni – como a grande maioria dos agentes desse processo – também acreditava na vitória da base do governo na capital, pois a administração de Ducci vinha com uma boa avaliação e o governador Beto Richa era tido como uma excepcional cabo eleitoral na capital, imbatível para alguns na medida em que conservava uma boa avaliação pessoal.
Do outro lado da trincheira, o PT e Requião também acalentavam sonhos.
Dado como carta fora do baralho, Requião brigava para ter a candidatura própria de Rafael Greca para manter o PMDB vivo, um objetivo que era desdenhado por seus adversários dentro e fora do partido.
O PT de Gleisi e Paulo Bernardo estabeleceu como objetivo estratégico para as suas pretensões em 2014 a derrota Beto Richa na capital, apostando também em candidaturas próprias somente onde elas eram eleitoralmente viáveis, recomendando composições onde o Partido se mostrava frágil. Lideranças do PT revelavam a expectativa de dobrar o número de prefeitos no Estado.
Essas eram as questões que estavam na mesa no cenário pré-eleitoral.
E isso porque niguém acreditava na possibilidade de Ratinho Jr ser mesmo candidato a Prefeito, exceto aqueles que estavam a seu lado.
Muita dúvida havia sobre se o curitibano no médio aceitaria a manobra de Fruet de deixar o PSDB e Beto Richa (a quem a grande maioria dos analistas atribui a votação de Fruet para o Senado) para buscar uma aliança com o PT, tendo sido um dos algozes mais ativos da cúpula do Partido durante a revelação do processo do Mensalão no Congresso Nacional.
Definido o cenário na capital com as candidatura de Ducci na base do governo do Estado, Fruet amparado pela frente composta pelo PDT, PT e outros partidos, Rafael Greca pelo PMDB com chapa pura e de Ratinho Jr com o apoio do PCdoB, resultante de uma troca pelo apoio do PSC a Manuela em Porto Alegre, o que se viu na sequência foi um desfecho imprevisível, pois ninguém foi capaz de prever a derrota do candidato da base do governo já no primeiro turno.
O que se previa não aconteceu. Apostavasse majoritariamente num cenário de segundo turno com Ducci e Fruet. Mas a persistência de Ratinho foi surpreendendo. Manteve-se na frente desde os primeiros levantamentos e ganhou o primeiro turno contra todas as previsões iniciais. Fruet também surpreendeu pelo completo desajuste inicial da sua campanha. Frágil e desorientada a campanha de Fruet não soube enfrentar a pancadaria inicial sobre a sua aliança com o PT.
Num dado  momento da campanha a impressão que se tinha era que os petistas não poderiam sequer sair às ruas no segundo turno dada a incapacidade de Fruet de responder aos argumentos de que havia traído Beto para associar-se àqueles a quem tanto combateu no processo do Mensalão.
A demora de Fruet em enfrentar essa questão fez com que a aparição de Gleisi no horário eleitoral de Fruet fosse uma presença petista solitária. Assim, os deputados federais do PT com voto em Curitiba, Vanhoni, Rosinha, Tadeu Veneri e a bancada na Câmara de Vereadores foram esquecidos nos programas de TV e rádio. Lula nem foi mencionado. As figuras do PT mais lembradas eram Dirceu, Delúbio e outros atores do Mensalão, mas sempre nos espaços de Ducci na TV e no Rádio.
A hipótese de Ducci sequer ir para o segundo turno só passou a ser aventada na última semana e mesmo assim no sábado ainda era uma incógnita.
A resultado do primeiro turno pregou surpresas em todos.
Requião saiu com um saldo inesperado de 10% dos votos em Rafael Greca e ambos voltaram a ter importância eleitoral em Curitiba e colocaram o PMDB em boa situação para 2014, retomando o protagonismo do Senador dentro da legenda no Estado. Se conseguir eleger o Presidente do Diretório Estadual Requião terá uma importância considerável no processo eleitoral de 2014.
Gustavo Fruet finalmente conseguiu andar com as próprias pernas e já tem um saldo político extraordinário, pois tornou-se um agente político indispensável no processo eleitoral de 2014, muito maior do que o seu novo partido sozinho poderia lhe assegurar. Osmar Dias ganhou energia.
O PT atingiu plenamente os seus objetivos. Independentemente do resultado do segundo turno, o partido fez uma quantidade importante de novos prefeitos e vices. Pode ainda fazer importantes prefeituras, pois disputará com candidatos próprios o segundo turno em Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Poderá fazer o vice em Curitiba e ter o apoio do Prefeito da capital em 2014.
O PSDB abdicou das principais cidades, perdeu a capital e Beto sai inevitavelmente desgastado nesse. Em compensação o partido praticamente dobrou o número de prefeituras no Estado e, assim, atingiu um plenamente um dos seus objetivos. Historicamente, o Governador do Estado sempre consegue manter o seu partido com um grande número de prefeituras. No auge, Requião consegui fazer mais de 140 prefeitos e esse fator foi vital para o seu sucesso em algumas eleições que disputou. Mas trata-se de um fator relativo, pois se fosse determinante a oposição nunca faria o governador. O mesmo Requião já conseguiu ganhar o Governo do Estado com cerca de apenas 15 prefeitos.
O PP, um partido que tradicionalmente se aliou ao PSDB, está saindo do processo eleitoral menor do que entrou.
Como resultado do que aconteceu nas eleições já houve uma iniciativa para enfrentar o Deputado Rossoni na eleição da mesa da Assembléia Legislativa. Aquilo que parecia impossível já passou a ser idealizado por alguns deputados. Assim, o que estava sob controle já passa a ter algum sinal de fadiga.
Então, é fato que Beto terá que fazer uma reengenharia da sua ação política e administrativa para enfrentar os desafios que virão, pois terá uma oposição muito mais fortalecida do que teve até agora.
Por fim, é importante registrar que esse processo eleitoral produziram dois  novos agentes na política paranaense.
O PSD sai do processo com um bom saldo, apesar de ter perdido São José dos Pinhais,  a principal prefeitura que tinha até então, vai disputar o segundo turno em Londrina onde revelou uma nova e importante liderança e terá uma quantidade importante de prefeituras.
Ratinho Jr e seu PSC já são grandes vitoriosos, independemente do que acontecerá no segundo turno em Curitiba. Terão papel de protagonismo nas eleições de 2014 não só pelo que já aconteceu em Curitiba, mas também pelo número de vereadores e prefeitos que terá.
Outra observação não pode deixar de ser realçada. Alvaro Dias, um ser discriminado dentro do PSDB, passou a ter importância no processo eleitoral de 2014.
Assim, o rumo que tomarã o PSD e Ratinho daqui para frente são elementos a serem considerados em qualquer análise.
O fato é que Requião, Greca, Ratinho Jr., Fruet, Gleisi e Paulo Bernardo podem cantar vitória.
O que acontecerá em 2014 é outra história, pois ninguém está autorizado a dizer que Beto já perdeu.

Se você tiver um tempinho, apimente o debate com a sua opinião.

TWITTER: @jogodopoderpr

FACEBOOK: JP Jogo do Poder