CURITIBA: 109 MIL EM ÁREAS DE RISCO

Os resultados apresentados pelo Plano Diretor de Drenagem, contratado pela Prefeitura de Curitiba para  estabelecer diretrizes e elaborar projetos para as ações do município para estudar e construir as soluções para evitar alagamentos e enchentes trouxe uma notícia boa e outra ruim.
A boa e que finalmente se sabe que a Prefeitura de Curitiba saiu da omissão e partir para a ação com a licitação para a contratação da elaboração do Plano Diretor de Drenagem em 2011, o que, em si, sem nenhuma dúvida, já é alentador.
A má notícia é que Curitiba está bem atrasada na adoção de providências para um dos seus problemas mais sérios que é justamente os cuidados que estão a merecer os seus rios, hoje em condições lastimáveis.
O estudo revela que existem cerca de 31,1 mil domicílios posicionados em áreas de risco. Não são só invasões, mas também residências regularmente instaladas em locais onde ninguém poderia estar morando, resultando que 109,1 mil pessoas estão nessa condição.
Quem conhece um pouco do assunto sabe que o custo para a remoção de toda essa estrutura é absurdamente caro e o estudo revela que seria algo em torno de 54,9 bilhões.
Então, lógico, o Plano Diretor de Drenagem deve agir com criatividade e procurar estabelecer, onde for possível, a boa convivência do homem com o rio e assim, o que se sugere é um investimento em torno de 1,4 bilhão para produzir intervenções necessárias a evitar alagamentos nas enchentes que virão pelo futuro.
Bem ao lado de Curitiba há um bom paradigma para ajudar a refletir. É a obra do Rio Ressaca em São José dos Pinhais. Para remover as famílias ribeirinhas e recuperar o rio, criando um parque linear, numa extensão de apenas 7 quilômetros, serão consumidos cerca de 45 milhões de reais do Governo Federal e alguma contrapartida do município. O projeto foi “apadrinhado” pelo Ministro Paulo Bernardo, então na pasta do Planejamento, que o incluiu no PAC, juntamente com o da recuperação da Orla de Matinhos. A obra já está na segunda fase e o resultado vista com a execução da primeira está sendo extraordinário. São José dos Pinhais está ganhando o rio que havia perdido e um novo e belo parque.
A obra da Orla de Matinhos ainda não saiu do papel, o que demonstra que além de bom projeto o gestor público deve ter competência na licitação e na execução da obra.
Os quilômetros que os 6 rios de maior envergadura de Curitiba percorrem formam uma extensão grande, mas o problema deve ser enfrentado como prioridade e a decisão de realizar o Plano Diretor de Drenagem já é, em si, um o fato interessante.
A Prefeitura e a população de Curitiba devem cobrar mais duramente a empresa responsável pelo saneamento, a Sanepar, um dos grandes vilões da agressão a bacia hidrográfica da cidade.
Já está mais que na hora para Curitiba começar a acabar com o que nunca deveria ter deixado acontecer.

Veja o bom exemplo do Rio Ressaca:

04/jun/2012 – 19:41
Margens do Rio Ressaca. Mesmo com muita chuva, sem sinais de alagamento – Fotos: Silvio Ramos
Dias de chuva forte ininterrupta não são mais motivo de preocupação para os moradores do entorno da 1ª fase das obras de revitalização do Rio Ressaca, em São José dos Pinhais. De acordo com a Defesa Civil do município, não houve registro de enchentes mesmo com a chuva de 55mm registrada entre 0h e 15h desta segunda-feira pelo Instituto Tecnológico Simepar  – mais da metade do esperado para todo o mês de junho.
Antes das obras, os vizinhos do rio eram sujeitos a enchentes que causavam prejuízos e comprometiam suas casas e comércios.
O primeiro trecho da revitalização do Rio Ressaca compreende a área que vai do Portal de São José dos Pinhais até a Avenida Rui Barbosa. As famílias que moram na região já foram beneficiadas com as obras.  Para Vicente Cortes, mestre de obras, a recuperação do rio transformou a região. “Não temos mais alagamentos e nem mau cheiro. Antes era horrível, com uma chuva dessas já tinha alagado tudo”, relata. Vicente conta que já morou no bairro e vem visitar a irmã. Ele se mudou dali devido aos alagamentos, porém, com as obras, cogita a possibilidade de voltar.
Vicente Cortes: "Não temos mais alagamentos e nem mau cheiro"
Vicente Cortes: “Não temos mais alagamentos e nem mau cheiro”
Para o prefeito de São José dos Pinhais, Ivan Rodrigues, o papel da prefeitura vai além de apenas administrar a obra. “Nós estamos trabalhando em parceria com a Sanepar, e cobrando constantemente que ela cumpra com a sua parte”, detalha. Marcus Vinicius Senegaglia, diretor geral da Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas, explica que a Prefeitura em conjunto com a Sanepar, que é responsável pelo sistema de esgoto, estão remanejando a tubulação, para dar vazão correta ao esgoto.
“O rio tinha muitas ligações clandestinas de esgoto. A Sanepar está fazendo as notificações e estamos corrigindo isso, de acordo com as etapas da obra”, destaca Marcus. Na 1ª etapa da obra, 480 famílias receberam ligação de água em suas casas, outras 163 casas receberam ligação de esgoto e mais 390 tiveram o esgoto regularizado.
O projeto de revitalização do Rio Ressaca abrange os 13 km² da bacia hidrográfica do rio e foi dividido em três fases, com orçamento total de R$ 38 milhões. Os recursos da obra são do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do Governo Federal, com contrapartida do município. Paulo Bernardo, na época ministro do Planejamento, interveio para obter os recursos federais para o projeto da Prefeitura de São José dos Pinhais.
A Caixa Econômica Federal está analisando o projeto da segunda etapa da obra, que vai da Avenida Rui Barbosa até a Rua Ângelo Moro Redeschi. A licitação deve ser feita até julho de 2012. Ao final da terceira etapa, a cidade vai ganhar um parque linear urbano, com a oferta de espaços ajardinados e equipamentos de lazer e recreação.
No último sábado, 73 famílias que foram transferidas das margens do Rio Ressaca receberam as chaves de suas novas casas. As moradias foram construídas em três loteamentos já existentes no município: Moradias Parque São José, Moradias Vale Verde e Moradias Holtmann. Elas são destinadas às famílias com renda até dois salários mínimos, que residiam próximas à Bacia Hidrográfica do Rio Ressaca.  No total, até o final das obras nas margens do Rio Ressaca, 210 famílias devem ser realocadas (Fonte: Site da Prefeitura).
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