GAZETA E FOLHA ERRAM NO "NEPOTISMO" DE FRUET

O principal e mais prestigiado jornal paranaense, a Gazeta do Povo, e um dos mais conceituados do país, a Folha de SP (no Site), cobriram o ato em que o prefeito eleito de Curitiba, Gustavo Fruet, revelou o nome de vários dos seus futuros secretários.
Os jornais fizeram chamadas com destaque na edição desta terça-feira
Nada de anormal no procedimento, não fosse o viés que ambos os jornais deram ao fato. 
Ambos deram destaque para a presença de Márcia Fruet e Eleonora Fruet, respectivamente esposa e irmã do eleito. 
No caso da Gazeta sob a manchete “Técnicos e parentes compõem o futuro secretariado de Fruet” que é seguida do comentário de que “nepotismo nas nomeações da mulher e da irmã, segue uma prática antiga da política paranaense”.
A Folha fala dos governos Requião e Beto Richa, que também nomearam parentes no primeiro escalão, mas ressalta que tais nomeações só são possíveis em razão da “brecha” existente na lei e que permite o expediente de nomear parentes no primeiro escalão dos governos.
Quem leu os textos ficou com a impressão que Fruet está fazendo algo errado e reprovável.

Os jornais têm todo o direito de ter o seu padrão ético e moral sobre todos os temas, de exercer a crítica em relação àquilo que consideram inadequado a partir desses padrões. 
No caso, o marco da discussão sobre esse tema deu-se no instante em que o legislador assentou na regra o conceito sobre o que deve ser caracterizado como nepotismo.
É preciso dizer que o conceito que a lei estabelece não se afasta daquilo que a sociedade pensa sobre o tema, de tal modo que é possível inferir que a regra legal, tal como está, é fruto da leitura que o legislador operou sobre o aspecto axiológico da questão.
Mais, o tema já passou pelo rigoroso crivo Supremo Tribunal Federal e a partir daí nomear parente no primeiro escalão do governo, por si só, não é imoral, não é uma ofensa a ética e tampouco constitui ilegalidade.
E se os parentes indicados são habilitados para a função para a qual estão sendo nomeados, ai é que as nomeações estarão postos dentro de padrões rigorosamente éticos e morais.
Isto porque, o nepotismo que a sociedade recriminou por via da lei é aquela prática de nomeação de parentes tão só pelo fato de serem parentes e para funções para as quais não estão habilitados. Isso é nepotismo em qualquer escalão e em qualquer quantidade.
Vale dizer então que, diante do texto legal em vigor, quem se põe a criticar a nomeação de parentes do prefeito para o primeiro escalão de um governo tem a obrigação de dirigir a sua crítica sobre as qualificações técnicas do nomeado. No caso das matérias a que me refiro, não há uma única referência desabonadora às indicadas por Fruet. Então, se está se pretendendo caracterizar o ato de indicação como nepotismo é de se exigir uma avaliação das qualificações técnicas das indicadas e de modo a revelar que elas não preenchem os requisitos para os cargos.
Mas, como no caso, se as duas nomeadas estão dotadas dos requisitos técnicos necessários para exercer as funções para as quais estão sendo designadas, onde está o nepotismo? Não há nepotismo.
As matérias, no entanto, estão postas como se o ato do novo prefeito fosse recriminado pela sociedade e expõem um conceito de nepotismo como se fosse a opinião da própria sociedade. 
Isso não é razoável e chega a ser injusto, em primeiro lugar porque, a rigor, Fruet não se afastou nenhum centímetro daquilo que a própria lei considera ético e moral.
Em segundo lugar, porque o cidadão brasileiro médio faria exatamente o que Fruet fez, ou seja, se tem dois parentes qualificados para funções de primeiro escalão não há razão plausível para não nomeá-los.
Portanto, sob o ponto de vista axiológico, também não há nepotismo.
Diante de tantos excelentes nomes indicados no mesmo ato para as diversas outras secretarias, todos com reconhecidos atributos técnicos para cada uma das funções, num ato que só merece elogios, parece totalmente injusto que se dê destaque para um suposto nepotismo, como se, no caso, as nomeações da esposa e da irmã fossem defeito (ou melhor, nepotismo).
A indisposição contra as indicações de parentes também podem se constituir preconceito, tão deletério quando o verdadeiro nepotismo.


O que é Nepotismo:

Nepotismo é um termo utilizado para designar o favorecimento de parentes ou amigos próximos em detrimento de pessoas mais qualificadas, geralmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos, e é uma palavra que derivado latim.
Originalmente, a palavra era usada exclusivamente no âmbito das relações do papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Nepotismo é diferente de favoritismo, pois o favoritismo não implica em relações familiares com o favorecido.
Nepotismo ocorre quando um funcionário é promovido por ter relações de parentesco ou vínculos com aquele que o promove, mesmo que haja pessoas mais qualificadas e mais merecedoras para o cargo. Outro exemplo de nepotismo é quando alguém é acusado de fazer fama, às custas de algum parente já famoso, geralmente se for o pai, a mãe, ou algum tio ou avô.
Por exemplo: Wanessa Camargo é filha do cantor de sertanejo Zezé Di Camargo, e tornou-se conhecida inicialmente pelo grau de parentesco.
Existe também o chamado nepotismo cruzado, que é a troca de parentes entre agentes públicos para que tais parentes sejam contratados diretamente, sem concurso. Nepotismo cruzado também é o ajuste mediante designações recíprocas, ou seja, a nomeação, daqueles relacionados, que sejam parentes de autoridade, por outra autoridade do mesmo ente federativo

significado de Nepotismo está na categoria: Geral
Significado de Nepotismo – O que é, Conceito e Definição http://www.significados.com.br/nepotismo/ via @tuasaude
TWITTER: @jogodopoderpr

FACEBOOK: JP Jogo do Poder