Calçada de granito: fim da perda de tempo

Das discussões entre uma comissão e outra é que saiu a decisão do prefeito Gustavo Fruet de suspender a colocação do polêmico granito da avenida Batel. 
Agora, um lado da calçada será de granito, o outro de concreto. 
Para alguns, a solução foi acertada e vai representar economia, mas os proprietários de restaurantes e bares da avenida estão preocupados com a estética da região, já que cada pedaço de calçada será de um material diferente. Segundo eles, a economia final na obra de R$ 3 milhões seria de 10% do valor final da obra (de fato, dinheiro de pinga para o orçamento do Município de Curitiba), um valor que talvez não justificasse a mudança do projeto da obra e o risco da avenida ficar mais feia ou com aspecto de remendo.
Não se sabe bem a razão exata pela qual um tema pequeno e sem importância como esse (assunto da raia pequena no contexto político a que a eleição passada submeteu a cidade) foi ocupar tanto espaço na pauta política, pois não passou nem pela tangente em todo o processo eleitoral.
Em todos os prédios públicos construídos no Brasil há presença do granito, nas suas mais variadas formas e cores (na Prefeitura de Curitiba, se não me engano, a calçada de acesso é de granito), e por uma razão simples: é sempre contemporâneo, barato e dura mais que outros materiais.
Há calçadas de granito nas áreas mais nobres de Manhattan (NY), Paris, Buenos Aires, sendo que outras áreas, digamos, mais retiradas dessas cidades não contam com o mesmo material em seus calçamentos. As calçadas das melhores praias do Rio de Janeiro e nos Jardins em São Paulo também são diferentes do resto da cidade. Qual a razão? Nas áreas mais nobres há uma freqüência grande de pessoas da própria cidade e de turistas, circunstância que, por si, recomenda que recebam um tratamento diferenciado e até mais atenção. Isso é legítimo e recomendável, pois todas a cidade ganha com isso.
Assim, o uso desse material nas calçadas de uma rua do Bairro Batel está longe de ser algo absurdo e até criminoso, como alguns tentaram fazer crer logo que o tema emergiu, pois, embora possa ser de simbologia polêmica (mas não tanto que leve a tanta perda de tempo), é um recurso aceitável e até recomendável se levado em conta determinados aspectos ligados à cultura do bairro, a sua gastronomia e comércio.
É uma pauta ruim e meio demagógica para a Prefeitura e o recomendável é que caia fora dela o quanto antes, pois, como já arrematou o nosso filósofo contemporâneo Joãozinho Trinta, quem gosta de miséria é intelectual (gente da academia). O povo da zona sul de Curitiba pode até gostar dessa conversa, mas logo esse gosto passa.
O correto seria que a obra fosse concluída tal como projetada, pois a economia que se fará é pífia e os ganhos seriam maiores com tal calçada de granito embelezando o local e atraindo mais gente.
Mas já que resolveu se mexer na obra, que se acabe logo com isso. 
O que restará é o retrato de um debate tolo. Alguém vai passar por lá e perguntar a razão pela qual a calçada não é toda de granito e a qualidade e intensidade da resposta vai depender da conjuntura pela qual estará passando a  gestão de Fruet.

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