MALUQUEZ E LUCIDEZ: PMDB É BETO, É GLEISI, É REQUIÃO. SÓ NÃO É BOBO.

 

A semana terminou e outra começa com o Governador Beto Richa tentando arrastar todo o partido (exceto Requião, claro) para dentro da base do Governo do PSDB.
A manobra é viável porque bicho deputado costuma ser tão óbvio quanto qualquer outro da nossa fauna e a bancada do PMDB, desde sempre, se esmera na obviedade. Seus deputados são doutores no assunto (de senador a vereador). No que interessa aqui, os deputados estaduais e federais do PMDB do Paraná tornaram-se poder desde que José Richa elegeu-se governador do Paraná pelo partido. Antes, embora nem todos, eram uma brava bancada de resistentes aos governantes nomeados pela ditadura e composta por figuras que ainda hoje inspiram saudade. É fato que algumas figuras da bancada do PMDB – em alguns casos ocorreu a sucessão dentro da família – não saíram da sombra do poder nem mesmo durante os 8 anos de Lerner, período em que o partido, pelo menos formalmente e para todo inglês ver, foi oposição. Lerner manteve boa parte da bancada do PMDB devidamente domesticada, quase sempre fez o que quis com ela, mas não a manobra que Beto está fazendo, trazendo a cobra para dentro do barraco. Tinha juízo.
Como governador Requião conviveu com a bancada do PMDB durante 12 anos e conhece-a como ninguém. São seus filhos bastardos. Desprezava e ao mesmo tempo amamentava e nunca teve problemas. Desprezava porque despreza a fisiologia e conviveu com ela sempre com o senso prático que a função exige. É a lucidez de Requião. Os deputados, por seu turno, tiraram as suas vantagens e quase todos aumentaram o seu patrimônio – político, é claro – e bem por isso nunca deram muita importância para o desprezo do governador. Atribuíam o comportamento do governador na sua Maluquez e navegaram durante os 12 anos nas brisas do poder, mesmo quando a navegação operada pelo Palácio era temerária, turbulenta e incompreensível para eles.
Agora Beto Richa quer o PMDB dentro do governo e para isso conseguiu lograr êxito na manobra de unir todos os desprezados de Requião numa única chapa, impondo ao Senador uma derrota histórica na convenção que elegeu o novo diretório estadual. 
A segunda etapa da tarefa é a mais difícil. É que os desprezados de Requião só são consenso contra ele. Beto agora tem que contentar todos e na medida da força de cada grupo. O problema é que cada grupo do PMDB tem a alma de argentino, sempre acha que vale mais do que realmente vale.
O que se diz é que Pessuti quer a Sanepar de “porteira fechada”. Serraglio e outros (inclusive o próprio Pessuti), apesar de ter enfrentado Requião, ainda não perdeu o juízo e sabe que um passo muito firme em direção a Beto agora pode custar caro na frente (a vida de deputado federal é fisiológica e umbilicalmente ligado ao governo federal). Então, a rigor, quem vai se entregar de corpo e alma para Beto é a bancada estadual do Partido. Por enquanto e até o próximo verão. A partir daí tudo pode mudar novamente. 
É que a próxima eleição é para eleger presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. O PMDB indicará o vice de Dilma. Isso implica em que se Requião decidir ser candidato a governador pelo PMDB só haverá uma alternativa viável para quem for contra; apresentar um outro nome para derrotar Requião na convenção. Quem será o maluco? A possibilidade de impedir que o PMDB tenha candidato próprio (Requião) para indicar o vice de Beto é quase impossível. Essa manobra teria que ser combinada com Michel Temer, Sarney, Renan e quase toda a direção nacional do PMDB, com quem Requião mantém excelentes relações. A matéria já tem precedente. Hermas Brandão (então PSDB) tentou ser vice de Requião e a manobra foi esmagada por uma intervenção da direção nacional. Alguém acha que Dilma não conseguiria essa intervenção junto a direção nacional do PMDB? Então, barbas de molho. Todo o esforço de Beto pode se esvair numa ligação de Dilma para Temer.
Outro fator importante nesse contexto para que Beto tenha em conta é que deputado é um bicho óbvio, sempre vai pensar no seu próprio umbigo e isso porque lá na eleição já terão tomado de Beto o que era possível tomar. Então, se o melhor for ter Requião como candidato próprio para eleger uma bela bancada, adeus Beto!!! Com todo o desprezo que tem pelos nobres parlamentares, Requião vai querer? Então, acreditem, daqui para adiante, o fator a ser considerado é Requião. 
Quem hoje só olha para a maluquez de Requião – não é mais governador, “está velho”, perdeu a convenção e está derrotado -, é bom começar a olhar também para a lucidez, que não é pouca.



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