TIMÃO: MENOR DERRUBA TESE DE RECURSO. ARMAÇÃO?

O programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou neste domindo uma entrevista daquele que, supostamente, deve ser o autor do dispato que o jovem Kevin Espada, 14, na última quarta-feira, em Oruro.
O menor de 17 anos, ao lado de sua mãe, de família humilde da cidade de Guarulhos, em São Paulo, foi entrevistado pela equipe do programa neste domingo, comandada pelo repórter Valmir Salaro, e identificou-se como integrante da torcida organizada do Corinthians e, segundo o repórter, o jovem está muito amedrontado e revelou que não tinha a intenção de matar ninguém e que vai argumentar que teve dificuldades para acionar o sinalizador e que, involuntariamente, acabou ocasionando uma explosão.
O jornalista revelou que o menor que vai assumir a autoria do crime veio de ônibus da Bolívia para o Brasil, numa viagem de quase quatro dias para chegar e que, nesta segunda-feira, vai de apresentar para o Juízo da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Guarulhos.
Segundo a reportagem do Fantástico, o menor vai informar que seguiu orientação da Gaviões da Fiel para não se entregar para as autoridades na Bolívia e seguiu viagem para o Brasil.
A torcida organizada, segundo a reportagem, assumiu a responsabilidade pela viagem do menor, mediante assinatura dos pais autorizando.
De imediato, a revelação do menor derruba por completo parte da tese utilizada pela equipe contra a sanção que lhe foi imposta pela Comembol, obrigando a equipe jogar com os portões fechados nos jogos em casa e sem direito a ingressos nos jogos fora.
Isto porque, segundo o Diretor Jurídico da equipe, a sanção não poderia ocorrer porque a investigação está em face inicial e não se conhece a autoria do disparo, ou seja, se partiu ou não da torcida corinthiana.
Com a revelação do menor, portanto, já existem elementos para que a Comembol possa concluir que o disparo veio da torcida do Corinthians, o que é mais que suficiente para viabilizar a imposição da sanção cautelarmente.
Mas a fala do menor, se verdadeira, ao trás revelações perturbadoras: a) desde o primeiro instante os torcedores, pelo menos a Gaviões da Fiel, já sabia de onde havia partido o disparo e quem era o seu autor e esconderam a verdade; b) conscientemente, a Gaviões da Fiel não só ajudou como também orientou o menor a empreender fuga, circunstância que revela preocupante fraqueza de caráter; c) até que ponto os diretores do Corinthians, que tiveram contato com os torcedores, também já não tinham tal informação?; d) os torcedores levaram os dispositivos extremamente perigosos para o estádio e em território estrangeiro, circunstância que dá conta que a irresponsabilidade não tem limite.
Já se fala que a história tem jeito e cara de armação.
É preciso ter cautela, mas é de se reconhecer que é muito conveniente que o autor do disparo seja um menor, que não pode ser sancionado com as penas que seriam atribuídas a um maior no Direito Brasileiro.
Isso, desde logo, cria um entrave que será objeto de infindáveis recursos – e vem aí a impunidade -, pois a Justiça Brasileira e o Estado Brasileiro permitirão que um cidadão brasileiro seja julgado por um outro país onde as penas são muito mais severas para um jovem de 17 anos, considerado menor aqui?
Se é uma armação, quem a engendrou sabe o que está fazendo pois apostou na impunidade.
A polícia boliviana terá, agora, que demonstrar que a versão do menor não é verdadeira.
É bom sentar a estourar a pipoca porque, no aspecto penal, o espetáculo está apenas começando.
No campo esportivo, a revelação do Fantástico abre caminho para que a Comembol possa aplicar a penalidade merecida e necessária ao Timão.
Já se sabe, confessadamente, que o projétil partir da torcida do corinthians, que o introduziu no país e no estádio ilegalmente, que ao invés de identificar o infrator imediatamente obraram para que fugisse do país e da responsabilidade, apostando na impunidade.
Então, no campo esportivo, o caso está a requerer punição exemplar da equipe para que tais episódios sejam desestimulados na medida em que não há polícia que consiga impedir a entrada de maus elementos e armas de fogo dentro dos estádios.
Se a equipe não for duramente prejudicada os torcedores não se sensibilizarão.

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SÁBADO, 23 DE FEVEREIRO DE 2013

TIMÃO AGORA QUER SE BENEFICIAR DA ESPERTEZA DO INFRATOR

A COMEMBOL decidiu punir o time do Corinthians com jogos com portões fechados em casa e sem direito a ingressos nos jogos fora e o Diretor Jurídico da agremiação anunciou que vai recorrer da decisão sob o argumento de que: “A decisão, de caráter liminar, foi tomada sem que o inquérito policial estivesse pronto. Não se identificou quem disparou o objeto. Então, não deveria haver medida cautelar”.
Assim, ao invés de colaborar com as autoridades policiais bolivianas instando seus torcedores a revelar o autor do ato criminoso, o Corinthians dá um péssimo exemplo: quer se beneficiar justamente da esperteza dos seus torcedores, que insistem em esconder o autor do disparo que resultou na morte de um garoto de 14 anos.
A atitude da agremiação, infelizmente, chancela a atitude dos torcedores presos e dos que ainda estão soltos e ajudaram dar causa à tragédia – e até mesmo o autor dela – a preservam no anomimato o culpado.
Assim a equipe só vai piorar a sua imagem que já circula no mundo, estampada nas fotografias dos corinthianos atrás das gradas vestidos com camissas, gorros e tatuagens do Timão. Feio.


SEXTA-FEIRA, 22 DE FEVEREIRO DE 2013

O CORINTHIANS DEVERIA PEDIR PARA SAIR DA LIBERTADORES

A COMEMBOL resolveu que o time do Corinthians terá que disputar suas partidas da Taça Libertadores em São Paulo com os portões fechados e quando jogar fora o time mandante está proibido de repassar ingressos ao Corinthians, tudo como consequência da morte de um jovem boliviano de 14 anos que foi atingido por um sinalizador disparado por um membro da torcida do time paulista durante a partida de quarta-feira contra o San José.
Mas a medida é medida é cautelar e vai ficar valendo até que se tome uma decisão final, o que deve ocorrer, segundo a entidade, em até 60 dias.
Até agora, uma bela pizza.
O Corinthians continua mandando seus jogos em casa e, portanto, não terá nenhum prejuízo para as suas pretensões no certame.
A existência das torcidas organizadas têm tido a sua história marcada por recorrentes episódios de violência que e, freqüentemente, atingem pessoas inocentes que vão ao estádio apenas para assistir a partida de futebol.
Apenas para ilustrar, vale mencionar que ainda nessa semana a justiça pernambucana proibiu a presença de torcidas organizadas de dois grandes clubes locais nos estádios de futebol, justamente em razão dos episódios de violência que protagonizaram.
O episódio ocorrido da Bolívia é mais um dentre inúmeros na história das torcidas organizadas brasileiras e tem a marca de sempre: a covardia.
Os autores nunca assumem e a violência, mais uma vez, atingiu um inocente.
Os torcedores presos sequer tem recursos próprios para a empreitada de ir à Bolívia, como já confessaram. Negam autoria e ninguém que estava presente tem a dignidade de revelar a verdade e apontar para o autor da barbárie, limpando a nódoa que ficará indelevelmente marcada nas cores corinthianas.
Uma morte deveria levar a Comembol a, ao final dos 60 dias, excluir o Corinthians do campeonato, não porque se trata do Timão e sim porque a punição a ser aplicada num caso como esse não poderia ser outra, para qualquer time. 
Cautelarmente, o time deveria ser obrigado a jogar todas as suas partidas fora do seu país, invertendo-se todos os seus mandos de jogos e aí haveria desde logo uma punição digna de se fazer sentir. Mas a Comembol não fará isso.
O Clube é que deveria sinalizar que não compactua com a covardia que caracterizou o lançamento do foguete, com a omissão dos seus torcedores que estavam presentes, viram o ato e agora se escondem no anominato, e nem com o cinismo dos que cometeram a barbárie e se escondem atrás da covardia dos que o viram e se mantém no covarde anonimato.
Então, para que as lágrimas até aqui derramadas pelos corinthianos não fiquem parecendo como de crocodilo, o próprio time é que deveria se auto-sancionar e mandar uma mensagem dura e definitiva para as suas torcidas organizadas: não aceita e não aceitará mais quaisquer episódios de violência.
Como a Comembol não fará, o próprio Timão deveria pedir a sua exclusão da Libertadores e dar o exemplo que o mundo do futebol está precisando e merecendo.


Notícias

21
fevereiro
2013
VIOLÊNCIA NOS FUTEBOL

Organizadas são proibidas de frequentar estádios em PE

O Juizado do Torcedor de Pernambuco proibiu, por tempo indeterminado, que as torcidas organizadas Jovem (do Sport), Fanautico (do Náutico) e Inferno Coral (do Santa Cruz) se reúnam no entorno ou frequentem estádios em jogos de seus respectivos clubes. A liminar foi concedida na última quarta-feira (20/2). As torcidas ainda podem recorrer.
Na decisão, o juiz José Raimundo dos Santos Costa levou em consideração os casos de violência decorrentes de brigas entre as torcidas. Na ocorrência mais recente, um torcedor do Náutico ficou ferido gravemente em frente ao estádio dos Aflitos durante tiroteio provocado pelo confronto. “A sociedade se encontra correndo risco de vida e o torcedor apaixonado, que realmente vai aos estádios para assistir ao espetáculo do futebol, está com medo”, ressaltou.
Com a liminar, o juiz atendeu parcialmente o pedido da Federação Pernambucana de Futebol. A entidade requereu ainda a suspensão de todas as atividades das torcidas organizadas, a interdição de suas sedes e a busca e apreensão de documentos a respeito de suas atividades e membros. Essas outras demandas, entretanto, não foram contempladas pelo juizado. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-PE.
Revista Consultor Jurídico, 21 de fevereiro de 2013.

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