MOMENTO BOM PARA REFLEXÃO SOBRE OS PORTOS


“Há um estrangulamento da movimentação de carga já há bastante tempo porque o porto não consegue dar vasão [demanda], e isso tem gerado o cancelamento de alguns contratos”, disse o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso [Aprosoja], Ricardo Tomczyk.

Segundo o líder rural, a atual safra é 10% maior do que a anterior, devendo atingir entre 23 a 24 milhões de toneladas, sendo que em torno de 60% são para a exportação. Ele não enxerga uma solução no curto prazo e acredita que novos problemas de saturação ocorram na colheita do milho, no segundo semestre.
O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, justificou o fato de o porto ficar lotado de caminhões, em razão da supersafra de milho, das chuvas e do atraso na colheita da soja, somando aos entraves nas vias terrestres, pois o tempo de atracação dos navios e dos embarques tem demorado 30 dias que implica perda, no caso da soja, de US$ 98 por tonelada.
Por causa dos congestionamentos no entorno do Porto de Santos, o Conselho de Autoridade Portuária (CAP) tem feito reuniões extraordinárias, e hoje (21) discutiu o problema com os vários segmentos envolvidos a fim de adotar medidas que amenizem os efeitos.
“Estamos tentando equacionar um momento muito complexo por causa do aumento de grãos e a carência de infraestrutura nas vias terrestres. Problemas que afetam não só o sistema portuário como a vida da população na Baixada Santista”, declarou o presidente do CAP de Santos , Bechara Abdalla Pestana Neves.
Ele informou que entre as medidas que serão adotadas está a exigência de cumprimento de regras na movimentação de caminhões e contêineres, a partir das 8 horas do próximo domingo (24). Os veículos só poderão chegar ao terminal sob o agendamento programado. Caberá à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) fazer a fiscalização. 
A notícia que se tem é que os chineses devem cancelar compras que, somadas, atingem milhões de dólares e tudo em razão do atraso na entrega do produto no prazo estipulado.
Não é de hoje que esse atraso na entrega de produtos tornou-se, pelo que se percebe, uma “vantagem” dos chineses, pois adquirem a capacidade de fazer regateio com os preços a partir da ameaça de não receber o produto em razão do atraso na entrega.
Trata-se de um bom momento para reflexão sobre a proposta que o governo está fazendo através de medida provisória para introduzir a iniciativa privada na construção de novos espaços nos portos.
Leia mais:

QUINTA-FEIRA, 21 DE MARÇO DE 2013

PORTO PARADO POR CAUSA DA UMIDADE. Falta tecnologia?

Entre o início de janeiro e terça-feira (19), o Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, acumulou quase um mês de atividades paradas. Segundo a administração do terminal, a principal causa de paralisações foi a chuva durante o período. Ao todo, foram 27 dias, seis horas e 24 minutos sem embarque de cargas.
Um dos motivos que obriga o porto a parar as atividades durante momentos de chuva é o tipo de carga transportada. Paranaguá é o principal ponto de escoamento das safras de milho e soja. Conforme a administração do porto, ao menor sinal de umidade, o carregamento precisa ser interrompido, pois os grãos podem estragar.

A administração avalia que se as chuvas não fossem tão intensas, seria possível embarcar o dobro das 2 milhões de toneladas de grãos que foram escoadas até agora. Ainda de acordo com a direção do porto, não há solução para o problema, embora sejam estudadas maneiras de cobrir mais adequadamente os porões que guardam os grãos.
A pergunta que fica é: não existem processos que permitam carregar os navios em tais condições?

Do Portal do Estado do Paraná:

Infraestrutura e Logistica

CHUVAS ATRAPALHAM EXPORTAÇÕES DE GRANÉIS NO PORTO DE PARANAGUÁ – 20/03/2013 15:19

As chuvas têm prejudicado as operações no Porto de Paranaguá, principalmente as exportações de granéis. Desde o início de janeiro até esta terça-feira (19), foram registrados 27 dias, 6 horas e 24 minutos de paralisações em função do mau tempo.

De acordo com o superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, Luiz Henrique Dividino, caso o tempo tivesse contribuído, o Corredor de Exportação poderia ter escoado, no mês de março, o dobro do volume que foi embarcado até agora. “Além da chuva que tem nos prejudicado, ainda temos a complicação de estar trabalhando simultaneamente com dois produtos. O milho ainda está sendo escoado, concorrendo com o escoamento da soja”, disse. “Mas pela programação de navios, vemos que estão nomeadas poucas embarcações para receber o milho e, dentro de poucos dias, poderemos dar vazão à soja”, explicou o superintendente.

De acordo com o Simepar, as chuvas que têm atingido o litoral do Paraná nos últimos dias são causadas pela circulação marítima. No entanto, os volumes pluviométricos registrados estão dentro da média histórica. Os meteorologistas do Instituto explicam que a característica do outono é o tempo instável e as chuvas serão frequentes, ora ocasionadas por movimentações marítimas, ora por eventuais frentes frias.

Nos meses de janeiro e fevereiro foram exportadas pelo Corredor de Exportação 2 milhões de toneladas de grãos, sendo 942 mil toneladas de milho, 512 mil toneladas de soja, 543 mil toneladas de farelo de soja e 31 mil toneladas de trigo. O volume é praticamente igual ao exportado no mesmo período do ano passado, com destaque para as exportações de milho, que tiveram alta de 288%.

NAVIOS – No porto, não só a chuva é responsável por paralisar as operações. A elevada umidade do ar ou a ameaça de chuva já bastam para que os porões sejam fechados e os embarques interrompidos. Ao menor sinal de umidade, grãos como a soja são danificados e a carga é perdida.

Apesar de não haver solução para este tipo de entrave em nenhum porto do mundo, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina tem trabalhado, junto com alguns pesquisadores, soluções de cobertura de porão de navios que possibilitem a exportação de granéis com chuva. No entanto, o projeto ainda está em fase de estudos.

Com as constantes paralisações, o Corredor de Exportação, que consegue embarcar uma média de 80 mil toneladas por dia quando o tempo está seco, está embarcando menos da metade deste volume, o que atrasa bastante a liberação dos navios.

Na manhã desta quarta-feira (20), 73 navios aguardavam ao largo para carregar grãos em Paranaguá. No entanto, apenas quatro deles possuem carga completa e estariam aptos a embarcar. Outros 18 apresentam carga parcial e 53 não possuem carga. Entre os navios que não têm carga nominada, ocorrem duas situações: ou a carga ainda não chegou do interior ou não foram sequer negociadas.

“Em Paranaguá, os navios que não tem carga negociada, seja em função da não finalização dos lotes a embarcar, seja por falta de negociação de destino, em algum momento os embarcadores sabem que terão esta condição resolvida e conseguirão a carga”, explica Dividino.

CAMINHÕES – Paralelamente a Administração dos Portos do Paraná tem monitorado com rigor a emissão das senhas para os caminhões por meio do sistema Carga on Line. O embarque atrasado por conta da chuva interfere também na descarga dos caminhões. Os armazéns cada vez mais cheios têm sua capacidade de estocagem diminuída.

“Estamos controlando a distribuição de senhas para evitar que a chuva também traga problemas de fila nas estradas. Até agora, temos conseguido. O nosso objetivo é melhorar a logística e as condições de atendimento dos caminhoneiros que não podem ser simplesmente largados nos acostamentos das estradas”, explicou Dividino. 

DOMINGO, 10 DE MARÇO DE 2013

GLEISI DEFENDE MP DOS PORTOS NA FOLHA DE SP. Veja também as posições de Beto Richa e Requião.

10/03/2013 – 03h30

Gleisi Hoffmann: Brasil: a hora da competitividade


Tendências / DebatesA medida provisória 595, que altera regras de exploração dos portos, não trata de privatização por uma razão simples: a operação do sistema portuário no Brasil já é privada. O objetivo da medida é melhorar a competitividade do setor, levando em conta a necessidade de aumentar o desenvolvimento do país.
Não se deve analisar a medida de forma isolada. Na verdade, estamos em meio a uma nova trajetória de transformação, que implica investimentos públicos e privados em gargalos logísticos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Nossos produtos podem e devem custar menos. Assim como nossos portos e aeroportos podem e devem ser comparáveis aos melhores do mundo. Para isso, é necessário quebrar reservas de mercado que não se justificam no mercado global.
Superar as deficiências da estrutura logística e aumentar nossas exportações são tarefas essenciais para responder às dificuldades do presente e encarar com esperança os desafios do futuro.
(…)
Hoje, a capacidade instalada dos portos organizados brasileiros é de cerca de 370 milhões de toneladas. Até 2015, quando se projeta movimentação de 373 milhões de toneladas, essa capacidade estará completamente esgotada.
Santos e Paranaguá já operam acima de suas capacidades, o que explica a demora nas operações de embarque e desembarque.
É nesse contexto que a medida provisória 595 faz todo o sentido. A autorização para que novos terminais portuários sejam instalados, feita de acordo com as regras constitucionais e as leis trabalhistas, é uma forma de atender a demanda da produção, provocar competição, reduzir custos e tentar garantir a melhoria nos serviços, em benefício de todos.
Para diminuir a burocracia, haverá a implantação da Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos), que integrará e disciplinará a atuação dos órgãos públicos. E, para maior movimentação com menor tarifa, reduzindo o custo dos operadores, será mudado o critério de outorga para arrendamento dos terminais do porto organizado.
Na ampliação da infraestrutura e na modernização da gestão portuária, o governo decidiu investir R$ 6,4 bilhões nos portos públicos nos próximos anos. Serão R$ 2,6 bilhões em acessos terrestres e R$ 3,8 bilhões em dragagens. Haverá mais empregos e todos os direitos dos trabalhadores estão preservados. Sem qualquer alteração na legislação trabalhista em vigor.
(…)
Ao definir, de forma democrática, os parâmetros de um novo sistema portuário para melhorar a logística por meio da competitividade, quebrando barreiras e reservas de mercado, o governo, além de agir de forma acertada, faz mais que o dever de casa.
Na verdade, o governo está fazendo a projeção do futuro e apostando em um novo salto de desenvolvimento, que, seguramente, estará ao alcance dos brasileiros com o apoio do Congresso. Não é por acaso que o Brasil é um dos poucos países do mundo onde a democracia e o pluralismo se realizam todos os dias.
GLEISI HOFFMANN, 47, é ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República
A íntegra do artigo no http://folha.com/no1243632 via @folha_com

VEJA A POSIÇÃO DE BETO RICHA SOBRE O TEMA


QUINTA-FEIRA, 7 DE MARÇO DE 2013

RICHA SE OPÕE A INICIATIVA PRIVADA NOS PORTOS

Dirigentes da UGT pediram hoje o apoio do governador Beto Richa para mudanças na MP dos Portos que propõe um novo marco regulatório para o setor. 
A alteração que mais preocupa é a que permite que os terminais privados contratem mão de obra sem precisar oferecer os benefícios praticados pelos terminais públicos.
O embate que está em curso é o de impor aos novos terminais privados que surgirão a partir da vigência da MP sejam submetidos ao mesmo regime de mão de obra dos portos públicos.
O Governo Federal sustenta que os trabalhadores dos novos terminais privados terão seus direitos garantidos.
A UGT sustenta que com o texto original os portuários (estivadores, carregadores, ensacadores, entre outros) perderão conquistas como o piso salarial e o plano de saúde. “Depois de anos de lutas, a iniciativa privada entrará nos portos sem nenhum compromisso com os trabalhadores, podendo contratar funcionários com salário mínimo e sem pagar os benefícios. Nós não aceitamos isso”, disse o presidente da UTG Paraná, Paulo Rossi. 
A entidade representa 800 mil trabalhadores de 186 sindicatos.
Beto Richa pulou o bonde e no discurso estatizante das entidade corporativas, embora essa posição esteja dissociada do que seu partido preconiza a respeito da intervenção privada na economia: “Contem com nosso apoio. Sou totalmente contra a essa medida provisória que prejudica os trabalhadores portuários e restringe a atuação do governo estadual”, disse. 
O governador garantiu ainda que convocará a bancada paranaense no Congresso Nacional e que levará o assunto para o encontro de governadores que será realizado em Brasília no próximo dia 12.

Beto posou para fotos com os representantes das corporações:

Governador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPrGovernador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPrGovernador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPr
Governador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPrGovernador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPrGovernador Beto Richa com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPr
    Governador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPrGovernador Beto Richa durante reunião com dirigentes paranaenses da União Geral dos Trabalhadores (UTG). Curitiba, 06/03/2013 Foto: Orlando Kissner/ANPr

    VEJA A POSIÇÃO DE REQUIÃO:

    REQUIÃO SOLIDÁRIO A TRABALHADORES QUE NÃO QUEREM PORTOS PRIVATIZADOS

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    O senador Roberto Requião manifestou apoio à reação dos trabalhadores, sindicatos e centrais sindicais contra a iniciativa do governo federal de privatizar os portos brasileiros. “Não se entrega a porta de entrada do país a interesses privados. Os Estados Unidos não fazem isso, o Japão não faz isso, por que nós vamos fazer?”, disse Requião.

    O senador não aceita a argumentação de “falta de recursos públicos para investimentos”, frequentemente usada pelo governo, mídia e empresários em defesa da privatização. “Estão aí as informações dando conta da baixíssima execução orçamentária federal na área de infra-estrutura. O Ministério dos Transportes, por exemplo, está paralisado desde que surgiram as denúncias contra a Delta ou mesmo antes disso. Quer dizer, dinheiro não falta, falta executar obras”, afirma Requião.
    Segundo o senador, para suprir a falta de obras, a ausência de planejamento e o marasmo administrativo, o governo acena com o remédio da privatização sob, o falso discurso da modernidade.
    Além disso, os trabalhadores portuários alegam que, do jeito que está, a Medida Provisória 595 irá gerar desemprego no setor. A Medida cria diferenças de custos entre os novos portos privados e os públicos e isenta os privados de diversos encargos e impostos que os portos públicos têm que arcar.
    História – Requião tem uma história importante ao lado dos trabalhadores portuários brasileiros. Na década de 1990, quando foi governador do Paraná pela primeira vez, participou de um ato público em Paranaguá que trouxe, a convite dos Sindicatos da cidade, a ex-prefeita de Santos Telma de Souza.
    “Nesta época, Requião foi o único governador que se posicionou pelos portos públicos. O movimento portuário de todo o Brasil ficou muito grato. Somos muito gratos por ele ter tido coragem e peito de enfrentar esta questão junto conosco”, lembrou o presidente do Sindicato dos Conferentes do Paraná, Carlos Antonio Tortato. “Vai fazer 20 anos da lei de modernização dos portos e ainda culpam os trabalhadores pelo gargalo logístico”, completou.
    Em 2005, governador pela segunda vez, Requião apoiou o movimento “O Porto é nosso”, criados por trabalhadores portuários e paranaenses inconformados com a possibilidade da perda da autonomia dos portos de Paranaguá e Antonina. Requião abriu todos os canais públicos de comunicação para um grande debate sobre o tema. Em julho de 2005, um ato público em Paranaguá deixou clara a posição dos paranaenses.
    Até o final da sua gestão como governador, em 2010, Requião não aceitou a possibilidade de privatização dos portos. De 2003 a 2010 os portos paranaenses foram modernizados, tiveram suas contas sanadas e passaram a bater recordes de exportação. Além disso, como o apoio dos trabalhadores portuários, novas cargas foram conquistadas, como veículos e cargas especiais.
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