RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ISTOÉ, ÉPOCA.

Nossas abençoadas semanais dobram os joelhos para o vizinho Argentina! Agora, não apenas os imbatíveis Malbec, Cabernet, Merlot e os pedações das suculentas bistecas fazem a fama da turma lá do “fim do mundo”! Eles passam a ter o bom velhinho de branco que não gosta de mordomias e diz que a “sua” igreja é dos pobres. 

Veja faz a lição de casa e rabisca algumas páginas com o perfil e os desafios – sempre na visão da revista – do católico portenho que trocou o Jorge por Francisco. Agora sim o mundo vai mudar e finalmente pobre tera orgulho de ser pobre ! Vale comprar a revista para guardar como recordação a foto do sorridente Papa latino. Nas páginas amarelas, o “quase ” medíocre deputado federal Marco Feliciano (presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal) diz que não tem nada contra negros e, muito menos, contra os gays. Cita a Bíblia como guia e ainda conclui brilhantemente que a “raça humana precisa de um homem e uma mulher para crescer” . Com essa frase o genial congressista é sério candidato ao Prêmio Nobel de Fertilidade. 
No mais o blá, blá blá de sempre com matérias água com açucar ou pancadaria em que tem alguma coisa com o governo do PT. E assim Veja tenta marcar sua edição sem qualquer atrativo ou surpresa. Fica a dúvida do por que anteciparam a publicação !

O “habemus papam” antecipou também a edição da Época, que numa competente cobertura de 40 páginas atribuiu a derrota verde-amarela ao “fogo amigo” de grupos vaticanistas contra D. Odilo Scherer, que minou o favoritismo do cardeal brasileiro e alavancou a candidatura do ‘hermano’ Bergoglio . E se não foi a “la mano de Dios”, houve sim um bela mãozinha da imprensa ligada à Igreja, que reproduziu supostas falhas do brasileiro em rituais litúrgicos, sem contar um artigo publicado pelo jornal italiano La Reppublica na véspera do conclave, que criticou o discurso de Scherer em favor da Cúria Romana (a burocracia do Vaticano). A matéria principal, riquíssima em detalhes dos bastidores do conclave, relata ainda que a vocação pastoral de Bergoglio, num período em urge o resgate do carisma da Igreja Católica, e o fato de ser cardeal há 15 anos determinaram a escolha dos seus pares. A revista também resgata a histórica ligação da Igreja com a ditadura argentina, mas minimiza as acusações contra Bergoglio de colaborar com os militares. 

De resto, Época traz pouca coisa. 
No setor elétrico, Felipe Patury conta que o secretário de Planejamento Energético, Altino Ventura, é o favorito do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para assumir em definitivo a chefia da Aneel. E em semana de conclave e polêmica sobre deputado homofóbico, nada melhor que a eterna Rogéria, mãe de todos os travecos brasileiros, contar em entrevista que urina de pé e nem pensa em mudar o sexo porque ama o próprio p. Taí um cabra macho!

IstoÉ saiu um dia depois das concorrentes, mas tenta não ficar para trás e faz extensa cobertura da mudança no papado, com direito a jornalista enviada ao Vaticano. A publicação vai também a Buenos Aires mostrar que os argentinos, mais adeptos à melancolia e ao embate que ao oba-oba característico dos vizinhos lusófonos, não se deslumbraram com a escolha do papa conterrâneo e seguem mais preocupados com a crise econômica do governo “Cretina” Kirchner (segundo os opositores). A revista também propõe a realização de novo concílio, cinco décadas depois do último – sugestão que certamente será ouvida e abalará o Vaticano e provocará profundas mudanças na Igreja -. 

Outra matéria relata o atropelo que ameaça a implantação do 4G na Copa das Confederações, embalada pelo espírito “isto é Brasil”. 
Na série “Entrevistas que vão mudar o mundo”, o protagonista da novela Salve Jorge conta, entre outras revelações bombásticas, que não é romântico e nem manda flores para a mulher. Altamente relevante. Nada de mais relevante.

Brindemos ao novo Papa e ao show de irreverência e relevância dos jornalistas que cunham as maravilhosas semanais.

Amem !!!

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