SAIU A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ISTOÉ E ÉPOCA

Quem chora por Chavez não chora por Chorão! E chafurdar poderá entrar na moda pela boca no ministro paladino da nossa Justiça, Joaquim Barbosa, que acaba de arrefecer a sua lua de mel com a mídia que lhe derramava loas. Mandou um jornalista para a PDP. Mas chato mesmo e ter de agüentar a semana toda o ex-goleiro flamenguista – e a sua trupe especializada em matar e entregar corpos para cachorros famintos – nas páginas dos jornais, manchetes televisivas e portais. Uma invasão domiciliar que só encontra saída para a minoria dos assinantes de TV a cabo. A médica Virgínia, da UTI do Hospital Evangélico, aparentemente só desapareceu das grandes revistas pela insegurança produzida pelo grosseiro e absurdo erro da polícia em confundir “raciocinar” com “assassinar”. O “inquisidor”revelou muita sede de sangue nesse ato falho. Mas a criatividade e a profundidade da nossa imprensa, mais uma vez, não surpreende e se apóia nas mortes do artista da política  (Hugo Chavez na capa de Veja), do misto de cantor/poeta/skatista (o “mundialmente” famoso Chorão), o atleta Bruno (“boa gente e seus amigos”) e a uma grande salada de pautas que pouco acrescentam. Ainda em destaque na maior das semanais os 39 ministérios de Dilma, que, para Veja, são quase todos políticos e de pouca serventia ao povo, entre outras reportagens nada relevantes. Aliás, para quem quiser contar, Veja nos brinda com 76 páginas de textos jornalísticos contra 56 páginas de anúncios … ou seja … em tempos modernos vale mais a pena ser publicitário do que jornalista. Tem que ter saco!!!

Época desce a borduna sem dó no recém-falecido caudilho venezuelano. A revista enumera os malefícios que a era Chávez trouxe à Venezuela (“a era perdida”), faz enorme esforço para minimizar os avanços implantados pelo presidente nas áreas social e educacional e diz que se livrar do espectro do defunto é o maior desafio do país daqui por diante. Tudo frio e à distância, sem enviados especiais ao país vizinho nem relatos sobre a cerimônia fúnebre ou a comoção popular com a morte do líder. Material ideológico de quinta categoria. Mais útil é a reportagem do jornalista Marco Antônio de Rezende, especializado em catolicismo, que já acompanhou dois conclaves e várias viagens do Papa João Paulo II. A matéria destrincha os bastidores da eleição do próximo pontífice, fala dos escândalos financeiros e sexuais que minaram a cúpula católica e revela o pessimismo em relação à modernização da Igreja na era pós Bento XVI. A coluna de Felipe Patury conta que o famigerado Ricardo Teixeira ainda mexe os pauzinhos direto de sua mansão em Miami e trabalha para manter uma aliado na presidência da Federação Cearense. Sobre o setor elétrico, a coluna relata que a eletricidade ainda não chegou para as 13 mil pessoas que vivem na reserva extrativista Porto de Moz, a maior do Brasil, embora o linhão de transmissão Tucuruí-Manaus passe por cima da localidade.

IstoÉ é mais pop e traz outro herói morto na capa, o ídolo de skatistas e adolescentes Chorão. Com o juvenil título “Amor, drogas e solidão” na capa, a revista entrevista a ex-mulher do vocalista do Charlie Brown Jr. e resgata a trajetória do cantor, regada nos últimos meses a cocaína, álcool e depressão. Senhores e senhoras vetustos talvez torçam o nariz. Há assuntos recuperados da semana, como aqueles xingamentos de Joaquim Barbosa a um jornalista e a eleição de deputado racista e homofóbico à Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Sobre Chávez, uma análise mais equilibrada. Reportagem interessante, porém curta, relata estudo da FGV que propõe aprimorar os obsoletos concursos para funcionários públicos no país, que hoje avaliam mal e parcamente as habilidades dos candidatos. E aqui vai uma valiosa e gratuita dica de negócios para a CVC Turismo … juntem num pacote de viagens a visita as múmias do russo Lenin e do chinês Mao Tse Tung ao mais novo integrante do bizarro mundo de ultrapassados ditadores eternamente expostos em vitrines, o “foi tarde” Chavez.

Um tétrico passeio e tanto … abs

TWITTER: @jogodopoderpr

FACEBOOK: JP Jogo do Poder