REFORMA POLÍTICA: A CLASSE POLÍTICA APODRECEU E NÃO SENTE O CHEIRO

O Congresso Nacional caminhou para fracassar, mais uma vez, na tentativa de produzir uma reforma política no país, dada a total falta de consenso entre os parlamentares em relação a todos os pontos da reforma proposta pelo Deputado Henrique Fontana.

Não cabe mais se debater sobre os pontos da reforma proposta, mas para a falta de consenso que, reiteradamente, nas inúmeras tentativas, há sobre qualquer que seja a proposta posta para discussão.

O motivo é óbvio. Cada partido olha para o seu próprio umbigo, para suas possibilidades de sobrevivência no modelo proposta e os efeitos que as mudanças propostas teriam sobre seu futuro. Só isso. Nada mais que isso. Não há preocupação com o país, não há desprendimento, não magnanimidade, não há humildade, não há disposição para a conciliação e o cenário é aquele em que o argumento bom é o que discorda, que diverge e que inviabiliza a construção de qualquer solução.

É triste constatar que a maioria dos parlamentares não conseguem encontrar um consenso mínimo para dar início a um processo de mudanças no processo eleitoral apodrecido, que se encontra mergulhado num processo de deterioração irreversível, um câncer que avança inexoravelmente e já em fase terminal e que tem como conseqüência a desmoralização da classe política, a negação da política pelas suas próprias práticas.

O patrimonialismo, na noção de pensar só em si e de ter o público como seu,  está a consciência, no corpo e na alma do político brasileiro e é a causa fundamental da sua deterioração.

Tem sido assim também porque a sociedade, exceção de algumas entidades que enviaram propostas e manifestações ao Congresso, pouco se interessa pelo tema e a mídia só se interessa pelo que a sociedade se interessa, que, em última análise, é o que dá faturamento, conduzindo à anomalia na qual, no mês em que a reforma política é levada para votação no Congresso a mídia só fala da disputa entre Feliciano e a comunidade organizada dos homossexuais.

Triste.

Uma classe política desmoralizada e em adiantado grau de deterioração, apostando na negação da atividade política pela população, não tem autoridade para insurgir-se contra a Justiça Eleitoral quando ela se põe a estabelecer regramentos para moralizar o processo eleitoral, justamente como conseqüência da omissão do Congresso.


 Vai continuar sendo assim.

Apenas para ilustrar, em 2012, os gastos eleitorais apurados pelo TSE ultrapassaram R$ 3,5 bilhões. Com o Horário Eleitoral Gratuito a União gastou R$ 606 milhões. O entidade Contas Abertas diz que, nos últimos dez anos, a União desembolsou mais de R$ 4 bilhões em compensações tributárias com as geradores de radiodifusão pelo uso do Horário Eleitoral e com o Fundo Partidário cerca de R$ 286 milhões.

Os valores são ridículos se comparados com o que os partidos gastaram nas campanhas de Presidente da República e Governador nos últimos 10 anos (não vamos nem falar das campanhas de vereadores, prefeitos, deputados e senadores). Também nem vamos nos aprofundar no fato de que os números citados darão conta de valores oficias, ou seja, não e fala em caixa dois. Uma conta de somar denuncia a absurda desproporção entre esse pífio financiamento público e a brutal influência do poder econômico no processo político brasileiro.

O sistema está podre e a classe política não incomoda mais seu cheiro podre porque é o cheiro da própria classe política, dito isto como um todo e sem referência individuais, pois existem, acreditem, bons políticos.

A sociedade brasileira só logrará produzir uma reforma política fora dos limites do congresso ordinário, tomado por interesses que estão muito distantes dos interesses do país no que toca ao tema.

Sendo assim, só uma constituinte exclusiva pode resolver o problema.

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