A OPERAÇÃO DO SANTOS COM NEYMAR FOI UM SUCESSO, APESAR DOS ABUTRES

A revista Exame desta semana trouxe na reportagem da capa o tema do futebol, mas não sobre o que a maçante crônica esportiva martela à toda hora na cabeça do ouvinte, do telespectador, do leitor, que é o blá, blá, blá dos jogos, dos treinos, das fofocas e das intrigas intermináveis, e sim para falar COMO O CAPITALISMO PODE SALVAR O FUTEBOL BRASILEIRO (E O SEU CLUBE).

A matéria é uma bola dentro e em boa hora. O Congresso Nacional bem que poderia entrar no clima, mas de maneira séria. Que tal criar regras de gestão semelhantes às que existem para monitorar os bancos, as seguradoras, os planos de saúde , uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal para os nossos clubes ? Não se pode gastar mais que arrecada, tal como no exemplo que os clubes da Alemanha estão dando ao mundo agora mesmo e que já foi tratado na boa obra de Ferran Soriano sobre o caso do Barcelona: A BOLA NÃO ENTRA POR ACASO.

Mas não é disso que quero falar.

A matéria da Exame fala também de uma das experiências mais bem sucedidas aqui mesmo, no nosso país.  “O Santos montou um comitê formado por executivos de grandes empresas para tocas o clube. Eles criaram um modelo único para manter o jogador Neymar no país – mesmo custando quase 1 milhão de reais por mês de salários, manter o craque fez com que as receitas triplicassem em quatro anos e o clube desse lucro (no fechamento desta edição, Neymar estava finalmente prestes a ser vendido) . O clube criou uma regra para garantir que 20% do investimento em futebol seja aplicado na formação de novos jogadores”.

No entanto, apesar da seriedade do projeto montado pela diretoria do Santos, da palavra empenhada dos dirigentes, do próprio jogador e de seu pai, de que o craque ficaria, nesses quatro anos não se passou UM MINUTO (!!!) sem que o torcedor santista não tivesse que ouvir dos abutres da infeliz crônica esportiva nacional, amadora e medíocre (há as exceções, naturalmente), babarem a falação de que o craque iria embora na “próxima janela”.

Alguns até mesmo desejaram e torceram para que o craque fosse embora porque estão totalmente impregnados pela “alma do vira lata”, aquela mesma que Nelson Rodrigues cansou de amaldiçoar, convictos de que o jogador brasileiro só se completa se for jogar fora do país. Jogando aqui ele não existe no mundo. Estão tomados pela idéia de que só nós resta mesmo o destino de ser sempre o fundo do quintal do mundo. Não há o que fazer. Somos assim, nascemos para ser assim e temos que aceitar que quem quiser dar certo tem que ir para a Europa (como nos tempos da Colônia, só éramos gente depois de estudar em Coimbra). Nem mesmo futebol sabemos jogar mais, temos que aprender lá (na Europa, na Grécia, na Turquia e, absurdo, até na Russia, na Ucrânia …). Só não pode ser aqui, tem que sair para “ganhar experiência”. A atual crônica esportiva brasileira (ressalvadas as raras exceções) tem a alma de vira-lata! Uma praga ruim que se abate todos os dias na mídia, de rádio, televisão, jornais e revistas, sobre a já castigada estima do nosso brasileiro mais comum.

A bem sucedida operação do Santos para manter Neymar durante quatro anos, contra tudo e todos, demonstrou o contrário. É a prova cabal de que podemos mais e podemos tudo. Nesses quadro anos o faturamento anual do Santos cresceu incríveis 206%. Se tivesse vendido Neymar, como a maldita crônica esportiva pedia, o Santos não teria ganho o que ganhou. Essa crônica entende pouco de futebol e mostrou que não entende absolutamente nada de gestão. São apenas palpiteiros, fofoqueiros e formadores de intriga com a “alma de vira-lata”. Agora estão dizendo que os valores da venda de Neymar são baixos, não foi a maior transação do nosso futebol, mas os ignorantes em gestão não olham o resultado no todo e ainda esquecem que o Santos recebeu agora o valor de um contrato de apenas 1 ano de duração, que é o tempo que ainda restava do craque no time.

A diretoria do Santos merece aplausos e vaias para os abutres que torceram contra.