CARTA CAPITAL REGISTRA QUE LIBERAÇÃO DA MACONHA ESTÁ NA PAUTA

A revista Carta Capital desta semana aborda a questão relacionada com a chamada legalização da maconha.
A bela matéria sobre o tema parte da seguinte premissa: “Diante da falência da guerra às drogas – o planeta não reduziu o número de dependentes ou consumo de entorpecentes, ao contrário -, qual política seria capaz de amenizar os efeitos deletérios, entre eles a violência e a corrupção?”.
O Blog do Jogo do Poder vem acompanhando o debate mundial que está em curso sobre o tema e reiteradas vezes fez ecoar aqui aspectos importantes e também em várias entrevistas no próprio programa do Jogo do Poder (Veja postagens com os temas: 1 MILHÃO DE USUÁRIOS DE MACONHA (18.07.2012); A MACONHA E O STF (28.12.2011); DELAZARI NÃO CRÊ EM LIBERAÇÃO AGORA (25.06.2011); REFLEXÕES DE FHC SOBRE MACONHA (19.04.2011).
Pode-se dizer que a Carta Capital está entrando com atraso no tema, pois outros veículos (Como a Folha de SP, por exemplo) já estão nele a mais tempo, mas tem o mérito de retomar o debate sobre o tema e em boa hora em razão dos desdobramentos que estão em curso no território americano.

EUA

No ano passado, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou que nenhum usuário de maconha iria passar a noite na delegacia, como acontecia. “Será registrado, como uma infração no trânsito.” “Nossos policiais poderão ser remanejados para atividades mais prioritárias”, afirmou.
Pouco antes, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, também havia anunciado, em seu discurso anual sobre o Estado, que apresentaria projeto para legalizar a maconha.
Ambos anúncios foram acompanhados de polêmica quase zero, sem protestos, como tem acontecido nos últimos tempos nos cantos mais liberais dos Estados Unidos.
Segundo o instituto Gallup, no ano passado, 49% dos americanos aprovavam a legalização da maconha, quase o dobro do que em 1995 (25%).
Em novembro, os eleitores do Colorado e de Washington aprovaram em plebiscito o uso da maconha em caráter “recreativo”. Os governos estaduais têm até o final deste ano para regulamentar o cultivo, a produção, a venda e a distribuição da erva.
Apesar da lei federal americana considerar a maconha ilegal, o presidente Barack Obama falou à TV em dezembro que não era “prioridade” perseguir usuários de maconha nos dois Estados.
Em 18 Estados e no Distrito de Columbia, onde fica a capital, Washington, a maconha para uso medicinal já é legalmente liberada.
Por enquanto, só a DEA, a agência de combate às drogas, já no ano passado, pediu ao secretário de Justiça e procurador-geral, Eric Holder, para que não deixe de cumprir as leis federais por cima das estaduais recém-aprovadas.

APOIO REPUBLICANO

No ano passado, já havia quem pense em faturar com o novo momento da maconha no país. Denver, capital do Colorado, ganhou seu primeiro clube para degustadores da erva, o Club 64, que usa o número da emenda 64, a da legalização, e pode ser frequentado por maiores de 21 anos.
O setor turístico do Estado, que abriga a famosa estação de esqui de Aspen, já imagina um “maconha-tour” de simpatizantes ao Colorado.
Uma associação local começou um curso prático de plantio de maconha na União dos Estudantes de Tivoli, na mesma cidade.
Também há um componente econômico na virada de um grande opositor à erva. O líder republicano no Senado, o senador Mitch McConnell, do Kentucky, juntou-se a dois senadores democratas e a outro republicano para apresentar uma emenda que legaliza o plantio de maconha.
Até recentemente, McConnell dizia que a “maconha pode matar”.
Na semana retrasada, ao apresentar sua proposta, disse que “os agricultores do Kentucky podem se beneficiar enormemente das possibilidades da produção de canabis.”
Em Oregon, uma lei estadual já permite plantações que servirão para a demanda do vizinho Estado de Washington, onde o consumo foi liberado.

AJUDA POP

Também como no casamento gay, a cultura pop teve seu papel em ampliar a aceitação.
Depois do sucesso do seriado “Weeds”, onde uma dona de casa vendia a erva, em um dos filmes de maior bilheteria do ano passado no país, “Ted”, o protagonista e seu amigo ursinho de pelúcia passavam fumando maconha em boa parte da história, chapados, sem julgamento. Sinal de prestígio, o diretor, Seth McFarlane, foi o apresentador do último Oscar.
“Estamos vivendo enorme mudança de costumes e muita gente que jamais fumou maconha acha injusto prender milhares de pessoas que fumavam um baseado. Acabaremos tratando como álcool: taxando, regulando e impedindo o acesso a menores”, diz Ethan Nadelmann, diretor-executivo da Aliança para Políticas de Drogas (Folha).