JOAQUIM BARBOSA NA ESQUERDA. Jornalões “tendem para a direita”. Regulação?

O ministro Joaquim Barbosa criticou duramente a concentração da mídia brasileira impressa nas mãos de apenas 3 jornais (Folha de S. Paulo, Estadão e Globo?) e acusou que não contempla a igualdade racial.
Barbosa cravou ainda que os três meio referidos “tendem para a direita”.
O discurso foi em um evento na Costa Rica, nesta sexta-feira, cuja pauta é “Falar sem medo: assegurando a liberdade de expressão em todas as mídias” e foi promovida pela Unesco para celebrar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
Em inglês, para inglês ver, ouvir e entender bem, Barbosa também deitou a fala contra as redes de televisão do Brasil e afirmou categoricamente que os negros são mais ou menos 51% da população brasileira e que, no entanto, “são raros na televisão”.
“Eu não seria sincero se eu concluísse essa apresentação sem trazer para esse público desvantagens que vejo no meu país acerca da informação, da comunicação, da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.”
Para ele, o “problema está basicamente na falta de um pluralismo forte (…) No Brasil, negros e mulatos representam de 50% a 51% do total da população, mas não-brancos são bem raros nas redações, nas telas de TV, sem mencionar a quase abstenção deles nas posições de controle ou liderança na maioria dos veículos de comunicações. É quase como se eles não existissem no mercado de ideias (…) Raramente eles são chamados para expressar seus pontos de vista. Esse é o maior problema para nós, no meu ponto de vista”, disse.
E continuou: “Eu apontaria a fraca diversidade política e ideológica na imprensa. O Brasil tem hoje três principais jornais nacionais impressos, todos eles mais ou menos inclinados para a direita no campo das ideias”.
A única iniciativa que tem por objetivo regulamentar as mídias no Brasil é a do Partido dos Trabalhadores e que vem enfrentando forte resistência junto aos meios que, freqüentemente, a denominam de tentativa de impor censura.
Lamentável que nenhum jornalista presente tenha indagado sobre a opinião do Ministro sobre a proposta do PT.
Barbosa defendeu enfaticamente a liberdade de imprensa durante a sua fala e citou precedentes do Judiciário brasileiro que garantiram tal direito.
Confesso que não me contive, fui ver as manchetes da Folha, do Estadão e do Globo. Até agora, o destaque que deram ao discurso de Barbosa foi para o ponto em que ele critica o foro privilegiado. Só a Folha de SP registrou a fala.