RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA. ISTOÉ E CARTA CAPITAL

O melhor de Veja esta de trás para frente. A editoria internacional comenta a primeira biografia do Papa Francisco, lançada essa semana por uma escritora argentina. Alguém sabia que o humilde pontífice só voa de classe econômica ? E que Francisco sente dores nos joelhos e nas costas com “apenas” 76 anos ? Ah … essa ninguém imaginava !!! Ainda na vizinha Argentina, maldosa reportagem diz que o falecido presidente Néstor Kirchner tinha uma amante que transportava malas e malas de dólares para serem escondidas nos porões da Casa Rosada. A dupla função da tal Miriam Quiroga, conta o texto, era de conhecimento da então primeira dama – e hoje presidenta – Cristina Kirchner, que deixava a farra correr solta em troca de alguns polpudos benefícios. A sociedade durou até a morte do estrábico e esquisito Néstor.
Fatos relevantes à parte, Veja mandou uma turma a Corêia do Norte para retratar o fenômeno da fuga dos norte coreanos para a China ou países próximos. As pessoas estão correndo do regime sufocante tocado pelo cruel e gorducho Kim Jong-un, e acabam sofrendo ainda mais ao se deparar com novas culturas do outro lado da fronteira. Um dos choques culturais retratados pela ampla matéria e a dificuldade que os coitados fugitivos encontram para andar de escadas rolantes nas ruas e em shoppings.
Na política nacional a pancada sobrou para Lula, para não perder o costume e nem a viagem, digo, edição, que em 2006 teria recebido uma grana do banco Rural via seu amigo e então assessor Freud Godoy. Os 98 mil reais foram usados para pagar despesas pessoais do ex-presidente, pela versão da periódica.
Por fim, Veja faz uma trapalhada editorial em sua capa. Tenta explicar o que e BIG Data, nada além do monte de informacao digital que pode e deve ajudar pessoas e empresas. A tentativa de juntar o óbvio em um único e extenso texto resultou numa obra prima jornalística.

A Época mete o dedo no atraso sistemático e onipresente em obras de todos os tamanhos e esferas no país, simbolizado pelo interminável Mané Garrincha, o monstruoso estádio fadado a abrigar eternamente clássicos como Brasiliense x Planaltina depois de 2014. A competente reportagem destrincha as agruras que tornam o Brasil referência mundial em descumprimento de prazos e inchaço de orçamentos: aditamentos de obras sem critério, ineficiência e lentidão dos órgãos de fiscalização, morosidade da Justiça para apreciar recursos de empresas perdedoras, licitações deficientes e a pressa eleitoreira em colocar máquinas na rua sem que os projetos estejam devidamente ajustados. A matéria resgata o surrado “espírito do vira lata”, desvendado por Nelson Rodrigues, para divagar que talvez a origem de tudo isso esteja numa certa cultura do atraso arraigada há séculos no país. “Tudo atrasa no Brasil, até reunião de ministro”, como diz Aldo Rebelo, chefe da pasta de Esportes. Passou da hora de mudar.
Outra matéria alerta para o risco da depreciação do preço das commodities, último pilar de sustentação da economia brasileira.
A coluna de Felipe Patury conta que o Corinthians recorreu a Lula para interceder junto ao camarada Evo pelos “manos” presos há 3 meses na Bolívia que, segundo palmeirenses, são-paulinos e santistas, é hoje o melhor país do mundo: pois os únicos corinthianos existentes estão presos.
Trata também do pleito do Paraná e do Piauí pela redefinição de seus mares territoriais. No caso paranaense, a reforma traria parte do Campo Tupi e por consequência os polpudos royalties de petróleo e gás. A coluna diz ainda que Curitiba recebeu só 20% da verba preparatória para a Copa de 2014. Outra matéria mostra que a transmissão de dados do recém-lançado 4G brasileiro é igual à do 3G norte-americano, mas ainda assim vale a pena migrar – menos para os donos do iPhone 5, que só será compatível com a frequência 4G brasileira em 2015.

IstoÉ dá um furo mundial e estampa na capa: “Como curar o câncer”. O milagre, ao que parece, era desenvolvido sigilosamente nos porões da Editoria Três. Por falar em milagre, a revista conta o segredo da multiplicação do senador, bispo e ministro da Pesca, Marcelo Crivella, que usa programas da pasta que comanda para criar tilápias em sua própria ONG na Bahia.
Outra reportagem diz que José Serra, o vampiro brasileiro, foi o político mais beneficiado com doações oriundas do rombo bilionário arquitetado por diretores do banco Cruzeiro do Sul.

Vamos estrear hoje com a Carta Capital, em homenagem aos reclamos dos nossos leitores no Twitter. A mais esquerdista das nossas revistas veio essa semana com o estandarte e o abre alas defendendo a legalização da maconha. Com reportagem de capa e tudo a revista revela que a batalha do combate às drogas está perdida. É cara e inútil no mundo todo. Ressalta os bons exemplos de Portugal e Uruguai onde se encaminham bons exemplos de legalização da marofa. Uma boa reportagem e que aborda o problema do ponto de vista de todos os aspetos que ele merece ser abordado, social, econômico, financeiro, religioso, emocional e político. Mandou bem.
No mais, bate no hipócrita Giulio Andreotti, que nessa semana foi para o andar de cima, fala do apagão no SUS, do 4G e na economia dá destaque para um seminário da própria revista em que Dani Rondrik, festejado economista de Harvard, acompanhado de um time de economistas tupiniquins, nos dá conselhos de como toda a máquina econômica, sob os olhares e ouvidos atentos de Lula e do Senador Requião.
A Revista ainda registra o desacerto do governo nas votações do ICMS e da MP dos Portos e da eleição no Paquistão, que pode se tornar mais uma trincheira dos religiosos daquele lado do mundo.
Para fechar, um artigo do guru Mino Carta falando da passagem de Joaquim Barbosa pela Costa Rica, onde bateu na imprensa que o promove tão intensamente. No mais, está igual às outras.

E dá-lhe notícias da semana requentadas. Abs.