9 VEREADORES EVANGÉLICOS DE CURITIBA FORAM INTOLERANTES: EXEMPLO RUIM

Virou notícia nacional o ato dos vereadores evangélicos que abandonaram o Plenário da Câmara de Vereadores de Curitiba, nesta segunda-feira, logo após o início da sessão, às 9h, quando foi colocado em votação projeto de lei da vereadora Noemia Rocha (PMDB), que propunha entregar ao pastor Marcelo Bigardi, líder local da Bola de Neve Church, o título honorário.
Após a votação, a pauta previa a cessão da palavra a especialistas em direitos humanos levados à Câmara pelo Grupo Dignidade, a pedido da vereadora Josete Dubiaski da Silva (PT), mais conhecida como Professora Josete.
Às 10h30, como o debate sobre o título de cidadania honorária ainda não terminara, o presidente da Casa, Paulo Salamuni (PV), correta e educadamente, como costuma acontecer em qualquer parlamento brasileiro, suspendeu a sessão e passou a palavra aos convidados.
Os vereadores evangélicos levantaram-se e deixaram o Plenário, deixando claro que a tentativa de alongar os debates era para inviabilizar a fala dos convidados, permanecendo apenas dois integrantes da bancada evangélica – Cacá Pereira (PSDC) e Carla Pimentel (PSC) – acompanharam integralmente a explanação dos especialistas levados à casa pelo Grupo Dignidade, que falaram sobre o combate à homofobia. Se, de fato, a saída dos vereadores foi pela razão noticiada a atitude não pode passar em branco.
É a negação da própria razão de ser do parlamento, um sinal preocupante de incompreensão do que representa a instituição numa sociedade democrática e do próprio papel que cada um dos vereadores, institucionalmente, deveriam estar desempenhando.
A Constituição Federal tem um programa onde são compromissos do poder público brasileiro, dentre eles os vereadores – agentes públicos – a promoção da cidadania, da dignidade da pessoa humana, do bem de todos, sem preconceitos e discriminações de quaisquer formas, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária (arts. 1 a 3 da Constituição Federal).
Os vereadores evangélicos deram um exemplo de negação de tudo isso. Um exemplo feio. Esqueceram-se de que quem não quer ser discriminado não discrimina. Esqueceram que na Casa do Povo todos são iguais e não há lugar para intolerância.

Vai ai o nome dos vereadores que deixaram o Plenário: Ailton Araújo (PSC), Tiago Gevert (PSC), Jorge Bernardi (PDT), Valdemir Soares (PRB), Chicarelli (PSDC), Chico do Uberaba (PEN), Cristiano Santos (PV), Dirceu Moreira (PSL) e Noemia Rocha (PMDB).