O FETICHE, O PIBINHO DA DILMA, O POVÃO E A OPOSIÇÃO

O mês de maio terminou com o anúncio do resultado do PIB no primeiro trimestre, alardeado por todos os cronistas econômicos em todas as mídias. Um terremoto sem precedentes. Uma catástrofe. Um desastre: O PRODUTO INTERNO BRUTO CRESCEU MÍSEROS 0,6% EM COMPARAÇÃO A 2012.

Para piorar a desgraça brasileira, veio também a divulgação do IDF (Índice de Desenvolvimento da Família), cujo resultado, segundo os cronistas econômicos, aponta para um desempenho ruim do bolsa família (ver texto matéria abaixo).

Nem mesmo o aumento da taxa de juros em 0,5% (um lance tão espetacular quanto um daqueles golaços de Neymar), um velho anseio dos cronistas econômicos de toda parte, já seria capaz de salvar o Brasil.

Mas o Brasil acabou e só o povo não viu.

Talvez em razão de não entender mesmo ou de já ter se acostumado a ouvir que diariamente a catástrofe passa por sua cabeça e até agora nada aconteceu de concreto na sua vida real: A BOLSA DE LONDRES FECHOU EM FORTE QUEDA; A INFLAÇÃO ESTÁ ACIMA DA META; O ÍNDICE DE CONFIANÇA CAIU 4 PONTOS; O MERCADO ESTÁ NERVOSO, O MERCADO ESTÁ AGITADO …

Esse mundo do fetiche a números, estatísticas, índices, PIBão prá cá e PIBINHO prá lá, está tão longe da realidade e do imaginário do povo quanto a terra está da lua.

A desse desapego do povão pelo fetiche dos cronistas econômicos é simples: o cotidiano e a realidade do povão é muito mais complexa e rica que consegue ser a imaginação de qualquer economista.

No afã de adivinhar o que vai acontecer amanhã os cronistas econômicos acabam falando de um mundo que não faz parte da “vida de verdade” que o povo está acostumado a viver. Alardeia-se a crise, mas uma quantidade inimaginável de brasileiros passou a comer e a consumir. Alardeia-se a crise, mas investimentos na economia devem crescem em relação ao que se viu no ano passado e nessa semana se viu que a indústria reage e tem crescimento acima do esperado (cresceu 1,8% sobre o mês anterior e na comparação com abril de 2012 cresceu 8,4%). Alardeia-se a crise, mas a arrecadação de impostos vem superando os números imediatamente anteriores, nos mesmos períodos, sistematicamente. Alardeia-se a crise, mas o setor da agropecuária cresceu 9,7% no período, o melhor resultado em cinco anos. Alardeia-se a crise mas o arroz e o milho terão uma produção de 185 milhões de toneladas, a cana crescerá próximo de 100% e a soja terá uma safra 23,3% maior que no mesmo período do ano passado, no mesmo trimestre de 2012.

E quando se compara o PIB do Brasil com o dos EUA, Japão, México, Inglaterra, Alemanha, França, se vê que o Brasil não acabou e não vai acabar e, então, o fim só habita o imaginário dos cronistas econômicos e, obviamente, de quem tem grana grossa e interesses dançando nas bolsas.

Sabedora que o povão ignora o fetiche dos economistas e que leva a sua vida alheio a essa busca insana por números, índices, percentuais, estatísticas, Dilma se recolhe e só fala quando lhe convém para tirar proveito de um ou outro feito do seu governo.

Então, Aécio Neves está caminhando na prancha quando cai na cantilena dos cronistas econômicos e embarca no discurso do PIBINHO da Dilma. Vai se dar mal porque esse Brasil o povo não vê. Essa pancadaria que os tucanos estão estimulando sobre o bolsa família vai leva-los novamente para mais uma derrota. Um erro grosseiro. Trata-se de um programa através do qual o Estado brasileiro olhou o pobre e as suas dificuldades, e pela primeira vez na sua história, compreendido como sendo aquela faixa de cerca de hum terço da população que vive no porão de baixo, sem saúde, sem moradia, sem educação, sem transporte e sem comer, com seus filhos impossibilitados de desenvolver as capacidades cognitivas mínimas por deficiência de nutrientes para um bom desenvolvimento dos neurônios e, portanto, incapazes de absorver o pouco que a professora da escola pública tem a lhe ensinar, isto quando consegue freqüenta-la. As cotas estão colocando para dentro das universidades uma quantidade inusitada de jovens vindos das camadas pobres da população, o mesmo ocorrendo com os cursos técnicos espalhados pelo país. E o pobre que perde o emprego tem salário pago pelo governo federal. É fato. Pode-se não gostar desses programas. Mas não há como negar o fato.

O blá, blá, blá de que tem que ensinar a pescar ao invés de dar o peixe perdeu. É discurso para o século passado e o povo já entendeu que se trata de um grande engodo, afinal entre 1930 e 1980 o Brasil se desenvolveu brutalmente e tornou-se a oitava economia do mundo e, ao mesmo tempo, produziu um dos maiores contingentes de excluídos da terra. Ou seja, tem uma quantidade de gente que gosta tanto de pescar que se apropria de todo o rio e não deixa mais ninguém chegar perto. Falar de inflação nessa conjuntura é apostar   perigosamente numa empreitada que se insinua fracassada.

Então, se a oposição não buscar um discurso consistente e que ofereça um outro sonho para o povão e cair nessa conversa de que o Brasil acabou, no fetiche dos cronistas de economia, vai morrer abraçada na pequena burguesia que não gosta do povão, sobretudo de vê-lo ascender socialmente.