A POPULARIDADE DE DILMA E A MÍDIA

A semana começa com a queda da popularidade da Presidenta alimentando as especulações da roda da política e da economia. Caiu de 8% a aprovação do governo, vindo de 65% para os atuais 57% ótimo e bom. O regular foi de 27% a 33%. O Péssimo foi de 7% para 9%. O que significa isso? Hoje, nada. É só material para alimentar o fetiche de quem está na roda política e da jogatina do mercado de ações.

Estão falando que a Presidenta é ruim de cintura política, não tem o jogo de Lula no trato com a classe política, razão pela qual tem tido dificuldades no Congresso, tal como se viu no exemplo da aprovação da MP dos Portos. É verdade. Mas isso se ajeita facilmente.

Fala-se do embróglio da correria na Caixa Econômica para retirar o Bolsa Família, da insatisfação de certos setores do empresariado com o Governo, o PIB baixo, o recuo do crédito e do consumo, a inflação acima da meta.

Alie-se a tudo isso a mídia batendo diariamente na tecla da inflação alta, da crise e em todos os outros defeitos do Governo (não são poucos), num momento de inferno para a Presidenta em vária frentes. Fala-se muito do ruim e nada do bom. E não tem bom?

Isso explica o fato da pesquisa ter colhido que mais gente acha que a situação econômica vai piorar (embora ainda não tenha piorado na vida real do povo), mas gente acha que a inflação vai piorar (embora não tenha piorado e continue próximo da meta) e mais gente acha que o desemprego vai aumentar (embora as taxas digam o contrário). Se a mídia tivesse dito que os dados da economia estão estabilizados, como estão, qual seria o resultado da pesquisa? E preciso ter cuidado para não se iludir.

Como essa gente pesquisada não entende de economia é fácil imaginar que estão influenciadas pelo economicismo que domina as mentes e as análises dos cronistas que diariamente falam na mídia da nossa economia no rádio, na televisão, nos jornais e nas revistas, que, por serem incapazes de olhar para a realidade do dia a dia da grande massa, sobretudo da excluída, também não conseguem enxergar os dados que realmente vão decidir a sorte das eleições do próximo ano.

E os resultados do Bolsa Família não vão começar a aparecer daqui para a frente? Assim como o das cotas e de outros programas na área da educação, as desonerações tributárias (na cesta básica, no IR dos resultados dos acordos coletivos que ocorrerão no início do próximo anos), os resultados que inevitavelmente virão com os investimentos da Copa do Mundo, e que constituirão farto material para a campanha da situação. Enfim, coisas ruins estão acontecendo e a pesquisa parece ter visto isso, mas também o Governo tem as boas. Faltou medir esse aspecto.

A economia terá que mudar muito para estragar a caminhada de Dilma e no horizonte não há sinais seguros de que isso vá acontecer. Enfim, a pesquisa, por não ter buscado apurar os efeitos do bom e sim apenas a sensação do ruim, que é transitório, tem seus efeitos válidos apenas por poucos dias. Vamos viver para ver.