Últimas Notícias

A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ,

A capa que Roberto Civita jamais editaria ! O criador de Veja, morto semana passada, virou notícia e ocupa metade das páginas da semanal. Méritos empresariais e editoriais à parte, a revista reforça o lado narciso do jornalista (pleonasmo ?) com fotos sempre bem posadas, cabelos milimetricamente penteados e sorriso plástico habitualmente pronto a mirar a lente de uma câmera. Ainda recheam a periódica geniais frases de efeito do dono da ABRIL como “assunto sério é assunto tratado de maneira séria”, “busca honesta da verdade” (assim como, obviamente, a mentira parece ser desonesta) e “ganhar dinheiro nunca foi o nosso objetivo central”, entre outras pérolas atribuídas ao bon vivant e ávido empreendedor. Se Veja buscou homenagear o vaidoso profissional da comunicação acabou por cair na vala comum da pieguice e borrou as páginas com impropérios editoriais. Provável que o finado jornalista cortasse boa parte do que escreveram sobre ele nessa publicação póstuma, com certeza arrependido pelas suas  verborragias que soltando ao longo da vida ! O luto se imprime no restante da edição, sem destaques na política, economia ou cultura. Quem passou os olhos nos jornalões durante a semana não encontrará novidades em Veja.

A Época traz na capa matéria feita sob encomenda para seu leitor padrão: o “sofrimento” da classe média-alta tradicional com a alta de preços. Ok, o fenômeno é real, e de fato os serviços como lazer, escola, passagens aéreas e planos de saúde aumentam mais que a inflação (o que traz impacto mais visível nas faixas de maior renda). Mas é esperado que num país com desigualdades tão gritantes o crescimento da renda e do nível de vida não seja uniforme (aliás, a Constituição Federal cidadão manda que não seja, pois quer que os pobres sejam prioritariamente atendidos quando prevê que a miséria é um objetivo a ser erradicado). A revista não exagera no tom, mas os “dramas” expostos pelos personagens, como trocar o restaurante pela praça de alimentação do shopping ou reduzir pela metade os gastos de R$ 800 mensais no salão de beleza, não tornam a matéria sedutora. E faltou lembrar que o maior medo daquela faixa conservadora e preconceituosa da classe média é se ver menos “diferenciada” em relação aos milhões de emergentes da classe C, e agora ter que compartilhar o avião e o supermercado com a própria empregada (imagina!!!). Sinal de que, apesar do pibinho e da histeria que causa nos cronistas da economia, os programas sociais vão atingindo seu objetivo. Na série de reportagens sobre meio ambiente, a revista discute a possibilidade de os céticos do aquecimento global estarem com a razão, após o estudo britânico que mostrou estabilidade nas temperaturas do planeta nos últimos 15 anos. A revista ainda compartilha a dor da rival Veja com a morte de Roberto Civita, com um texto benevolente que cita, entre outras coisas, a amabilidade do dono da Abril com seus funcionários – com o que nem todos os que estiveram por lá concordam. E a sina de maus filmes produzidos a partir da obra de F. Scott Fitzgerald, comprovada pela nova filmagem do clássico O Grande Gastby, com Leonardo DiCaprio, que é definida com primor por crítico ouvido pela publicação: a genialidade do escritor estava no estilo de sua prosa, e não no enredo ou em seus personagens.

O melhor de IstoÉ é a entrevista com Oscar Schmidt, operado pela segunda vez de um tumor maligno no cérebro. À parte as diversas bobagens ditas ao longo e depois da carreira, e o ar infantiloide que sempre transmitiu, o Mão Santa jamais deixou de ser autêntico e agora exibe uma serenidade comovente diante da doença repentina e cruel. Uma boa matéria. A principal matéria de política mostra que Dilma foi obrigada a engolir o jogo fisiológico do Planalto e vem cedendo gordas benesses ao pequeno grupo que articulou vitórias recentes para o governo no Congresso. Outra reportagem prevê que a nova arquitetura e o preço dos ingressos nos estádios pós-Copa criará nova forma de torcer, mais asséptica, teatral, e menos barulhenta. Resta saber se os torcedores organizados, num passe de mágica, se tornarão seres civilizados. A matéria de capa, convenientemente retirada da gaveta numa semana mais curta (a revista antecipou-se às concorrentes e saiu na quinta-feira), retrata Zíbia Gasparetto, que incorporou Rockefeller, Carlos Slim, Bill Gates e congêneres para se tornar multimilionária, falando de espíritos e outras vidas. Sobrenatural.

Carta Capital parece ter combinado com Época e veio falando dos preços, de como a vida anda cara na reportagem de capa: “Pela hora da morte” e na matéria tentando explicar “Porque o Brasil está tão caro”. Nada que os jornalões não estejam dizendo o tempo todo e os cronistas de economia repetindo a cada instante na TV.

Reve que os treinadores europeus tornaram-se estrelas, mas continuam como os daqui, sempre que perdem os clubes livram-se deles, como o Real Madri fez com o Mourinho, a estrela da matéria que é comparada com Cristiano Ronaldo, e também o Santos acaba de fazer com Muricy.

A novidade é a investida da revista com matéria sobre o Procurador Geral da República, que aqui é reproduzida na íntegra. Vamos a ela.

Mudança suspeita

Às vésperas da aposentadoria, Roberto Gurgel, em parceria com a mulher, altera de forma inexplicável um parecer e aceita acusações falsas contra o deputado Protógenes Queiroz
por Leandro Fortes — publicado 31/05/2013 09:59
Roberto GurgelGurgel, ídolo da mídia?

Em boa medida, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caminhava para uma aposentadoria tranqüila. Desde a sua recondução ao cargo, em 2011, havia se tornado símbolo de um moralismo seletivo e, por conseqüência, ídolo da mídia. O desempenho no julgamento do “mensalão” petista o blindou de variados lapsos e tropeços, digamos assim, entre eles o arquivamento das denúncias contra o senador goiano Demóstenes Torres, dileto serviçal do bicheiro Carlos Cachoeira, como viria a demonstrar a Operação Monte Carlo.

A três meses de se aposentar, Gurgel decidiu, porém, unir-se à frente de apoio ao banqueiro Daniel Dantas. E corre o risco de se dar muito mal. Em uma decisão inusual no Ministério Público Federal, ele e sua mulher, a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio, alteraram totalmente um parecer redigido por eles mesmos um ano e três meses antes. Não é só a simples mudança de posição a despertar dúvidas no episódio. Há uma diferença considerável entre os estilos do primeiro e do segundo texto. E são totalmente distintas a primeira e a segunda assinatura da subprocuradora-geral nos pareceres.

O alvo principal da ação é o deputado federal Protógenes Queiroz, delegado federal responsável pela Operação Satiagraha, investigação que levou à condenação em primeira instância de Dantas a dez anos de prisão. Há duas semanas, Gurgel e Claudia Sampaio solicitaram a José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, o prosseguimento de um inquérito contra o parlamentar que a própria dupla havia recomendado o arquivamento. Pior: basearam sua nova opinião em informações falsas provavelmente enxertadas no processo a pedido de um advogado do banqueiro, o influente ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira.

É interessante entender a reviravolta do casal de procuradores. Em 20 de outubro de 2011, documento assinado pela dupla foi enviado ao STF para tratar de questões pendentes do Inquérito nº 3.152, instaurado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A ação contra Queiroz, iniciada pelo notório juiz Ali Mazloum, referia-se a pedidos de quebra de sigilo telefônico do então delegado federal, de Luís Roberto Demarco, desafeto de Dantas, e do jornalista Paulo Henrique Amorim, alvo de inúmeros processos judiciais do dono do Opportunity. O parecer foi encaminhado ao Supremo por causa do foro privilegiado assegurado ao delegado após sua eleição a deputado federal em 2010.

Nesse primeiro texto, Gurgel e Claudia Sampaio anotam: “O Ministério Público requereu a declaração de incompetência do citado juízo para processo e julgamento do feito (…); a declaração de nulidade da prova colhida de ofício pelo magistrado na fase pré-processual, bem como o desentranhamento e inutilização”.

O segundo parecer é completamente diferente. Em 12 de março deste ano, o casal solicita a Toffoli vistas dos autos. Alegam, no documento, que um representante de Dantas os procurou “diretamente” na PGR com “documentos novos”. O representante era Junqueira, e os “documentos novos”, informações sobre uma suposta apreensão de dinheiro na casa de Queiroz e dados acerca de bens patrimoniais do delegado. Tudo falso ou maldosamente distorcido.

Apenas seis dias depois, em 18 de março, Gurgel e sua mulher encaminharam a Toffoli outro documento. Tratava-se do encadeamento minucioso de todas as demandas de Dantas transcritas para o papel, ao que parece, pelo casal de procuradores. Ao que parece, pois o estilo do segundo texto destoa de forma inegável da redação do primeiro. Em 11 páginas nas quais consideram “fatos novos trazidos pela defesa de Daniel Dantas”, o procurador-geral e a esposa afirmam ter cometido um equívoco ao solicitar o arquivamento do inquérito em 2011.

O novo parecer acolhe velhas teses de Dantas para explicar seus crimes. Segundo o banqueiro, a Satiagraha foi uma operação montada por desafetos e concorrentes interessados em tirá-lo do mercado de telefonia do Brasil. O Opportunity era um dos acionistas da Brasil Telecom e há quase uma década vivia em litígio com os demais sócios, a Telecom Italia e os maiores fundos de pensão do País.

A mentira incluída pelos procuradores no pedido de reabertura do caso diz respeito à apreensão de 280 mil reais em dinheiro na casa de Queiroz durante uma busca e apreensão determinada pela 7ª Vara Federal de São Paulo em 2010. Segundo Gurgel e Claudia Sampaio, “haveria registro até mesmo de conta no exterior”, e insinuam, com base em “indícios amplamente noticiados na imprensa”, que o deputado do PCdoB teria um patrimônio “absolutamente incompatível” com as rendas de funcionário público. Citam, na lista de suspeitas, dois imóveis doados ao hoje parlamentar por um delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, José Zelman.

“É incrível, mas o procurador-geral da República plantou provas falsas em um processo do STF a pedido do banqueiro bandido Daniel Dantas”, afirma Queiroz. E Toffoli não só acatou o pedido da Procuradoria Geral como, na seqüência, autorizou a quebra do sigilo bancário do deputado e o sigilo telefônico de Demarco. Postas sob segredo de Justiça, as medidas tomadas pelo ministro do STF só foram informadas ao deputado há 15 dias. Sua primeira providência foi exigir do STF uma certidão dos autos de apreensão e busca citados pelo Ministério Público. O parlamentar foi à sala de Toffoli. Recebido pela chefe de gabinete Daiane Lira, saiu de mãos vazias.

Queiroz solicitou a mesma certidão a Mazloum, que o condenou em 2010 a três anos de prisão por vazamentos de informações da Satiagraha. Uma fonte acima de qualquer suspeita, portanto. Segundo o parecer enviado a Toffoli por Gurgel e senhora, Mazloum ordenara a busca que resultou na apreensão dos tais 280 mil reais. O juiz enviou a certidão ao STF, mas não sem antes declarar publicamente a inexistência de qualquer apreensão de dinheiro na residência do delegado. “Isso é fantasia. Em nenhum momento apareceu qualquer apreensão de dinheiro. Acho grave uma acusação baseada em informações falsas”, afirmou o juiz na quarta-feira 29 ao blog do jornalista Luis Nassif.

O deputado encaminhou uma representação contra o procurador-geral no Conselho Nacional do Ministério Público. Na queixa, anexou diversas informações, entre elas escrituras de seus imóveis. Os documentos provam que seu patrimônio atual foi erguido na década de 1990, quando atuava como advogado e antes de ingressar na Polícia Federal. Zelman, padrinho de batismo de Queiroz, doou ao afilhado dois imóveis em 2006, bem antes da Satiagraha, portanto.

Os procuradores também miraram em Demarco, ex-sócio do Opportunity que travou uma longa batalha judicial contra Dantas.

Com base em notícias publicadas pelo site Consultor Jurídico, de propriedade de Márcio Chaer, dono de uma assessoria de imprensa e um grande amigo do ministro Gilmar Mendes, Gurgel e Claudia Sampaio voltam a uma espécie de bode na sala, um artifício batido recorrentemente evocado pelos advogados do banqueiro: a investigação em Milão de crimes de espionagem cometidos por dirigentes da Telecom Italia. A tese de Dantas, sem respaldo na verdade, diga-se, é que os italianos financiavam seus desafetos no Brasil, inclusive aqueles infiltrados no governo federal e na polícia, para persegui-lo.

Procurado por CartaCapital, Demarco preferiu não comentar o caso, mas repassou três certidões da Procuradoria da República de Milão que informam não existir nenhum tipo de investigação contra ele em território italiano.

Dantas costumava alardear, segundo o conteúdo de escutas telefônicas da Operação Satiagraha, que pouco se importava com decisões de juízes de primeira instância por ter “facilidades” nos tribunais superiores. De fato, logo após ser preso e algemado por Queiroz em 2008, conseguiu dois habeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes em menos de 48 horas. Um recorde. As motivações de Toffoli ao atender o pedido de Gurgel e Claudia Sampaio sem checar a veracidade das informações continuam um mistério. A assessoria do ministro informou que ele não vai se manifestar sobre o assunto por se tratar de processo sob segredo de Justiça.

É isso. Chegamos ao meio do ano e em meio ao ultimo feriadão ! Voltemos a labuta tão logo para descansar só no Natal !!! Boa semana a todos. Abs

Mais Notícias

Cadastro News