BETO RICHA ENTROU MUDO E SAIU CALADO DA REUNIÃO COM DILMA. SÓ FALOU COM JOSIAS DE SOUZA

  • Em-reuniao-com-Dilma-Richa-pede-mais-investimento-em-saude-

 

Na reunião da Presidenta com os prefeitos e governadores Beto Richa esteve presente e entrou mudo e saiu calado, segundo quem estava presente.Mas o Governador falou depois. Josias de Souza deu bom espaço para Beto Richa em entrevista onde destacou que o Governo Federal estaria dando prioridade aos estádios ao invés de saúde e educação.

Esse é o som que a orquestra da oposição está tocando e corre o risco do povo não entender.

Afinal, pergunta-se no Palácio do Planalto, o Brasil terá 12 sedes nessa Copa do Mundo (diferentemente das outras Copas que tiveram apenas 8) e é fato que isso ocorrer porque senadores, deputados federais, prefeitos e governadores pressionaram para que assim fosse. Ou não? Beto Richa não era o Prefeito de Curitiba quando a cidade postulou ser sede da Copa, mesmo sem ter estádio? Não foi na gestão de Beto Richa que se gestou a solução do uso de potencial construído (dinheiro público?) para reformar o estádio do Atlético Paranaense? Tais fatos, apesar de muito recentes, serão esquecidos pela massa?

As manifestações deixaram as coisas muito confusas na política, mas que não acertar a viola vai desafinar e com o risco de irritar os ouvidos das ruas.

Leia entrevista:

Beto Richa culpa Dilma pelos protestos de rua: ‘prioridade é o estádio, não educação e saúde’

Josias de Souza

 

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), é categórico ao avaliar os efeitos da reunião de Dilma Rousseff com governadores e prefeitos: “Não vai dar em nada”. Em entrevista ao blog, Richa disse que viajou a Brasília a contragosto. Enxergou no convite da presidente uma “tentativa de dividir o ônus da crise com outros outros governantes.”

Richa falou pouco antes de entrar na sala de Dilma. Atribuiu ao governo dela a responsabilidade pelos protestos de rua. Acusou a União de discriminá-lo por ser oposicionista. As verbas da Copa são liberadas sem problemas, afirmou. Mas financiamentos internacionais para outras áreas encontram-se bloqueados no Tesouro Nacional. “O povo tem razão quando diz que a prioridade é estádio e não educação, saúde e segurança.” Vai abaixo a transcrição da conversa:

— Com que ânimo vai ao encontro com a presidente? Eu não estava com muita vontade de vir, não.

— Por quê? Tinha muitos compromissos no Paraná. E acho que esse encontro não vai dar em nada. É uma tentativa de dividir o ônus da crise com outros outros governantes.

— As culpas não são compartilhadas? Creio que todos têm uma parcela de responsabilidade. Mas as insatisfações maiores, acumuladas ao longo do tempo, têm origem no governo federal. Não há a menor dúvida.

— De onde vem a sua certeza? Vem dos problemas de falta de ética, de corrupção. Vem também da falta de resolução dos problemas críticos do país, sobretudo em infraestrutura e na melhoria dos serviços públicos em áreas como saúde e educação.

— O que deixou de ser resolvido? Veja a área da saúde. Nesse setor, não tem balela. É dinheiro. Sem dinheiro não se faz nada. Quando se regulamenta a Emenda 29, exigindo 15% das receitas dos municípios e 12% das receitas dos Estados para investimentos em saúde, e a União lava as mãos em relação à sua parte, dá nisso que estamos vendo.

— A União não entra com a parte dela? Nos últimos dez anos, a União reduziu sistematicamente seus investimentos em saúde. Há dez anos, a União era responsável por 70% do financiamento da saúde. Hoje, responde por menos de 30%. Transferiu responsabilidades para Estados e municípios sem a devida contrapartida. Os serviços públicos se deterioraram. E a população sente. A irritação culminou com o aumento da passagem de ônibus. Mas as causas são maiores.

— Acha que a situação pode mudar? Não creio. O problema é de falta de visão estratégica para o país. Veja o que acaba de acontecer com os portos. Cometeu-se outro erro.

— A aprovação da MP dos Portos foi um erro? Nós temos o Porto de Paranaguá, segundo maior do Brasil. Tínhamos todo o planejamento pronto para os investimentos. De repente, puxaram tudo para Brasília. E os próprios técnicos [do governo federal], que estão em contato com o nosso superintendente do porto e com o nosso secretario de Infraestrutura, diziam que foi um erro estratégico, uma decisão política destinada a tirar o poder dos Estados. Investimentos que poderiam ser feitos com muito mais agilidade estão sendo retardados. Eles reconhecem que não têm estrutura.

— Se os técnicos dizem que foi um erro, por que acha que foi feita a alteração?É uma concentração extravagantge de poder em Brasília. Os investimentos serão retardados. Os técnicos reconhecem que não têm capacidade para fazer as coisas na velocidade que o país precisa. Mas a idéia é concentrar tudo em Brasília. Ainda mais comigo, que sou um adversário político.

— Considera-se discriminado por ser da oposição? Basta te dizer que o Paraná é o quinto Estado que mais contribui com receitas para a União na arrecadação de impostos. E é o 23º na lista dos recebimentos de verbas federais. As coisas só acontecem quando a decisão não passa pelo campo político.

— Como assim? Por exemplo: o envio de recursos da Caixa Econômica e do Ministério das Cidades para casas populares. Nessa área, nós temos a maior parceria do Brasil. Nosso governo é ágil. Como prefeito de Curitiba, já tínhamos feito a maior parceria do país. E agora novamente. Meu secretário de Habitação, Mounir Chaowiche, é um dos maiores conhecedores da área. Ele tem 30 anos de Caixa Econômica. As coisas acontecem. Me dou bem com o minsitro José Eduardo Cardozo [Justiça]. Ele reconheceu que o Paraná apresentou os maiores e melhores projetos para se habilitar ao programa nacional de apoio ao sistema prisional. Agora, se depender de decisão política, estou ferrado.

— Quando fala em ‘decisão política’ está se referindo às decisões que passam pela ministra Gleisi Hoffmann [chefe da Casa Civil, pré-candidata do PT ao governo paranaense]? Pode ser. Não digo com certeza porque quem bate esconde a mão. Mas digo com clareza: quando a coisa depende de decisão política, nada anda.

— Pode dar exemplos? O povo tem toda razão quando vai pra rua, furioso, para reclamar que tem dinheiro pra estádio e não tem dinheiro pra educação. Isso eu comprovo. Tenho acesso aos financiamentos para obras da Copa e não tenho acesso aos financiamentos internacionais para investimentos em educação.

— Se os financiamentos são internacionais, em que a União atrapalha? Esses financiamentos já foram aprovados pelo Senado e estão bloqueados na STN [Secretaria do Tersouro Nacional], sob a alegação de que nós atingimos o limite prudencial nos gastos com pessoal.

— Mas os gastos do Paraná ultrapassaram o limite da prudência? Atingimos o limite prudencial por uma razão objetiva. O governo federal me tirou US$ 1 bilhão de receita. Alegaram também que havia umas 40 pendências de governos anteriores. Resolvemos tudo. Aí esbarramos no limite prudencial de gastos com servidores. E o nosso limite foi alterado porque me tiraram receita.

— Como o governo federal tirou R$ 1 bilhão da receita do Paraná? Ao zerar a Cide [contribuição cobrada na venda de combustíveis], perdi R$ 100 milhões. Com as reduções das transferências do FPE [Fundo de Participação dos Estados], perdi pouco mais de R$ 400 milhões. Com a redução da conta de luz, nós perdemos R$ 500 milhões. Só aí temos R$ 1 bilhão. Eles fazem benesses com impostos que são compartilhados.

— Foi essa perda que resultou em obstáculos para a obtenção de financiamentos? Depende da área. Para obter eu financiamentos para a Copa não tem restrição nenhuma. Mas financiamentos de R$ 2,5 bilhões para educação, saúde, segurança, agricultura, meio ambiente e área social estão travados na Secretaria do Tesouro Nacional. Isso depois de terem passado pelo crivo do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que são extremamente rigorosos. Então, o povo tem razão quando diz que a prioridade é estádio e não educação, saúde e segurança.

— Mas a Secretaria do Tesouro deve trabalhar com critérios técnicos, não? O Rio Grande do Sul, em todos os aspectos da questão fiscal de comprometimento com a folha, é muito pior que o Paraná. E ele [o governador petista Tarso Genro] teve acesso a todos os recursos internacionais que pleiteou. A questão é de ter boa vontade ou má vontade. Quando há má vontade, olha-se com lupa qualquer vírgula.