CONGRESSO DEMORA PARA SOCORRER O FRACASSO DA ESCOLA PÚBLICA BRASILEIRA

 

 

Sabendo que no mundo moderno a forma por excelência de ascensão social dos indivíduos na hierarquia social é pelo conhecimento, Lorena Freitas, na obra Ralé Brasileira, faz a pergunta que não quer calar: “por que as nossas escolas públicas, em sua maioria, falham quanto à assumida tarefa de oferecer aos jovens pobres de todo Brasil possibilidades objetivas de subirem na vida ?”

Para conhecer a resposta da autora, que está no capítulo da obra denominado “Má-Fé Institucional”, recomendo a você que adquira e leia o livro: instrumento indispensável para compreender o fracasso da escola pública no Brasil.

Os resultados da Segunda Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a PROVA ABC, agora divulgado, estampa o fracasso da escola pública brasileira e também nos ajuda a compreender o que a obra Ralé Brasileira chama de Má-Fé Institucional da Educação.

Aqui eu quero ressaltar a urgência de duas iniciativas que deverão ajudar imensamente a corrigir o crime que historicamente se comete contra os pobre do Brasil em matéria de educação: o novo Plano Nacional de Educação, que destina 10% do PIB para a educação; a destinação de 100% dos royalties do pré-sal para a educação.

A segunda já foi aprovada pela Câmara dos Deputados com uma alteração substancial: mandaram para a educação não os 100% propostos pelo governo Dilma, mas 75% e os outros 25% para a saúde.

Alguém achou importante mandar para a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos e para a estrutura do SUS um pouco mais de dinheiro em detrimento da educação. Um grande equívoco que espero seja corrigido no Senado.

Está também na pauta do Congresso também o novo PNBE, proposto pelo Governo Federal, que destina 10% do PIB para a educação, que já deveria ter sido aprovado por ser assunto absolutamente prioritário e núcleo central da pauta do país, UMA REVOLUÇÃO PARA OS PADRÕES EDUCACIONAIS DO BRASIL.

O projeta tramita no Congresso como se fosse um qualquer, tropeçando e sendo ultrapassado por projetos menores como a Cura Gay, O Estatuto do Nascituro, PEC 37 e outras que dão mais espetáculo que a educação.

O resultado da PROVA ABC agora divulgado é uma demonstração firme para o Congresso colocar o novo PNBE como uma prioridade absoluta da sua pauta.

A PROVA ABC

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Mais da metade (55,4%) dos alunos do 3º ano do ensino fundamental no país não leem e não interpretam um texto de forma correta, segundo informações da 2ª Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, divulgada hoje (25) pelo movimento Todos pela Educação. Os dados mostram que 44,5% dos estudantes atingiram pontuação acima do nível 175, que indica proficiência adequada em leitura. O 3º ano é a série considerada limite para a alfabetização, segundo o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

A avaliação, que segue a escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), foi aplicada no final de 2012 e teve a participação de 54 mil alunos de 1.200 escolas públicas e privadas distribuídas em 600 municípios brasileiros. Metade da amostra é composta por alunos do 2º ano do ensino fundamental e o restante por estudantes do 3º ano. Além da proficiência em leitura, a pesquisa testou também habilidades em escrita e matemática. A Prova ABC é uma parceria do Todos pela Educação com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“Ainda estamos abaixo dos 50% em leitura, escrita e matemática em relação a todas as crianças que precisam e têm o direito de ter essas competências básicas nos três primeiros anos do ensino fundamental”, avaliou Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação. Ela diz que essa deficiência na etapa inicial compromete o aprendizado das crianças nos anos seguintes. “O foco nesses primeiros anos é estratégico para a gente garantir o direito ao aprendizado mais na frente. Se a gente não consegue corrigir isso no berço do problema, a gente não vai conseguir avançar na educação”.

Na comparação por região, o quesito leitura teve pior resultado na Região Norte, onde 27,3% dos alunos do 3º ano tiveram avaliação acima de 175 pontos. Ao atingir essa pontuação, os estudantes conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos e perceber relações de causa e efeito contidas nessas narrativas. A maior parte dos alunos dessa região (40,9%) não alcançou 125 pontos.

O Nordeste (30,7%) também apresentou resultado de proficiência adequada em leitura abaixo da média nacional. Mais de um terço dos nordestinos (38,4%) fez menos de 125 pontos. O melhor percentual foi verificado no Sudeste (56,5%), seguido pelo Sul (51,2%) e Centro-Oeste (47,8%). O Todos Pela Educação destaca que, ao obter o nível adequado de proficiência, mais do que aprender a ler, os alunos demonstram que têm condições de ler para seguir aprendendo nos anos seguintes.

As diferenças entre os estados nesse item são ainda maiores. São Paulo (60,1%), Minas Gerais (59,1%) e Distrito Federal (55%) apresentam o maior percentual de alunos que atingiram mais de 175 pontos em leitura. Os piores resultados, por outro lado, foram registrados em Alagoas (21,7%), Pará (22,2%) e Amapá (22,8%). Em Alagoas, mais da metade (50,6%) dos alunos não atingiu 125 pontos.

Para Priscila, esses resultados apontam que as políticas públicas em educação devem estar voltadas com mais vigor para as regiões Norte e Nordeste. “Temos que dar mais para quem tem menos. São regiões que precisam ter mais recursos, mais monitoramento, mais apoio técnico e políticas específicas também. Temos que superar uma fase de que o mesmo remédio serve para tudo. Só assim vamos conseguir qualidade com mais equidade também”, propôs.

Para avaliar as habilidades em escrita, alunos que participaram da Prova ABC fizeram também uma redação. Com uma escala de 0 a 100 pontos, a correção avaliou três competências: adequação ao tema e ao gênero; coesão e coerência; e registro, que inclui grafia das palavras, adequação às normas gramaticais, segmentação de palavras e pontuação. Apenas 30,1% dos alunos do país apresentaram o desempenho esperado, que é acima de 75 pontos.

A diretora executiva avalia que a disparidade de resultados entre o quesito leitura e escrita revela uma maior ênfase, por parte das escolas, no letramento. “O ensino está mais voltado para a leitura, interpretação do que para a escrita. A gente precisa correr atrás disso. O ler para aprender inclui essa escrita para aprender também. Se a gente não tiver a criança plenamente capaz e autônoma nessa parte básica, ela também tem dificuldade de aprender outros conhecimentos”, diz.

Entre as regiões, o Sudeste (38,8%) também apresentou o melhor resultado no item escrita, seguido pelo Centro-Oeste (36,2%) e pela Região Sul (36%). Norte (16,1%) e Nordeste (18,9%) ficaram novamente abaixo da média nacional. Nessas duas regiões, a maioria dos estudantes não alcançou 50 pontos: 58,1%, no Norte e 55,5%, no Nordeste. Os estados com maior percentual foram Goiás (42%), Minas Gerais (41,6%) e São Paulo (39,3%).

O Todos pela Educação monitora cinco metas relacionada à educação que foram definidas pelo movimento para serem alcançadas até 2022. A Prova ABC avalia a meta de número 2, pela qual toda criança deve estar plenamente alfabetizada até os 8 anos. De acordo com a organização, essa será a última edição da prova, pois o Ministério da Educação adotará um instrumento próprio, a Avaliação Nacional da Alfabetização (Ana), para monitorar esses resultados.

Edição: Fábio Massalli

Agência Brasil