RUIM COM OS PARTIDOS? PIOR SEM ELES. “Eliminar a luta entre os partidos é impossível, entretanto, a não ser que se queira eliminar qualquer representação ativa do povo. Mas a ideia confusa de que se possa e deva fazê-lo passa sempre de novo por certas cabeças” (Max Weber. Economia e Sociedade).

As senhas para as manifestações das ruas partiram das redes sociais e uma cena frequente foi a repulsa a presença de partidos políticos, vigorosamente hostilizada quando se tornou aparente no seio dos manifestantes. Agora, no rescaldo, tem sido frequente a ideia de que se deve buscar formas de representação política fora dos partidos.

Recorro novamente a Max Weber para constatar que, hoje e sempre, os partidos “em sua essência mais íntima – por mais numerosos que sejam os meios que empenhem para conseguir a associação permanente de sua clientela -, organizações voluntariamente criadas e baseadas em livre recrutamento, necessariamente sempre renovado, em oposição a todas as corporações fixamente delimitadas pela lei ou por contrato. Seu objetivo é, hoje, sempre a obtenção de votos em eleições pra cargos políticos ou em corporações com voto (…) A participação dos eleitores só entra em consideração na medida em que eles são adaptados e escolhidos segundo as possibilidades de atrair seus votos (…) Por mais que se lamente, do ponto de vista moral, sua existência, suas formas de propaganda e de luta e o fato de que inevitavelmente a elaboração dos programas e das listas de candidatos esteja nas mãos de uma minoria, isso não eliminará os partidos e somente em grau reduzido afetará o feitio de sua estrutura e de seu procedimento. A lei pode regulamentar, como aconteceu várias vezes nos Estados Unidos, a forma de constituição desse núcleo ativo dos partidos (de modo análogo, por exemplo, às condições da constituição dos sindicatos) e as ´regras de luta` no campo da batalha eleitoral. Eliminar a luta entre os partidos é impossível, entretanto, a não ser que se queira eliminar qualquer representação ativa do povo. Mas a ideia confusa de que se possa e deva fazê-lo passa sempre de novo por certas cabeças” (Economia e Sociedade).

Como se vê, a ideia de renunciar a presença dos partidos não é novidade e tem sido prática comum em todas as formas de ditadura. Há lugares onde se permite a chamada candidatura avulsa, ou seja, o candidato em vínculo com nenhum partido, e o resultado prático sob o aspecto do ganho político para a sociedade é nenhum.

O caminho é que essa juventude de classe média que está nas ruas vá para dentro dos partidos e faça dentro deles o que está fazendo nas ruas.

Ruim com os partidos, pior sem eles.