SAIU A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ISTOÉ, ÉPOCA

O agito das ruas parece ter mexido bastante com as decisões editoriais de Veja, que reserva suas páginas amarelas ao ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Ex-sindicalista e petista de primeira hora, a entrevista vai da revelação de que o Ministro não é da ala radical do seu partido (PT), que de vez em sempre lhe dá uma estocadas em razão da sua posição em relação ao marco regulatória da nossa mídia, até que a sua esposa e também ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, dá bronca nele quase todos os dias. Bernardo admite que grandes concentrações de celulares em operação prejudicam a qualidade das ligações e completa dizendo que a internet … “e um mecanismo global”, dando um apanhado geral do que está se fazendo para colocar o Brasil na órbita da Web. Veja as posições de PB ao final onde reproduzi alguns trechos da entrevista que é capaz de gerar mais investidas dos setores radicais do PT contra Bernardo. E o Paraná não fica por ai nessa histórica edição da maior das semanais! Outra figura paranaense que povoa as páginas políticas de Veja é o apresentador Ratinho (pai do Ratinho Jr), dizendo a coluna Holofote que está para decidir se sairá candidato a deputado federal ou a senador nas próximas eleições. Essa escola já fez outros nomes no Paraná, o mais emblemático foi  Alborgueti (o cadeia). É a escola Tiririca fazendo história! E, de novo, o Paraná se faz presente em Veja! O secretario geral da Presidência, Gilberto Carvalho, colocado sob suspeita pela grande mídia de ter investido contra a sua chefe – a rainha Dilma – durante as manifestações que antecederam o jogo de abertura da Copa das Confederações. Conta a semanal que assessores de Carvalho receberam cascalho para inflamar uma turma a atear fogo em pneus próximo ao estádio Mane Garrincha minutos antes do jogaço entre japoneses e brasileiros. O devaneio jornalístico remete à possibilidade de que por trás das supostas medidas de Carvalho esta a intenção de Lula em voltar para o trono. Seria Carvalho o tal FOGO AMIGO? Aqui a revista desejo e torcida, pois bem que ela queria que a matéria retratasse a verdade. Contra o PT, vale qualquer coisa na Veja. A capa de Veja, lógico, aborda a cansativa, repetitiva e desnorteada sucessão de manifestações pelo país. Nada de criativo do ponto de vista editorial. Fotos de idosos e meninas bonitinhas com rostinhos pintados, japoneses e negros (esses nunca faltam em novelas globais e propagandas politicamente corretas) , pequenos burgueses e ricos felizes por estarem nas ruas a estampar para as câmeras suas manjadas cartolinas com frases de desabafo!

A onda de manifestações também absorve 80% do conteúdo de Época, que novamente se diferencia da maior concorrente por buscar uma leitura mais ponderada, sem ranços escancaradamente partidários e “ideológicos”. Isso, claro, respeitados os limites impostos pela falta de direcionamento dos protestos, fenômeno refletido pela própria capa da publicação, que estampa não uma constatação ou previsão de consequências, mas uma pergunta (Onde vai parar a revolta?). A boa cobertura evidencia de certa forma a esquizofrenia dos atos: ao mesmo tempo em que a revista dá voz a manifestantes bem articulados e com propósitos claros e específicos, não deixa de destilar fina ironia ao pouco conhecimento e ausência de foco dos jovens participantes (o que de fato reflete o perfil dos manifestantes).

Época enriquece o debate com 10 breves depoimentos de acadêmicos e pensadores políticos, entre eles figuras carimbadas como Roberto Romano, Fernando Abrucio e Eduardo Gianetti, além de trazer entrevista com André Singer, esse um teórico petista dotado de sensatez. Ele observa que os movimentos obrigarão os governos a realizar certa abertura, mas quem decidirá as próximas eleições serão os milhões distanciados dos protestos. Bingo!!! A “Ralé Brasileira” não foi às ruas. Estava trabalhando!

A IstoÉ, num arroubo de poesia, evoca Chico Buarque nos títulos da capa e das principais matérias sobre as manifestações. Mesmo que a revista tente ilustrar as diferenças, soa forçada a alusão à reação contra a ditadura militar contida nos trechos de “Apesar de Você”: aquela era uma luta extremamente politizada, direcionada ao fim da supressão das liberdades. Uma luta na qual essa classe média que foi agora às ruas teve papel fundamental. Hoje, sem ditadura, a pauta é materialista. No mais, a cobertura, embora extensa, repercutiu temas já abordados pelos jornais ao longo da semana. E o mais surpreendente nas manifestações em Salvador foi a ausência de Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Daniela Mercury e os seus terríveis e elétricos caminhões barulhentos nas ruas ! Sem AXE esse Brasil não anda !!!

Carta Capita, mais às esquerda, vem com a capa cheia exclamando: Parem de subestimar o povo! Ninguém controla a rua. As tentativas até agora fracassadas de manipular os protestos é retratada por Paloma Rodrigues. É o óbvio, pois sempre que tem manifestação alguém tenta tirar proveito. O fracasso dessas tentativas também é uma constatação fácil, já que as manifestações não têm rumo, são difusas, contraditórias, metralhadoras giratórias que atingiu quem tento se aproximar. Carta Capita sapeca que O PT FICOU PARA TRÁS, pois se fosse aquele anterior à eleição de Lula, hoje o partido cavalgaria no agito popular. A revista tenta mostrar seu ponto de vista: Enquanto os jovens, embasados na Constituição, defendiam seus direitos nas ruas, Alckmin e sua PM  dos tempos da ditadura mostravam desprezo pelos direitos humanos. A matéria sobre os protestos ganha uma leitura de esquerda nas páginas da Capita, bem ao gosto de quem olha o mundo sob essa ótica. Nada demais.

Grande semana a todos.

Trechos da entrevista de PB para Veja, que vão dar o que falar:

Sobre as eleições de 2014

Eduardo Campos é um aliado nosso que visivelmente quer ser candidato. A democracia pressupõe disputa. Não podemos achar que a Dilma deve ser a única candidata. Embora as pesquisas mostrem que ela tem todas as condições de ganhar, não vai ser uma eleição fácil (…) Se entrar mesmo na disputa, Eduardo Campos vai ser um candidato qualificado. O Aécio vai ser um candidato qualificado, com uma estrutura partidária maior. E tem a Marina, que é uma incógnita porque ainda não se sabe se conseguirá se viabilizar com tempo de televisão.

Volta de Lula

Ele está em ponto de bala. Se fosse candidato, seria um candidato fantástico, mas eu sei que ele não quer ser. Acho até que não teria justificativa. Nós temos uma presidente da República e vamos substituí-la a troco de quê? (…) Lula vai ser fundamental na campanha da Dilma.

A vaia no Mané Garrincha

Vaia em jogo de futebol não conta. Nós não temos de nos impressionar com isso. Houve uma diminuição na aprovação da presidenta e na aprovação do governo, mas eu não me preocupo.

Sobre os protestos

Nós temos de observar e entender esses protestos. Não dá para procurar chifre em cabeça de cavalo. No começo, eram manifestações contra o transporte público, que, convenhamos, é ruim mesmo.

Sobre a Ação Penal 470

Isso já foi julgado, já aconteceu e nós estamos tocando a vida. O governo tem trabalhado normalmente. Não temos dependência dessa situação. É preciso respeitar o resultado do julgamento. É democrático que haja debate se o veredicto foi rigoroso ou não, mas o debate tem de ser respeitado.

Sobre a Lei de Meios

A militância extrapola, e eu posso dizer que está errada, que está falando besteira. Se ela não gosta da capa da revista, da manchete de jornal, quer que eu faça a regulação. Não vai ter regulação para isso