53 MIL MORTES AO ANO: UM CUSTO QUE ECONOMICISMO IGNORA

Daniel Cerqueira, importante pesquisador do IPEA, realizou um interessante trabalho de levantamento do aumento e das causas das mortes de jovens no Brasil últimas décadas (portanto, vamos esquecer a partidarização que horrorosamente tem marcado as discussões sobre as raízes as soluções dos nossos problemas sociais).

Os resultados do trabalho apontam para um Custo Brasil que o economicismo que contamina a mente dos nossos economistas, elites empresariais e o senso comum que é reproduzido de modo abundante na sociedade brasileira.

Vale a leitura.

Morte prematura de jovens custa R$ 79 bilhões por ano

Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens. O perfil desses jovens, vítimas dos vários tipos de mortes violentas, é em sua maioria homens, pardos, com 4 a 7 anos de estudo, mortos nas vias públicas, por armas de fogo.

Esse é um dos dados que consta no estudo Custo da Juventude Perdida no Brasil, de autoria de Daniel Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Ipea.

O estudo indica que a morte prematura de jovens devido às violências custa ao país cerca de R$ 79 bilhões a cada ano, que correspondente a 1,5% do PIB Nacional. Cerqueira alerta que não só mortes com armas de fogo foram dignas de destaque, a taxa de óbitos em acidentes de trânsito envolvendo jovens aumentou em 44,6% na última década.

Os resultados indicaram que a violência letal na juventude pode responder por uma perda de expectativa de vida ao nascer dos homens de até dois anos e sete meses, como é o caso em Alagoas, mas de, no máximo, quatro meses para as mulheres, conforme observado em Roraima.

A mortalidade violenta de jovens (entre 15 e 29 anos) no Brasil é um problema que veio se agravando nas últimas décadas, sobretudo no que diz respeito à letalidade ocasionada por homicídios e por acidentes de transporte.

No que se refere aos homicídios, a piora se deu em dois planos. Não apenas a letalidade aumentou ano a ano, mas as vítimas tornaram se gradativamente mais jovens.

Este fenômeno pode ser observado no gráfico acima, em que as taxas de homicídio para cada idade aumentaram e as distribuições foram deslocadas para a esquerda.

Com efeito, enquanto o máximo da taxa de homicídios por 100 mil habitantes cresceu 154% entre 1980 e 2010, quando passou de 27,7 para 70,6, a idade em que se alcançou essa taxa máxima de homicídio variou de 25 para 21 anos.

Fonte: Adital, com informações do Ipea