BANCOS COM JUROS DE 200% AO ANO E LUCROS BILIONÁRIOS: DEPUTADOS TRAEM O POVO

Os meios de comunicação divulgaram hoje, numa rotina que assisto desde que me conheço por gente, o lucro das instituições financeiras no Brasil.

O lucro do Itaú subiu para R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre de 2013, do Bradesco foi de aproximadamente R$ 3 bilhões e do Santander R$ 500 milhões.

Os dados dão conta que a inadimplência caiu no mesmo período e as taxas de juros se elevaram ou se mantiveram.

Esses dados eloqüentes dão conta do quando o Congresso e o Judiciário Brasileiro traem os interesses da população, sobretudo a mais pobre, quando permitem que os bancos capitalizem as altas taxas de juros que cobram no país.

Os números falam por si. O Itaú anunciou nesta terça-feira que encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 3.583 bilhões, uma alta de 8,44% em relação ao mesmo período do ano passado e um avanço de 3,2% sobre o trimestre anterior, isso numa conjuntura de crise econômica.

Também maior que o resultado obtido um ano antes, o lucro líquido recorrente do banco, que exclui ganhos e perdas extraordinários, totalizou R$ 3,622 bilhões entre abril e junho deste ano, 1% acima dos R$ 3,585 bilhões registrados no segundo trimestre de 2012 e 3,1% maior que o valor visto nos três primeiros meses deste ano.

A margem financeira diminuiu no segundo trimestre, o que impediu um desempenho melhor do lucro.

A margem financeira gerencial, que leva em conta operações com clientes e com o mercado (tesouraria), ficou em R$ 11,573 bilhões de abril a junho, ante R$ 13,521 bilhões no mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, a margem financeira do Itaú subiu R$ 47 milhões.

A inadimplência superior a 90 dias teve queda, indo de 4,5% em março para 4,2% em junho. Em doze meses, a redução foi de 1 ponto percentual.

A redução da inadimplência impactou também as despesas de provisões para calotes, que caíram R$ 1,227 bilhão na comparação com o segundo trimestre de 2012, totalizando R$ 4,912 bilhões entre abril e junho deste ano.

No crédito, o banco teve expansão de 8% em relação ao segundo trimestre de 2012, totalizando R$ 467,5 bilhões. A cifra também é 2,5% maior que o resultado do trimestre anterior (R$ 456,16 bilhões).

No entanto, assim como o Bradesco, o Itaú também revisou para baixo suas projeções para 2013. Agora, o banco espera que o crescimento da carteira de crédito neste ano fique entre 8% e 11%. No final de março, a projeção era entre 11% e 14%.

Para as despesas de provisões para calotes, o banco espera uma cifra entre R$ 19 bilhões e R$ 22 bilhões em 2013.

Na semana que passou o Bradesco havia anunciado um lucro de R$ 2,949 bilhões no mesmo período, 4,1% mais que no mesmo período do ano de 2012.

 

Hoje, o Santander Brasil divulgou que teve lucro líquido de R$ 501 milhões no segundo trimestre, queda de 9,73% em relação ao mesmo período do ano passado e 17,8% abaixo do resultado visto nos três primeiros meses de 2013.

A quem a nossa economia e as nossas instituições servem?

COM JUROS DE 200% NO CHEQUE ESPECIAL, CÂMARA DOS DEPUTADOS QUER BANCOS CAPITALIZANDO CONTRA O CONSUMIDOR

 

Apesar dos juros no Cheque Especial estarem atingindo a casa dos 200% ao ano, das taxas de juros no Brasil serem das mais altas do mundo, do esforço do Governo Brasileiro em tentar reduzir os juros, das taxas de inadimplência terem caído nos últimos anos, da economia ter se estabilizado, dos bancos brasileiros estarem entre os mais rentáveis do mundo, a tentativa de impedir a capitazação dos juros no Sistema Financeiro brasileiro não passou pelo que (ironicamente?) se chama de Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

Um dos argumentos utilizados pelo deputado que deu parecer contra a boa iniciativa é o de que o STJ vem decidindo pela possibilidade da prática da capitalização dos juros. Ora, o STJ tem decidido assim justamente porque não há lei que proíba a capitalização dos juros. Aliás, durante muitos anos a jurisprudência do STF e do STJ se orientaram para proibir a imoralidade da capitalização (inclusive com Súmulas). Então o argumento é rematado cinismo.

É bom lembrar que a Usura é condenada até pela Bíblia.

Na verdade, a Comissão de Defesa do Consumidor agiu como o poder econômico das instituições financeiras orientam e, assim, agem para que o direito deixe de ser protagonista de uma imoralidade e permite que o economicismo que ofende o consumidor em todas as operações financeira siga galopando sem rédeas.

O que se pode esperar de deputados que tem no sistema financeiro um dos seus maiores doadores nas campanhas eleitorais? Nada além de ser serviçal dos bancos.

Comissão rejeita proibição da cobrança de juros sobre juros.

A Comissão de Defesa do Consumidor rejeitou na quarta-feira (10) o Projeto de Lei 205/11, do deputado Sandes Júnior (PP-GO), que proíbe a cobrança de juros sobre juros. A prática implica a incorporação dos juros vencidos ao capital e a cobrança de juros sobre o montante capitalizado.

Gustavo Lima

Walter Ihoshi: proposta é incompatível com ordenamento jurídico brasileiro.
O relator, deputado Walter Ihoshi (PSD-SP), recomendou a rejeição da proposta. Entre outros argumentos, ele disse que a medida é incompatível com o ordenamento jurídico vigente. Conforme explicou Ihoshi, por diversas vezes, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que juros capitalizados podem ser cobrados, inclusive em operações com período inferior a um ano.

Ainda segundo o relator, o Banco Central é o órgão responsável por regular a questão, como determina a legislação vigente. Portanto, o projeto não pode alterar o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), como pretende o autor.

Padrão internacional
Do ponto de vista econômico, Walter Ihoshi lembrou que a incidência de juros sobre o montante de juros vencidos segue uma padronização internacional. “O afastamento desse padrão confundiria a análise de indicadores econômico-financeiros brasileiros, dificultando sua comparação a indicadores de outros países. A incerteza na análise dificultaria a decisão de empreendedores internacionais interessados em atuar em nosso mercado”, afirmou o relator.

Por fim, Ihoshi lembrou que a proposta teria efeitos na remuneração da caderneta de poupança. “Se aplicada à poupança, a proposição vai alterar a remuneração do pequeno investidor, que atualmente capitaliza juros sobre juros.”

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.