FRACASSA O “GRANDE ATO DO PAPA” DO ANONYMOUS NO RIO

A foto veiculada pela Folha de S. Paulo mostra o instante em que um coquetel Molotov, atirado por manifestante, atingiu a guarnição da Polícia Militar e produziu queimaduras em um dos policiais que estava no agrupamento.

O Anonymous do Rio de Janeiro convocou os manifestantes para o ato através do Facebook com o objetivo de aproveitar a visita do Papa na cidade do Rio de Janeiro para denunciar o que considera as mazelas do Brasil, adiantando que “esse evento não é restrito a temas, cada um pode ter seu próprio pedido (…) seja lá qual for a sua ideologia de pensamento”.

Estranho, mas legítimo. Estranho não só pela anarquia da pauta, mas também porque a presença do Papa costuma ser poupada onde quer que vá. Uma coisa é a Fifa e outra é o Papa. Promover evento com lésbicas se beijando com os peitos de fora durante a visita do Para pode ser muito legítimo, mas é de uma estupidez política sem tamanho, sobretudo com coquetel Molotov queimando policial.

A manifestação reuniu uma quantidade até pequena de pessoas e o ato descambou, como se poderia prever, para a pancadaria. Não chegou a criar nenhum dano ao evento da chegada do Papa, mas, ainda encantada por qualquer grito nas ruas, a mídia deu boa cobertura da imprensa.

Vários manifestantes foram detidos e a notícia que se tem até agora é que pelo menos dois manifestantes devem permanecer detidos dada a quantidade de coquetéis Molotov que portavam.

Nessa toada, as manifestações caminham para tornar-se uma exclusividade de pequenos grupos e cada vez mais apropriadas por radicais, com a sociedade cada vez mais distante.

Imagens como as retratadas pela Folha de S. Paulo, de agressão da polícia, somadas aos atos de depredação de bens de propriedade de alguns veículos de comunicação e a diminuição do contingentes de manifestantes a cada manifestação que é convocada vão diminuindo a intensidade da lua de mel entre a mídia e as manifestações que, assim, vão se encaminhando para o isolamento.

Essas circunstâncias também permitirá algumas reflexões sobre procedimentos a serem observados por grandes e pequenas manifestações nas chamadas democracias constitucionais, como a nossa.

Questões como o uso de máscaras, porte de armas, explosivos, falta de comunicação prévia para as autoridades do roteiro a ser seguido pela manifestação são questões que deverão estar na pauta de quem quer assegurar a continuidade e a legitimidade das manifestações.

Em sociedades onde se pratica o mínimo de democracia as manifestações costumam ter seus roteiros combinados previamente com os responsáveis pela segurança (no nosso caso, a Polícia Militar), pessoas utilizando máscaras ou outros artifícios para esconder a sua identidade são segregadas imediatamente (pelos próprios manifestantes ou pela segurança) porque atentam contra a segurança e a democracia do evento e nem é preciso dizer que o porte de arma e explosivos sequer pode ser pensado, eis que tais expedientes são anti-democráticos.

Postado ontem:

O CAPETA NA FESTA DO PAPA? ANONYMOUS CONVIDA PARA MANIFESTAÇÕES NA VISITA DO PAPA.

O Anonymous do Rio de Janeiro convoca manifestantes através do Facebook para atos que devem acontecer durante a visita do Papa na cidade do Rio de Janeiro.

Para a segunda-feira, o ato será às 18 horas no Largo do Machado e está batizado como “Grande Ato Papa, veja como somos tratados”.

Na sexta-feira, o ato será na praia de Copacabana, com concentração às 17 horas na estação do metrô Cardeal Arcoverde.

Até agora não se tem notícia sobre eventuais tratativas do Anonymous com as autoridades da segurança pública do Rio de Janeiro para estabelecer os procedimentos, rotas e horários a serem seguidos pelos manifestantes.

O Anonymous esclarece que, tal como ocorreu durante a Copa das Confederações, a “idéia é aproveitar a presença do Papa, de seus turistas e da mídia global durante a celebração em Copacabana. Será mais um grito contra a corrupção e por serviços públicos mais dignos. Mas esse evento não é restrito a temas, cada um pode ter seu próprio pedido (…) seja lá qual for a sua ideologia de pensamento”.

A pergunta é: o Anonymous não está convidando o capeta para dançar justamente na festa do Papa?

Será o primeiro desafio real que esse tipo novo de manifestação enfrentará.
Diferentemente do que ocorreu na Copa das Confederações, onde o público poucas vezes passou de 100 mil pessoas, difuso e com interesse esportivo, e o promotor do evento era a Fifa, a expectativa é que a Igreja Católica junte aproximadamente 2 milhões de pessoas nos seus atos, com uma finalidade puramente religiosa.

Como se comportarão os donos da festa diante de outros manifestantes que pretendem utilizar-se dela para finalidades não religiosas, sobretudo se a coisa descambar para atos de vandalismo?

Uma coisa é pegar carona em partidas de futebol e outra em manifestação religiosa com a presença do Papa.

É pouco provável que as concentrações dos católicos sejam desorganizadas por outras manifestações, mas também é fácil imaginar que não faltarão católicos voluntariosos e dispostos a garantir a paz do retiro espiritual do Papa com os seus seguidores.

Em Curitiba, nas recentes manifestações de rua, um grupo de manifestantes contra os gastos da Copa resolveu se dirigir ao Estádio do Atlético Paranaense e lá foram recepcionados pela Fanáticos, não com cumprimentos e sim com dura pancadaria, que é o que deve esperar quem vai perturbar o sossego de festa de brasileiro sem ser convidado.

Vamos torcer para que tudo corra bem. Deus salve as almas.