OPOSIÇÃO CRÊ QUE CONGRESSO SEJA MAIS EFICIENTE QUE PLEBISCITO E QUER SÓ REFERENDO?

Por não acreditar que o povo possa compreender a complexidade da reforma política e que o plebiscito acabará acontecendo junto com as eleições de 2014, o que poderá gerar confusão na compreensão do eleitor, a oposição resiste a essa forma de consulta popular.

Prefere um referendo para que o povo seja ouvido depois que a reforma já estiver ponta, preparada pelo próprio Congresso.

Conduzindo a oposição para essa postura está também o raciocínio de que o plebiscito é um golpe do PT, que quer impor o sistema de financiamento público de campanha e de lista partidária.

Com isso, a oposição parte do pressuposto de que o próprio Congresso fará o jogo do PT, formulando um questionário que favoreceria a aprovação do sistema de listas, que o povo ingenuamente aprovará tal sistema, ou seja, que o PT ganha essa tese nas urnas.

A postura da oposição não poderia ser pior. Quer que Congresso, que nos últimos 15 anos não conseguiu avançar um metro na direção da melhoria do sistema partidário e eleitoral, em adiantado estado de putrefação, continue tentando indefinidamente.

E, na prática, propor que tudo fique como está.

A classe média se mobilizou e foi para as ruas, suas manifestações foram amplamente apoiadas por toda a população ouvida em mais de um levantamento (Data Folha, Sensus …), demonstrando que não só está interessada em participar, mas também que está consciente e descontente com os problemas do Brasil atual.

A seguir nessa toada a oposição dará ao PT o argumento que precisa: a oposição está tão velha e carcomida quanto o Congresso e os partidos que o compõem.


Oposição diz que fazer plebiscito com as eleições de 2014 pode gerar confusão

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os partidos de oposição consideraram uma demonstração de que Palácio do Planalto está “perdido” o anúncio de que o plebiscito sugerido pela presidenta Dilma Rousseff sobre a reforma política será realizado apenas em 2014. Os oposicionistas continuam defendendo o referendo em lugar de plebiscito e acreditam que a consulta popular acompanhada das eleições nacionais, no próximo ano, vai confundir o eleitor.

A decisão do adiamento foi anunciada hoje (4), depois de reunião com líderes da Câmara, pelo vice-presidente Michel Temer. Ele reconheceu que não haveria tempo para promover a consulta popular e para o Congresso aprovar as mudanças antes de outubro próximo, para que as novas regras valessem para as próximas eleições. Ele sugeriu que o plebiscito seja feito no segundo turno das eleições do próximo ano.

A oposição criticou a proposta. “Preparar questões para a população responder em 2014 elegendo novos congressistas é uma situação confusa. O mais adequado seria o Congresso Nacional realizar a reforma política e submetê-la ao referendo em 2014 ou anunciar que só se fará a reforma depois das eleições, com um novo Congresso”, disse à Agência Brasil o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), tem opinião parecida. Para o deputado, o Congresso tem que avançar nos temas da reforma política que podem ser consensuais e prever a aplicação para oito anos, para então promover um referendo. “Essa é a maneira correta de fazer. Empurrar um plebiscito para o ano que vem é mais um factoide. Em 2014, todos vão estar ocupados com a campanha eleitoral”, analisou.

Os líderes do PSDB e do DEM voltaram a criticar a reação do governo em respostas às manifestações populares. “Fica a impressão de que há um deserto de inteligência no Palácio do Planalto”, ironizou o vice-líder tucano.

Já para Ronaldo Caiado, o governo deveria reconhecer o erro ao tentar transferir para o Parlamento a resposta à crise. “O que é estranho é a resistência em não admitir o erro e a falha na proposta do Executivo ao Congresso Nacional. Agiu na tese de Pôncio Pilatos, para tentar transferir ao Congresso a demanda da sociedade”, disse Caiado.

Edição: Davi Oliveira

Fonte: Agência Brasil.