RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ E CARTA CAPITAL

A saúde está doente

 

Papa… Papa… e mais Papa !!! Em descomunal esforço editorial, mais uma capa de Veja dedicada ao líder católico. Com geniais frases do próprio pontífice, como a em que ele diz “a igreja deve ira para as ruas”, e depoimentos fúteis de jovens que “acham Francisco mais simpático do que Bento XVI”, a semanal perde a chance de elevar o nível e discutir que os católicos estão tomando de dez a zero no embate contra evangélicos e outras correntes. As ovelhas não param de pular a cerca e esta na hora do Papa e sua turma aumentarem a altura da certa ou  eletrificar o arame farpado sobre ela ! Deus tá vendo !!!!  Tudo muda na face da terra, até o discurso do Papa, mas segue inabalável a disposição de Veja para fazer oposição a qualquer custo e em qualquer tema ao Governo Federal. Foi para o espaço o que os liberais brasileiros chamam de bom jornalismo. Dilma leva sarrafo pela baixa popularidade. Veja diz que ela quis concorrer com Francisco na abertura da jornada, o que parece pouco provável, e que Lula já arregaça as mangas para substituir a rainha e voltar ao trono para salvar a pátria petista, o que para a revista parece bastante provável!  Deus tá vendo ! O ministro Mercadante, da Educação, faltou com a ética, de acordo com a semanal, ao pedir a cabeça do colega Mantega para a presidenta. A periódica crava, por A mais B, que a trairagem corre solta no castelo do PT. No mais, páginas e mais páginas de propaganda, pouco texto, muita foto e nada significativo. Ah!!! O mais famoso bebezinho britânico, enviado por deus diretamente do paraíso para guiar os estúpidos que acreditam no sangue azul, lógico, ganhou bom espaço e a saudosa menção à princesa Diana…”ela seria uma bela avó” concluiu a gloriosa Veja !!! Deus salve as almas. 

Época invade o mundo da espionagem e exibe, com estardalhaço na capa, documento exclusivo sobre uma ação concreta da arapongagem digital norte-americana. Em 2010, os nerds de Obama grampearam as comunicações de países-membros do Conselho de Segurança da ONU para saber como votariam sobre sanções contra o Irã por causa do enriquecimento de urânio. Pelo menos oito países foram espionados, incluindo o Brasil. Reportagem construída com apoio de Glenn Greenwald, colunista do The Guardian que tem ligação direta com o ex-agente Edwald Snowden. Vem mais por aí nessa parceria, segundo a revista, que ganha ponto num ramo em que a imprensa brasileira é frágil e inoperante – os bastidores da geopolítica internacional. Afora isso, a Época traz longo especial sobre esporte e saúde e boa matéria que compara as clássicas canções de protesto da época da ditadura com a insignificância das composições oportunistas feitas no reboque dos protestos de junho (por gênios como Latino e Tico Santa Cruz). E, finalmente, vemos numa semanal entrevista com figura de fato relevante: Sasha Grey, ela mesma, a deusa da indústria pornográfica, que agora ataca de escritora de romances eróticos. Depois de instruir milhões de adolescentes em frente à tela de seus computadores, ela agora nos ensina que a mulher não deve ser “apenas um buraco para o prazer dos outros”, embora detone o feminismo “vazio”, e defende que a pornografia deve ser abordada com sensatez desde a escola. Mete a boca, Sasha! 

Já a IstoÉ segue na cruzada anti/tucana e revela que o Cade e o Ministério Público já descobriram que o cartel de empresas envolvidas na compra de trens e construção de linhas do Metrô e de trens de São Paulo superfaturou 30% em cada obra. Os prejuízos aos cofres públicos já teriam atingido a bela quantia de R$ 425 milhões. A história foi descortinada pela Siemens e vai ficando cada vez mais cabeluda, com potencial para causar danos tão grandes quanto os valores desviados (para se ter idéia, todo o Mensalão não ultrapassou R$ 100 milhões). A questão merece e parece que terá apuração rigorosa. O entusiasmo e a pressa indisfarçada da revista é que derrubam um pouco a matéria. Não precisa torcer tanto! No mais, IstoÉ insiste na estratégia ultrapassada de revisitar os fatos da semana – frio no sul, visita do Papa, bebê real, contianos na Bolívia – quase sem novidades ou ângulos diferentes, aumentando assim o risco de se tornar cada vez mais enfadonha.

Carta Capital, no viés esquerdista, vai para o tema da saúde com um discurso de que o sistema público de saúde está na falência mas não está falido, pois se colocarem mais recursos a coisa pode ir. Na verdade, para um sistema universalizado e das dimensões como a do SUS, até que vai dando conta das suas responsabilidades, dentro das possibilidades. A matéria retrata a falta de médicos (no que concorda com o diagnostico do Governo Federal), da precariedade dos hospitais, dos problemas de gestão e a insuficiência de recursos que ameaçam o sistema. A matéria está ilustrada com as opiniões de Jatene, Drauzio Varella, Padilhão e outros. Há um artigo do velho Delfin falando sobre as agências de avaliação dizendo que não prestam e também não valem nada, mas não há como viver sem elas. Tempos de reino absoluto dos dogmas do economicismo financeiro. Diz que acabou o sonho do novo herói nacional Anderson Silva e como isso pode comprometer o futuro do negócio UFC no Brasil. No mais, nenhuma outra matéria digna de atenção.

Deus salve as semanais! Abs. Boa semana.