A RESENHA DAS REVISTAS CARTA CAPITAL, ISTOÉ, ÉPOCA E VEJA

Veja deve estar de piada! Estampa na capa nova modalidade de exercícios físicos para moldar a musculatura. Parece que a morte de Roberto Civita começa a surtir efeitos … e dos piores! Nas entranhas, a semanal tenta plantar escândalo numa investigação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre os números da campanha da rainha Dilma em 2010. Força a mão e diz que o Ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski, teria dado uma forcinha para passar batido pela prestação de contas do PT. Reportagem especula, mas não traz nada com potência para atingir a medula do seu alvo predileto, o PT !!!  Já os tucanos estão perdendo a côr e cada vez mais depenados. Apesar de fazer o possível para evitar mencionar o PSDB ou seus líderes na materia sobre o cartel no Metrô paulista,  foi inevitável para Veja falar que a relação, aparentemente promiscua, entre a Siemens e outras grandes fabricantes de equipamentos para ferrovias com os pássaros bicudos ganha corpo. Covas, o terrível Serra e o bom moço com retórica de padre Alckmin deixam a impressão que andaram recebdndo reforço da teta da empresa alemã por décadas. Veja cuida de apenas alimentar essa “tese“. Ou seja, Veja está fechada com a oposição e é contra o PT, mas às vezes tem que falar de coisas que não quer. Fora isso, a editoria de cultura aborda o homossexualismo do global Felix, personagem da novela das nove, com uma dose permissiva. Matéria alega que o pai do rapaz, um médico garanhão vivido pelo tradicional global machão Antônio Fagundes, não está errado ao jogar na cara do filho uma infindável lista das mulheres que ele já traçou. Como se todo o pai pegador tivesse de gerar um filho com a mesma fome de … digamos … mulher! Eis que às vezes o fruto rola para bem longe da árvore.

 

Na contra-mão da Veja, IstoÉ segue a obstinada missão de minar o PSDB e desce a borduta no assunto da fraude no Metrô paulista. Trás o escândalo na capa afirmando que “OS TUCANOS JÁ SABIAM”. Agora mostra documentos que, supostamente, comprovam que os tucanos, no mínimo, tinham ciência do cartel dos transportes em SP desde 2008. Desbravadora no tema, IstoÉ segue no ritmo de um pau por semana, ao passo que as concorrentes (exceto Carta Capita, claro) só agora se renderam ao tema e tratando-o apenas como um caso de “cartel”. Pena que falte um pouco de credibilidade à IstoÉ, tal como acontece à Veja nas pancadas no PT. Mas mesmo assim o tema deve render o fim dos restos de cabelo de Serra e Alckimn, além de dar uma boa desbastada na cabeleira do galã Aécio. Isto porque a mídia começa a ter acesso aos documentos da investigação da Justiça Alemã e que já está muito mais adiante que a nossa Justiça. Na editoria mundo, duas pautas interessantes: o deputado brasileiro atacado por xenófobos da extrema direita francesa e o uso de torres eólicas pela máfia italiana para lavagem de dinheiro – matéria que rendeu o belo título “Energia limpa, dinheiro sujo”-. Vale a leitura. O crime na família de PMs de São Paulo, que se estivesse esclarecido fatalmente iria à capa das semanais, virou matéria amorfa. Afora isso, o tédio dominante.

 

Época faz um exercício de futurologia e apresenta as evoluções e algumas bizarrices da culinária do século 21. O prato principal da matéria é o hambúrguer de carne “sem vaca”, feito com células-tronco do animal, cuja apresentação, em Londres, a revista vangloriou-se de cobrir com exclusividade na mídia brasileira. Um puta furo de reportagem, digna do prêmio Esso! A matéria especula ainda sobre a futura massificação de insetos no cardápio mundial como fonte proteica, fala da crescente introdução de alimentos geneticamente modificados – até aí, nada de novo – e dos supostos malefícios do trigo. Embora a pesquisa da carne sintética não deixe de ser curiosa e intrigante, ainda é incipiente demais para vislumbrar uma revolução alimentar, como quer mostrar a reportagem. O trecho sobre a história da alimentação humana também carece de fundamentação. Restou a sensação de insuficiência e de uma colagem aleatória de subtemas, despegadas de um fio condutor. Não convenceu. Já a reportagem sobre os manifestantes violentos do black bloc acerta ao compará-los com os fascistas, a quem elegeram como inimigos mortais. Boa também é a entrevista com o economista Marcos Lisboa, que ataca a cultura de subsídios e privilégios indiscriminados no Brasil – o que leva a massa geral a pagar o pato , praticada desde os tempos do patrimonialismo da monarquia e que sibsiste na República. Felipe Patury relata empréstimos suspeitos contraídos pela governadora do Maranhão Roseana Sarney (certamente mais uma calúnia contra a ilibada família) e a decadência da Igreja Mundial de Valdomiro Santiago. Dizem que inchou ao invés de crescer e aí os problemas de gestão aparecem. Vade retro.

Exclusivo: o big espião

Carta Capital e a fixação com a presença norte-americana no mundo espionando tudo e a todos, faz denúncia na capa dos supostos pontos de espionagem dos ianques no território brasiliense. O que seria dos Estados sem espionagem? Todos praticam e fingem que não. O que o Brasil precisa é do seu próprio satélite e de ajustar com os outros países protocolos de procedimentos para o trânsito de informações de Estado. Como Veja, a revista também fugiu do tema do Metrô e fez uma “chamadinha” na parte superior da capa. No meio, nada de novo. Melhor ler a matéria da IstoÉ. Um texto interessante de Mino Carta sobre a aplicação das lições de Hannah Arendt ao jornalismo tupiniquim e uma matéria lembrando que os embargos infringentes vão tirar o sono dos ministros do STF nas próximas semanas. Nada mais.

E vivamos com vigor uma nova semana de frio !