A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ISTOÉ, ÉPOCA E CARTA CAPITAL

 

Veja produz uma verdadeira salada editorial em sua capa. Mistura, de novo, o Papa com a brilhante conclusão do ministro da Fazenda Mantega (“a inflação e a pior coisa que existe para o Brasil”), e, por fim, uma pesquisa inédita que nos brinda com a notícia de que o trânsito mata mais do que a competente e sempre crescente fábrica de bandidos instalada nas periferias das grandes cidades brasileiras. E a concorrência pela desgraça que assola e promove o nosso país aqui e lá fora !!! Segundo Veja, o vaidoso ministro da Educação Mercadante insiste em afirmar que ele não desistirá de derrubar Mantega para ocupar o manche da economia nacional. Veja bateu em Mercadante e assobrou Mantega, com direito a entrevista nas páginas amarelas. A mesma matéria diz também que haverá uma dança das cadeiras nos ministérios, com Paulo Benardo (Comunicação) de volta para o Planejamento e que a atual titular, Miriam Belchior, migrará para Casa Civil no lugar da paranaense Gleisi Hoffmann. A mesma reportagem sugere que Gleisi voltará ao seu estado para desenhar sua candidatura contra o governador Beto Richa e o insistente e sempre “pedra no sapato” Requião. Só falta Veja combinar tudo com a Presidenta. Nosso vizinho de baixo, o Uruguai, ganha destaque com a intenção oficial de liberar de vez a maconha. O próprio presidente Mujica defende que a cannabis deve estar a disposição do povo uruguaio, o que ganhou a mídia mundial na ultima semana. Provável que a industria do turismo latino americana dê uma bela impulsionada. Só que os nossos amigos uruguaios terão de investir pesado na construção de novos aeroportos, hotéis e, principalmente, muitos chaminés, para receber e acomodar bem marofeiros do mundo tudo. No mais, Veja reproduz os principais temas dos jornais sem qualquer novidade. Mesmo a falência do conhecido banco que operou o mensalão, o Rural, não recebeu tratamento diferenciado da periódica, que apenas montou um texto a toque de caixa só para nao passar batida pelo assunto.

No começo de março, o Cristo Redentor reluzia na capa da Época, que exaltava o renascimento do Rio de Janeiro sem poupar elogios à cidade que “voltava a inspirar o Brasil”. Os confetes eram muito mais numerosos para o prefeito Eduardo Paes, mas a parte do governo do Estado era glorificada com as alegadas melhorias na segurança, transporte público, a atração de empresas. Mas os tempos mudam e agora, apenas cinco meses depois, dezenas de protestos e uma vertiginosa queda de popularidade dos governantes, a revista é obrigada a retratar o colapso da gestão Sérgio Cabral. Ainda que amena, a matéria enumera falhas e mancadas do governador, a começar pelas farras patrocinadas pelo dono da Delta, passando pelo uso e abuso de helicópteros oficiais e o isolamento político. Quem te viu, quem te vê.

Época adota ainda o surrado expediente de bombar outro produto do grupo ao colocar na capa a “bicha má” Félix, o vilão da novela das 9, para personificar reportagem sobre a maldade humana e a vítima preferencial de plantão: o homossexualismo. Aquela coisa do bem e do mal. O texto recupera antigas teorias e casos de mentes sádicas, mas é inconsistente do ponto de vista científico e incapaz de trazer novas luzes à discussão. Embora a pauta não fosse de todo ruim, resta a sensação de barra forçada a pretexto de festejar o folhetim televisivo. Pobreza.

Na IstoÉ, a estratégia para a matéria de capa é outra, mas igualmente pré-histórica: superdimensionar um tema. A revista descobre que a melatonina, ou o “Super-Remédio”, nada mais que o hormônio natural de indução ao sono, ajuda a emagrecer, combate a diabetes, a enxaqueca e previne contra a calvície, o AVC e o mal de Alzheimer. Mais um pouco e curará o câncer, a aids e também deficiência intelectual. No mais, nova estocada no tucanato paulista com o rescaldo do caso do metro (que deverá ser pauta obrigatória doravante dadas as proporções da encrenca que a Siemens produziu), mais do mesmo sobre a crise PT-Dilma e o desperdício de uma boa pauta sobre o comedimento com gastos por parte de autoridades estrangeiras – em vez de apuração, pesquisa e comparações com valores, apelou-se a exemplos conhecidos e catados via Google como o papa Francisco, o Fusca 87 do uruguaio José Mujica e o metrô do inglês David Cameron -. O melhor é a entrevista com Zeca Pagodinho, que apesar de figura carimbada na mídia, é sempre uma diversão. Desta vez, ele conta que espera passar engarrafamentos no primeiro boteco que encontrar, que ganha mesada da mulher por não controlar o próprio dinheiro e ensina que às vezes precisa trocar a cerveja gelada por vinho durante os shows, porque com a luz quente, pode ficar sem voz. Gênio.

A Carta Capital trouxe muito pouco. A capa denuncia a existência do chamado Black Blocs, uma meia dúzia de radicais anti-capitalistas que aproveitam as manifestações populares para promover quebra-quebra. O único sentido da matéria é revelar a existência de um movimento que ninguém conhecia. Um texto de Ciro Gomes preocupado com o fato da militância de direita estar ganhando protagonismo na sociedade e uma matéria sobre as agruras de Dilma, que não agrada o PT porque não faz política e não agrada a oposição porque faz política. Um texto pessimista sobre o futuro de Dilma, mas também sem muito fundamento. Nada mais.

Abs a todos e que venha o mês  do  cachorro louco !!!!!!