ANEEL ALERTA SOBRE DÍVIDA DA COPEL E RISCO DE PERDA DE CONCESSÃO

Aneel alerta: Copel está endividada e pode perder concessão

A Copel está endividada e corre o risco de perder a concessão para distribuir energia no Paraná. É o que alerta a Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, que deu 60 dias para o presidente da empresa, Rodolfo Zimmer, apresentar um Plano de Ação que salve a Copel da atual situação.

Um ofício enviado no último dia 30 para a Copel é contundente em dizer que a companhia gastou além do que deveria em PMSO – pessoal, material, serviços de terceiros e outros. Ou seja, gastos como o da folha de pagamento ultrapassaram o aceitável e geraram perda nas condições econômicas.

“Esta perda normalmente se reflete numa espiral indesejável de aumento de dívida e aumento dos riscos de inadimplência setorial e tributária, bem como de prejuízos à qualidade e à expansão da prestação dos serviços concedidos”, diz o ofício endereçado à Copel Distribuição, subsidiária responsável pelo atendimento direto ao consumidor final.

A má gestão que ocorreu nos últimos dois anos, associada ao aumento de 25% para quase 40% da distribuição dos lucros aos acionistas colocou a Copel em risco de solvência. “Os recebimentos, ainda que relevantes de R$ 150 milhões ao ano aproximadamente, são insuficientes para cobrir as necessidades de investimento e de juros das dívidas, como também não é solução ideal em vista do esgotamento do crédito e do risco de ingerência”, diz a Aneel.

O ofício detalha como deve ser o Plano de Ação a ser apresentado e alerta que se o prazo de 60 dias não for cumprido ou se a empresa usar “premissas demasiadamente otimistas ou de cálculos equivocados que favoreçam indevidamente a condição econômica futura da empresa”, haverá sanções como advertência, multa, intervenção administrativa e até mesmo caducidade da concessão ou permissão (Resolução Normativa 63/2004).

Caixa – Em 2010, último ano da gestão de Roberto Requião (PMDB/PR) frente ao Governo do Paraná, a Copel tinha em caixa R$ 2 bilhões. Os consumidores tinham desconto para pagamento em dia, programas como o Luz Fraterna e o Irrigação Noturna foram implantados e a ação da empresa da Bolsa de Nova Iorque estava cotada a US$ 25 (em 1999 a cotação era US$ 19 e, em 2002, US$ 1,80).

Em 2015, a concessão da Copel vencerá de qualquer forma. Mas, se a empresa estiver com as contas em dia, prestando serviços de qualidade e cumprindo o determinado pela Aneel, poderá renovar a concessão por mais 25 anos. No entanto, com os dados apresentados no ofício da Agência, arrisca a concessão terminar bem antes e a concessão voltar para a União.

O CONTRADITÓRIO

No final da tarde desta quarta-feira a Copel distribuiu material para a imprensa dando conta dos lucros que obteve nas suas operações nos últimos dois anos. A nota, no entanto, não enfrenta as questões postas pela ANEEL, especialmente quanto a questão do aumento da distribuição de dividendos aos acionistas. Leia o texto da matéria.

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Lindolfo Zimmer, Presidente da Copel.

Lucro da Copel cresce 29% e chega a R$ 650 milhões no semestre
 
O lucro da Copel no primeiro semestre de 2013 foi 28,8% maior que no mesmo período no ano passado. A companhia fechou o semestre com lucro líquido de R$ 650,3 milhões. Em 2012, o lucro líquido de janeiro a junho foi de R$ 504,7 milhões. A receita operacional líquida da empresa cresceu 10,6%, ficando em R$ 4,4 bilhões no semestre. O investimento da Copel no primeiro semestre foi de R$ 700 milhões.
 
“O resultado se deve, basicamente, ao crescimento nas receitas de fornecimento e suprimento de energia, e ao menor custo com encargos de uso da rede e com pessoal”, diz o presidente da Copel, Lindolfo Zimmer.
 
A Copel fechou o semestre com um aumento de 9,3% no fornecimento de energia elétrica, que é composto pelas vendas no mercado cativo da Copel Distribuição e as vendas no mercado livre da Copel Geração e Transmissão. Foram 13.404 GWh de janeiro a junho de 2013, contra 12.265 GWh no primeiro semestre do ano passado.
 
No comparativo trimestral, o lucro líquido do segundo trimestre foi de R$ 252 milhões, 36% maior que o segundo trimestre de 2012. A receita operacional líquida foi de R$ 2,1 bilhões, um aumento de 3,7% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
 
Telecom
 
A Copel Telecom, subsidiária de telecomunicações da Copel, alcançou um lucro de R$ 23,1 milhões no primeiro semestre de 2013, um aumento de 44,3% em relação aos R$ 16 milhões do primeiro semestre de 2012. A base de clientes da Copel Telecom passou de 2.039, em junho de 2012, para 4.977 clientes no final de junho de 2013.
O COMUNICADO DA ANEEL

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