CASSINO INTERNACIONAL VOLTA A AMEAÇAR OS PAÍSES EMERGENTES DE MODO GENERALIZADO

A recuperação da economia americana faz com que investidores deixem os países ditos emergentes e se dirijam para o mercado americano, dizem os especialistas.

As medidas tomadas por alguns governos dos países emergentes para conter a “fuga dos capitais” não estão surtindo os efeitos desejados, pois, na prática, o término do programa de estímulo à economia americana, iniciado em 2012 pelo Governo Americano, vem surtindo resultados e, assim, aqueles investidores que pegaram o “dinheiro barato” no mercado americano, com juros baixos, e investiam nos países emergentes, com risco e retorno maior.

Essa é a lógica perversa que marca o mercado financeiro internacional e responsável direta por crises imensas em muitos países com economias fragilizadas. Esse cenário não é novo. A lógica de tirar do pobre para dar ao rico. Esse mecanismo só é possível porque o capital financeiro roda o mundo sem nenhum tipo de regulação e deixando um rastro de tragédia. O mercado financeiro tornou-se um deus intangível que gravida sobre os Estados nacionais.

Assim, o que se viu nesta segunda-feira foi um dia de queda generalizada das moedas emergentes em relação ao dólar, o real liderou a fila de perdas. Altas sucessivas da moeda vem ocorrendo desde o semestre passado. Para Ricardo Rocha, professor da FIA, entidade ligada à USP, o dólar pode ir a R$ 2,70 no fim do ano.

O dólar à vista (referência no mercado financeiro) fechou em alta de 1,14%, a R$ 2,339, maior preço desde 10 de março de 2009 -apesar de o BC ter atuado para conter as cotações, negociando US$ 1,98 bilhão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

O dólar subiu ontem ante 15 das 20 principais moedas emergentes. No Brasil, acumula alta de 14,4% no ano.

A corrida por dólares foi mais uma vez justificada por apostas sobre quando os EUA vão começar a reduzir os estímulos econômicos: para injetar recursos na economia, o Fed recompra mensalmente, desde 2009, US$ 85 bilhões em títulos do governo -parte do dinheiro vira investimentos em outros países, inclusive o Brasil.

Com a redução desse incentivo, as aplicações tendem a diminuir e, com a perspectiva de menos dólares no mercado brasileiro, o preço sobe.

Além disso, investidores preveem que, encerrada a recompra de títulos, o próximo passo será o aumento do juro dos EUA, hoje quase zero.

Juro mais alto deixa os títulos do Tesouro americano, remunerados pela taxa, mais atraentes que aplicações de maior risco, como Bolsas, especialmente de emergentes.

A queda do número de americanos que fizeram novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, para o menor nível em quase seis anos, pesou a favor das perspectiva de corte dos incentivos em breve.

O presidente do Fed (BC americano) em St. Louis, James Bullard, porém, voltou a dizer que a autoridade monetária deve aguardar mais evidências de aquecimento.

A tendência de alta do dólar, no entanto, é internacional e deve se manter mesmo que o BC injete dinheiro no mercado local, segundo o economista-chefe da consultoria Lopes Filho, Julio Hegedus, que projeta a moeda acima de R$ 2,50 em dezembro.