MÉDICOS CUBANOS PROVOCAM OS INSTINTOS MAIS SELVAGENS DAS ELITES REACIONÁRIAS. Empregada doméstica e médico não têm a mesma “cara”. Empregada vai “trabalhar descabelada, de chinelos e sem lavar a cara”. Médico geralmente “tem postura, tem cara de médico”.

Nos dias de ontem e hoje as pessoas de bom senso no Brasil assistiram, horrorizadas, as manifestações dos instintos mais selvagens da elite brasileira a respeito da presença de médicos cubanos no país, um grupo composto por algumas mulheres e homens negros.

As manifestações vão desde arroubos mais grotestos de puro racismo, como seu viu na postagem da jornalista potiguar Micheline Borges no Facebook, até a mais absoluta falta de respeito à população que deverá ser atendida pelos médicos cubanos, como no caso da manifestação do Presidente do CRM/MG que declarou que os médicos brasileiros não vão corrigir os “erros” dos cubanos.

Mas também iniciativas aparentemente inocentes e menos agressivas, mas tão preconceituosas quanto as outras, como as do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal de Contas da União, instituições que deveriam estar mais preocupadas com a concretização do direito fundamental à saúde e com o programa constitucional de erradicação da miséria, da discriminação e das desigualdades regionais, incertos na Constituição Federal, de anunciar a abertura de procedimentos para apurar a suposta prática de trabalho escravo pela União Federal na contratação dos médicos cubanos, uma prática consolidada através de programas de assistência que envolve cerca de 40 mil profissionais de saúde de Cuba em cerca de 80 países (Veja abaixo).

Vamos passar vergonha internacional. Veja:

Empregada doméstica e médico não têm a mesma “cara”. Empregada vai “trabalhar descabelada, de chinelos e sem lavar a cara”. Médico geralmente “tem postura, tem cara de médico”.
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Mensagem gerou polêmica nas redes sociais nesta terça (Foto: Reprodução/Facebook)

 

Presidente do CRM-MG: vou orientar a não socorrer erros de cubanos

Em entrevista publicada no jornal Estado de Minas desta sexta-feira, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), João Batista Gomes Soares, declarou que vai orientar os médicos a não socorrerem erros dos profissionais cubanos que foram contratados pelo governo brasileiro para trabalhar em áreas com carência de atendimento, pelo programa Mais Médicos. Ao Terra, Soares esclareceu a fala, que causou polêmica nas redes sociais. “Nós não temos que socorrer o médico cubano, nós temos que socorrer o paciente.”

“Nós não temos que assumir falha de médico cubano, nem pegar na mão de médico cubano para fazer nada. Nós temos um compromisso com o paciente. Mas nós temos que esclarecer ao paciente que nós estamos pegando dali para frente”, diz o presidente do CRM-MG.

“Posso te dar um exemplo: você pega um paciente que vai ao posto de saúde com uma dor de barriga. Daí, como eles são bem treinados em assistência básica, atendimento básico em saúde, eles vão tratar aquilo como uma diarreia. Na verdade essa diarreia pode estar escondendo uma apendicite. Daí a diarreia para, o paciente vai para casa, continua com dor de barriga, continua com febre. A apendicite está lá dentro. Aquela apendicite gera um abcesso e gera uma infecção interna, que a gente chama de peritonite. Na hora que o paciente chegar na minha mão, eu tenho que deixar bem claro que eu peguei o caso a partir daquele momento, qual é a gravidade daquele caso. Se aquele caso tivesse sido diagnosticado lá atrás, com certeza, o resultado seria outro”, diz Soares.​

 

 

Portal Terra: Com informações da Agência Brasil.

Médicos chamam cubanos de 'escravos e incompetentes' e cercam prédio no Ceará

Médicos cubanos foram recebidos com vaias e chamados de “escravos” e “incompetentes” por profissionais cearenses na saída do primeiro dia do curso do Mais Médicos, do governo federal, em Fortaleza. Os revoltosos eram liderados pelo Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) e exibiam faixas de protesto em que exigiam a obrigatoriedade do Revalida, exame para revalidação de diplomas de profissionais estrangeiros. Segundo matéria de O Povo, o protesto teve início às 18h e levou a segurança do local a fechar as portas para impedir o acesso dos manifestantes. O ato de protesto era conduzido pelo Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec). “Isso é uma palhaçada. Como se aprende medicina, português e legislação do SUS (Sistema Único de Saúde) em três semanas?”, bradou o presidente do Simec, José Maria Pontes. Por volta das 20h, quando a solenidade terminou, os manifestantes começaram a bater com força nas paredes de vidro do prédio, com ameaça de quebrá-las. Com os médicos estrangeiros presos no prédio, foi convocado reforço policial com carros da Polícia Militar cearense.

Fonte: Bahia Notícias

 

Ministério Público abre investigação sobre condições de trabalho de médicos cubanos

André Richter
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal abriu hoje (27) uma investigação para apurar as condições de trabalho oferecidas aos médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil. Eles vão atuar em locais que não atraíram nenhum profissional do Programa Mais Médicos do governo federal.

Segundo o MP, o objetivo do inquérito civil é analisar se as normas internas e internacionais de proteção aos direitos humanos estão sendo cumpridas. Para embasar a investigação, o MPF pediu aos ministérios da Saúde e da Educação e à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informações sobre o programa. O prazo para o envio é 15 dias, após a notificação.

De acordo com o Ministério da Saúde, 4 mil médicos cubanos devem chegar ao país. Na primeira etapa do acordo, que começou na segunda-feira (26), 400 profissionais desembarcaram no Brasil e mais 2 mil são aguardados no dia 4 de outubro. Os profissionais não vão precisar fazer o exame para revalidar o diploma de medicina.

O governo federal vai pagar uma bolsa de R$ 10 mil aos profissionais cubanos. O valor será repassado ao governo de Cuba, com a intermediação da Opas para posterior pagamento aos médicos.

 


TCU vai analisar acordo para trazer médicos cubanos

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai analisar a documentação que embasou o acordo entre o Brasil e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que vai trazer 4 mil médicos cubanos para atuar nas regiões carentes do País. “É uma questão singular, inusual esse formato de contratação”, avaliou o presidente do TCU, Augusto Nardes, nesta segunda-feira, logo depois de reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobre o tema.

Em diligência, o TCU pediu que o Ministério da Saúde entregue até sexta-feira a documentação para análise da legalidade, da efetividade e das questões econômicas do acordo. Nardes assemelhou a contratação dos médicos cubanos a uma terceirização.

“Nós temos uma preocupação com a questão trabalhista”, disse Nardes, acrescentando que o tribunal ainda vai analisar a documentação, que deve ser entregue pelo Ministério da Saúde, pois a conversa com Padilha ainda deixou dúvidas sobre o acordo. “Ainda não temos as informações adequadas”, disse. Dependendo do resultado das análises, o TCU pode abrir um processo de investigação da contratação dos médicos cubanos.

Diferentemente do acordo com os médicos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos, que receberão a bolsa de R$ 10 mil diretamente do governo brasileiro, o acordo com Cuba é feito com a intermediação da Opas. No caso, o governo brasileiro repassa R$ 10 mil por médico para a entidade internacional, esta faz o repasse para o governo cubano, que faz o pagamento ao profissional.

De acordo com Nardes, o Ministro da Saúde disse que parte da verba vai para a família do médico, que vai permanecer na ilha. Segundo o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, os médicos cubanos que atuarão no Programa Mais Médicos deverão ganhar entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil por mês.

Nardes disse que na reunião houve um grande debate sobre as questões legal e da efetividade do programa.”Tudo isso nós vamos avaliar para tentar encontrar um caminho que possa ajudar a população brasileira”, disse o presidente.

O PROGRAMA CUBANO

O programa do Governo Cubano para envio de médicos a outros países teve início em 1963, como parte de uma política externa de apoio a lutas anti-coloniais, quando uma pequena brigada médica chegou a Argélia que se ressentia de uma retirada em massa de médicos franceses em razão da guerra pela independência. Paradoxalmente, Cuba fez isso em um momento em que metade dos seus 6000 médicos haviam deixado o país em razão da reveolução Cubana de 1959 (Wikipedia).

A partir daí, entre 1966 e 1974, os médicos cubanos trabalharam na Guiné-BissauAngola,Nicarágua e em 2007 Cuba já tinha 42 mil trabalhadores em programas de cooperação internacional em 103 países, dos quais mais de 30.000 são profissionais de saúde, incluindo nada menos que 19 mil médicos.

Cuba, sozinha, fornece mais médicos para o mundo em desenvolvimento do que todo o contingente dos paízes do G8.

As missões cubanas tiveram impacto positivo significativo sobre as populações atendidas e essas missões de profissionais de saúde no exterior são destinadas a fornecer serviços a baixo custo para o país anfitrião. ”Os pacientes não são cobrados por serviços, e os países beneficiários devem cobrir apenas o custo da habitação coletiva, passagem aérea e alimentação limitada e suprimentos não superior a US $ 200 por mês. Enquanto os médicos cubanos estão no exterior, eles continuam a receber seus salários como bem como uma remuneração em moeda estrangeira” (Wikipedia).

Os médicos cubanos que vão ao exterior acabam recebendo uma remuneração melhor que a que recebem no seu país (US $ 23 por mês, valor considerado baixo para os padrões internacionais de $ 183 por mês), circunstância que não tem sido impecilho para o desenvolvimento do programa ao longo dos anos na medida em que o ideal socialista de desenvolvimento e preservação da ajuda humanitária internacionalista que define a causa (Wikipedia).

Mas a partir de agosto de 2006, sob a administração de George W. Bush, os EUA passou a atacar duramente o programa através da criação de um programa denominado Cuban Medical Professional Parole, cujo objetivo é  incentivar os médicos cubanos no exterior a desertar e ir para os EWUA onde sua entrada e o exercício profissional são facilitados, pois gozam de bom conceito no mercado americano pela sua excelência em saúde básica. O programa de Bush produziu resultados limitados até agora e de um número estimado de 40.000 profissionais cubanos no exterior logrou éxito em cooptar apenas cerca de 1.000 até outubro de 2007, de acordo com o chefe de gabinete do EUA Rep. Lincoln Diaz-Balart .