RESENHA DAS REVISTAS VEJA, CARTA CAPITAL, ISTOÉ E ÉPOCA

Até que seria bem intencionada a capa de Veja ao abordar a alta do dólar e sua influência no cotidiano do brasileiro, se não viesse contaminada pelo tradicional veneno da semanal contra o governo federal, fruto de ter deixado ir pelo ralo o bom senso. Aliás … isso leva Veja a se perder entre tentar imprimir o senso crítico ao PT e prestar boa informação ao leitor que nada tem com a sua briga extra editorial contra a rainha Dilma e os seus companheiros. A reportagem até acerta a mão ao nos mostrar uma linha do tempo com base no sobe e desce da moeda americana e os seus reflexos positivos e negativos em nossas vidas. A material vain a linha do economicismo e tratando de números, como se a sociedade fosse só números, sem nenhuma linha sobre a agiotagem internacional e a farra das bancas mundo afora, indo e vindo conforme o ganho nos juros, sem nenhum compromisso social com as economias nacionais. Mas peca também por não ser jornalisticamente isenta e jogar no balaio dos petistas qualquer podridão nacional gerada ao longo da última década. Vai acabar culpando os petistas pela crucificação de cristo. Na mesma linha, texto denuncia o deputado petista, e paulista, Vicente Cândido, por defender interesses da empresa Oi junto a Anatel. Diz a matéria que Cândido intercede para que o órgão fiscalizador perdoe altas multas aplicadas a empresa de telefonia. E emenda que Lula esta por trás de tudo por levar um troco da Oi desde que a empresa se instalou em terra tupiniquim. Irresponsabilidade pura de Veja ao acusar sem nenhuma evidência. Na seqüência da reportagem, coincidência ou não, duas amplas páginas de anúncio da concorrente TIM. Na páginas amarelas um bom bate e rebate com o cantor e compositor Lobão ! Controverso e, às vezes, pecador pela verborragia, dessa vez o artista vai bem nas opiniões e justifica o prestígio dado por Veja. Vale nutrir o cérebro com o senso crítico mas raramente ponderado e refinado do velho Lobo. Nas demais páginas, a revista não nos brinda com algo significativo ou marcante. Para quem quer se divertir a editoria de besteirol aborda homens sexagenários que cultivam seus corpos e os mantém calibrados como garotões de vinte e poucos, com direito a fotos de coroas anônimos e conhecidos atores hollywoodianos. De divertir e distrair. Nada mais.

Capa - Edição 796 (Foto: ÉPOCA)

Para onde vamos com a alta do dólar? Época tenta descortinar o atual cenário da economia global com matéria competente e sensata, sem economês, dramaticidade nem arroubos de futurologia – embora desprovida de brilho ou fatos novos. A retomada do crescimento do mundo desenvolvido, apesar de tímida, e o freio chinês só aumentam o desafio brasileiro de sair da inércia. Também omite-se sobre o fato econômico que ameaça as economias nacionais consistente na ciranda internacional do dinheiro sem fronteiras e que alguns teóricos chamam de capital vadio. Na entrevista da semana, o namorado do jornalista americano do The Guardian fala da sua detenção na Inglaterra – o tema do cerceamento oficial à imprensa é relevante, mas é clara a exposição exagerada de figura pouco importante -. Afinal ele é só o namorado do jornalista importante. Só se tornará figura importante, e como mula, se a polícia inglesa provar que transportava material de espionagem roubado. Aí a cobra vai fumar. Matéria de meia página resolveria. Outra reportagem conta que os herdeiros de Oscar Niemeyer estão mamando contratos governamentais sem licitação – prerrogativa que o arquiteto usava porque se tratava de figura de notório conhecimento -. Isso é Brasil. Na publicidade, a Globo torra 11 páginas da revista para apresentar os patrocinadores das transmissões de futebol da emissora em 2014, incluindo a cobertura da Copa do Mundo. Só gente graúda.

A IstoÉ novamente recorre à “ciência” para a capa de uma edição, e agora tenta explicar fatores intra e extrauterinos que influenciam na Inteligência das crianças. A colagem de diversos estudos e teorias sobre o tema forma um Frankenstein editorial, sem rumo nem conclusão. Na matéria sobre a disputa interna do PSDB para 2014, um contraste explícito: enquanto Época aborda o embate surdo entre Serra e Aécio como democrático e natural, com manobras e articulações de ambos os lados, IstoÉ ataca e diz que o ex-governador paulista tenta “sabotar” a candidatura do mineiro e conspira sem se importar com a implosão do partido. Não deixa de ter um pouco de verdade, mas a contradição entre as duas revistas é engraçada. Por essas e outras, a enxurrada de matérias sobre o cartel no metrô paulista – a última, sobre a conta na Suíça que supostamente abastecia o esquema de propinas – perde força.

Síria

Carta Capital investe na questão Síria, abordado o uso de armas químicas no conflito. Um assunto que parece lúdico de tão distante dos brasileiros, que passaram a semana toda sendo ameaçados pelo dólar. No mais, Carta Capital antecipa o fracasso da tentative de Marinha de criar um novo partido e aventa que ela tem um “plano B”, mas não fala. A material diz que não há espaço para ela no PSOL e não há como retornar ao PV. Sobra o PPS, que tem como preferência, no entanto, a adesão de José Serra, caso ele decida dar adeus ao PSDB. A revista revela que, em gesto de desespero, ela propôs ao TSE entregar mais de 600 mil sem conferência para obter, em confiança, o registro do partido. Ela pede o impossível: que o tribunal abra uma exceção. Mas eis que, de São Paulo, chegaram notícias ruins. A Justiça Eleitoral identificou indícios de fraudes na coleta de assinaturas para a criação do partido. O Ministério Público Eleitoral e a polícia foram mobilizados em alguns municípios paulistas.

E Vamos fechar agosto com gusto … amargo ou doce, ele já passou ! Abs.