A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ E CARTA CAPITAL

Veja exerce um pseudo nacionalismo e estampa foto fechada de Obama com frase de sentença ao espírito 007 norte-americano! Nosso sofrido Brasil é visto pela semanal como mais uma vítima do temor dos EUA ao terrorismo e a sacana espiadinha dos agentes cibernéticos americanos nos e-mails e telefonemas da rainha Dilma e sua primeira turma de gestores. Como se não soubéssemos que o Tio Sam sempre teve a competência de nos espionar na mais íntima das tarefas diárias – como ir ao banheiro ou dar uma namoradinha – por exemplo, a periódica arrisca interpretar que o presidente Obama perde noites de sono com a possibilidade de ameaça do Brasil em quebrar as relações amistosas entre os dois países. O texto passa ao largo da suspeita levantada pela rainha Dilma de que os gringos fizeram espionagem commercial, econômica e empresarial que nada tem haver com o terrorismo. Reportagem para encher páginas e não concluir nada. Querendo ou não, os grandões do hemisfério norte ainda fazem e farão espionagem da forma como quiserem por muitas e muitas décadas. O Brasil tem é que tirar proveito politico e econômico disso, como, por exemplo, cobrar das empresas estilo Google impostos das operações de serviços que fazem aqui e recebem no cartão de crétido nos paraísos fiscais sem recolher centavo de imposto, como vem falando acertadamente o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Nas páginas políticas a matéria mais quente trata do arsenal de advogados contratados pela ex-assessora e íntima amiga de Lula, Rosemary Noronha, para defendê-la das acusações de lobby enquanto cuidava da agenda do ex-presidente. Diz Veja que ela já gastou mais de 1 milhão em honorários para medalhões do direito, mas que não ganha o suficiente para pagar um décimo dessa cifra. Mesmo sem apresentar um único recibo dos honorários supostamente pagos pela ex-secretária e lança o factóide: quem estaria bancando Rosemary, então? O leitor fica sem saber se é mais uma futrica da Veja contra o que ela mais odéia (Lula) ou se a conversa tem algum fundamento. No capítulo “fofocas do Planalto”, a coluna Radar revela que Dilma aderiu aos charutos e já fuma de um a dois por semana para diminuir o estresse. Logo receberá os cumprimentos do também apreciador dos puros e ex-presidente americano Bill Clinton. E que fique só por ai!

Capa (home) - Edição 798 (Foto: ÉPOCA)

Se não quiser desperdiçar tempo, dinheiro e energia, fuja da edição de Época desta semana. Em uma de suas piores reportagens de capa nos últimos tempos, a revista fala do assédio “virtual” no ambiente corporativo. É nada mais que a transposição dos problemas por demais conhecidos do trabalho (comentários ofensivos, fofocas, pressões por resultados, etc…) do mundo “real” para o universo dos e-mails e redes sociais. Poderia se aplicar a qualquer tema da atualidade afetado pela internet. Matéria que não chega a conclusão alguma e não sustenta a pauta, que já era fraca.  O entrevistado da semana é Fernando Gabeira, 72, mas com cara de 90 e poucos, que deixa de ser um político de segunda linha para voltar a ser jornalista de igual estirpe. Outra matéria “revela” que a NSA, agência espiã norte-americana, é capaz de romper todos os níveis de segurança digital. Jura? A edição traz ainda libelo feminista contra as cantadas, desde as grosseiras e violentas, que de fato devem ser reprimidas, até as singelas ou apenas ingênuas. Panfletarismo exagerado – poderia ficar restrito aos blogs do gênero. De bom, só a pauta sobre a onda de filósofos ateístas que respeitam a liberdade de credo e enxergam o lado positivo das religiões, na onda do novo arranjo da ciência moderna; e a foto de corpo inteiro da espetacular Scarlett Johansson. Essa vale!

Obamacop o policial do mundo

A IstoÉ retrata que é a partir da pequena ilha de Ascensão, perdida no meio do Atlântico, que Obama e sua trupe de nerds coordenam a espionagem em território brasileiro, captando bilhões de sinais via satélite através de imensas bolas brancas.  Coisa de filme, diria um desavisado. Matéria com certo humor negro descreve os planos dos mensaleiros para os dias de xadrez: Dvds, livros, trabalho comunitário, TV legal para ver os jogos da Copa … nada mau. Esperar par aver se o carcereiro Barbosa vai permitir. A revista perdeu a chance de fazer uma boa abordagem do tema central do julgamento nos próximos dias: os embargos infringentes. Também vale menção a reportagem sobre o crescimento do aluguel de imóveis mobiliados em vez da hospedagem tradicional em hotéis. Pode ser mais confortável, tranquilo e barato. Mas a IstoÉ nunca passa em branco no item bizarrice, e na curta entrevista com o diretor do filme Faroeste Caboclo, inspirado no clássico da Legião Urbana, o inacreditável título é “Nunca fumei maconha”. Informação da maior relevância e transcendência.

Reeleição à vista

A Carta Capital se resume a um prognóstico da eleição de 2014 e arrisca que Dilma chegaria lá, estaria reeleita, se a eleição fosse essa semana. É o que estão dizendo todas as pesquisas pós manifestações de junho. A rainha está se recuperando lenta e gradualmente e o cenário traçado pela revista está amparado por tais dados. Nenhuma novidade. No mais, merece destaque a pancadaria em relação ao perdão tardio que o grupo Globo pede à sociedade brasileira por tem apoiado o golpe militar de 1964 e retirou a democracia de cena por mais de 20 anos. Além de um texto de Mino Carta a revista trás outros textos. Só para ler de novo o pedido de perdão da Globo vale a leitura.

Saudações aos amigos leitores !!!