A RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ E CARTA CAPITAL

Em sua incansável caminhada anti PT (e essa resenha é apartidária, mas não apolítica obviamente), a maior das semanais faz campanha explícita para que Celso de Mello, o ministro mais rodado do STF, vote contra os tais embargos infringentes e coloque os mensaleiros para o quanto antes ver o sol quadrado! O ódio que José Dirceu inspira é algo para um tratado de psicopatia. E a inspiração dos editores de Veja extrapola o senso do ridículo e chega a comparar o pobre ministro a Pilatos, que lavou as mãos para não se comprometer com ninguém e com nada. O Direito que se dane!!! E o devaneio editorial não para por ai! A periódica chega a induzir o leitor que caso Mello livre os réus de uma condenação imediata – o que e mais provável – deverá ser crucificado pela sociedade tal qual o nosso pobre Jesus o foi! Mas Veja omite que os réus já estão condenados nos crimes de corrupção, dos quais não podem mais se livrar da condenação e vão ter que cumprir pela. O que se discute agora, nas mãos de Celso de Mello, é apenas um dos crimes que á a formação de quadrilha. Veja também omite que no julgamento do mérito desse recurso as penas por formação de quadrilha poderão ser mantidas. É torcida pura! O jornalismo dançou. Afora o arrojo jornalístico da capa, Veja dá pau no etanol e sacramenta que o o combustível genuinamente brasileiro faliu por culpa da falta de incentivo do governo brasileiro. Faliu mesmo? Reportagem de dar pena dos coitados usineiros que sempre tiveram crédito farto e quase não exploraram a mão de obra ignorante e barata dos grotões nacionais. O bandido é o Estado e os usineiros são pobres coitados! Para fechar, páginas amarelas nos presenteia com a alta intelectualidade e opinião influente do governador das Minas Gerais, o desconhecido Antônio Anastasia. Entre outras revelações bombásticas, o fabricado governante mineiro diz que chegou a vez do seu padrinho político, Aécio Neves, ser presidente do Brasil! E completa com a brilhante opinião de que as distorcidas manifestações nacionais dos últimos meses são legítimas. Uma pérola de entrevista!

A Época desta semana expõe claramente a adaptação imposta às revistas semanais para que sobrevivam nestes tempos de informação a jato. Quase não há espaço para o factual, que gradualmente vem chegando mais defasado. Sobram análises conjunturais e matérias mais frias – um processo inevitável e até salutar para as publicações semanais de atualidades. Nesta edição, o foco é notadamente econômico: desde a capa, sobre os novos eldorados e o futuro do mercado imobiliário, passando pela entrevista com André Lara Resende até a reportagem sobre a omissão do Banco Central sobre fraudes no Fundo Garantidor de Créditos. Quando foi que o BC não se omitiu em matéria de fraude no Sistema Financeiro Nacional? O BC é como zagueiro lento, sempre atrasado. A revista também trás matéria onde aponta supostas estrepolias do Senador Lindeberg Farias que, segundo a revista, andou indo ao Judiciário para comprar decisões. No mais, tema saboroso e texto nem tão inspirado do bom Ivan Martins sobre a revolução sexual do século 18 com viés iluminista; e o chanceler alemão Guido Westerwelle reforça em entrevista a tendência de crescimento dos laços econômicos, políticos e culturais com o Brasil. A coluna de Felipe Patury relata que a Lufthansa transferiu para o México vôos com o Boeing 747-B, avião mais comprido do mundo, por falta de capacidade da pista de Guarulhos. Isso é Brasil!

IstoÉ recorre ao mensalão e evoca a coincidência entre Celso de Mello e José Dirceu, ex-colegas de república estudantil em São Paulo, embora com mínimo convívio. O tom da matéria central é descritivo e neutro, ao contrário da opressão de Veja ao jogar a pecha de “impunidade” sobre as costas do ministro do STF caso acate os embargos infringentes. Outra matéria descreve a vida de luxo e ostentação – com direito a festas regadas a banho de champanhe Laurent-Perrier – do empresário de 32 anos preso pela PF por centralizar o esquema de desvios superiores a R$ 640 milhões de cinco ministérios. Na sessão bizarrice, especulações sobre as razões para o suicídio do músico Champignon, uma surreal tentativa de decifrar o indecifrável – e para piorar, acerca de figura de menor importância.

Mensalão sob pressão

Isto é destacou na capa que o ministro Celso de Mello dará a palavra final sobre o futuro de 11 condenados no processo do “mensalão”. A matéria realça as posições do Ministro Barroso, para quem a revista invocou um princípio básico da democracia: o direito de a minoria tornar-se maioria. Reproduziu a frase do Ministro “O direito de 11 não pode ser atropelado pelo desejo de milhões” e que reagiu sutilmente à pressão da mídia, insistente na tentativa de forçar a punição dos réus do chamado “mensalão” com o máximo rigor possível. A revista lembra também o que talvez esteja por trás da radicalização das posições dos ministros na questão que envolve a admissibilidade dos infringentes, que foram as palavras do Ministro Teori no sentido de que as penas nos crimes de formação de quadrilha foram de “notória exacerbação”. A revista sustenta seu viés de esquerda afirmando que o julgamento assusta a facção neoliberal do STF e que impressiona  a facilidade com que os ministros conservadores (mais notoriamente Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Gilmar Mendes) punham e dispunham sobre a situação. Para fazer o contra-ponto da pressão das concorrentes a revista recorre a um advogado que afirmou “O que justifica a existência do STF é a defesa aos direitos fundamentais”, alerta o Luiz Moreira, do Conselho Nacional do Ministério Público. “Num país onde a tradição jurídica desprezou rotineiramente os direitos fundamentais, em que o STF convalidou todas as ditaduras, não se pode afastar a possibilidade de esse tribunal se constituir como instituição que se guia pela aplicação do direito a partir de escolhas ideológicas”, alerta Moreira. No mais, a revista passa por matéria revelando o que impulsionada pelo agronegócio, o Centro-Oeste cresce três vezes mais que a média do País Nada mais.

E que venha a primavera! Abs.