CASO GAIEVSKI: CELSO NASCIMENTO ESTRANHA POLITIZAÇÃO E TENTATIVA DE CRIAÇÃO DE FACTÓIDE

O jornalista Celso Nascimento é mais um a apontar para a tentativa de politização da lamentável situação do ex-prefeito de Realeza Eduardo Gaievski, mas agora abordando o aspecto da rapidez com que se deu a prisão do acusado.

Trata-se de um caso de crime comum cuja tentativa de politização certamente vai acabar causando danos em quem busca esse objetivo ao invés de arranhar a imagem da Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, de quem Gaievski era assessor.

Aliás, Gleisi tem mantido um comportamento protocolar em relação ao caso que é o correto em tais situações, na medida em que não pode responder por eventuais crimes comuns praticados por assessores, tal como o pai não pode responder pelo crime do filho. Uma estratégia correta e que alcança facilmente a percepção do cidadão comum, especialmente porque é mais que verossímel a versão de Gleisi de que não sabia dos fatos.

No caso, quando nomeado para a Casa Civil o ex-prefeito, um militante histórico do PT, não tinha nenhuma mancha na sua certidão criminal, eis que os procedimentos investigatórios desse jaez no Ministério Público normalmente correm – como correu – em segredo, na surdina, sobretudo quando envolve interesses de menores, como no caso, para não causar danos à imagem dos menores e às investigações. O caso só se tornou conhecido e público quando o MP requereu providências em juízo, dentre elas a prisão de Gaievski.

Caso recente envolvendo o assessor do Deputado Waldir Pugliesi também retrada situação semelhante, pois os fatos só se tormaram públicos quando o Ministério Público requereu providências em juízo e, assim, as investigações sairam do limbo para as páginas dos jornais e dando conta do envolvimento do assessor do deputado com atividades criminosas, com as quais o deputado não tinha nenhum envolvimento e não sabia da existência.

Outra situação que também foi objeto de tentativa de exploração política foi o famoso caso da sogra de Ezequias Moreira, hoje Secretário de Estado, mas que se deu quando era assessor de Beto Richa na Assembléia Legislativa. Os adversários também tentaram utilizar o caso para atingir a imagem de Beto Richa, pelo visto em vão porque acabou tornando-se prefeito de Curitiba e também Governador do Estado.

Então, a insistência em produzir um factóide político contra Gleisi não deve ultrapassar os limites do desejo dos seus adversários.

Leia o texto de Celso Nascimento:
Haja eficiência 3
Tanto fracasso contrasta com a rapidez e o empenho que levaram a polícia paranaense a vasculhar até o Palácio do Planalto para, enfim, prender no fim de semana, em Foz do Iguaçu, o ex-prefeito de Realeza, Eduardo Gaievski, acusado de assédio sexual e abuso de crianças e adolescentes. Essa eficiência é digna dos maiores elogios – afinal, se há alguém que a Justiça considera um perigo para a sociedade e manda prendê-lo, o melhor a fazer é cumprir o mandado de prisão o quanto antes. Caso de Gaievski, que ontem, teve habeas corpus negado em razão da profusão de provas que pesam contra ele. Nada mais natural, portanto, que ele não se torne mais um dentre os 30 mil criminosos soltos por aí.
 
Haja eficiência 4
Entretanto, não deixa de ser no mínimo curioso que tanta rapidez não se note em casos tão escabrosos quanto o de Gaievski. E daí vem a pergunta: seria por que ele ocupava alto cargo de confiança no gabinete da chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann? E, por coincidência, virtual adversária na disputa pelo Palácio Iguaçu contra seu atual ocupante? Não, não pode ser. Esse fenômeno de ligeireza policial nada tem a ver com política…