GAZETA DO POVO PERDE A LINHA COM CLAYTON CAMARGO

Quem adquiriu a Gazeta do Povo deste domingo, nas ruas desde ontem, leu a manchete:

“REFORMA DO TJ SOB SUSPEITA Ex-presidente do tribunal ignorou pareceres técnicos questionando pontos da licitação que aumentavam custos das obras na sede do Judiciário. O Departamento de Engenharia e Arquitetura (DEA) do Tribunal de Jusitça do Paraná apontou desvantagens financeiras no sistema de ar-condicionado escolhido para a reforma. Os pareceres, porém, foram ignorados pelo ex-presidente do TJ, Clayton Camargo, e pelo ex-diretor do DEA, Raul Baglioli Filho. A obra custará mais que o dobro da reforma do Palácio Iguaçu, feita entre 2007 e 2012”.

Isso é o que está na capa do jornal. Se o cidadão passou na banca e deu uma paradinha para ler, sem intenção de comprar, esse é o texto que pode ler. Se abriu o Portal da Gazeta na web e deu uma olhada na chamada, esse é o texto que estava disponível.

Conclusão: Clayton Camargo e Raul Baglioli Filho estão envolvidos em algo estranho.

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Quem comprou e se deu ao trabalho de ir até o caderno Vida Pública, vai novamente se deparar com outra chamada de capa:

“DESEMBARGADOR IGNOROU PARECERES TÉCNICOS EM LICITAÇÃO DE OBRA DO TJ. Ex-presidente Clayton Camargo não considerou a avaliação de engenheiros do tribunal que indicava ser possível baratear a reforma da sede do Judiciário”.

Bingo!!! Clayton Camargo, de fato, está envolvido em algo errado.

Mas quem foi adiante na leitura de toda a matéria dos jornalistas Guilherme Voitch e Katia Brembatti vai achar estranha a desconexão entre as manchetes, os textos de chamada e os conteúdos dos textos da matéria, aliás, até bem equilibrados, e, com algum senso crítico, vai também concluir que o editor do jornal tem alguma coisa contra o desembargador Camargo e que vai além das supostas suspeitas em relação à licitação da reforma do prédio.

É bem verdade que faltou na matéria a informação de que as decisões sobre o projeto de reforma no principal prédio do Judiciário cabem a uma comissão formada por 7 (sete) desembargadores, que tem na sua retaguarda outra retaguarda de servidores (engenheiros, técnicos, diretores …) e que desembargador ou presidente de tribunal não inventa ou  muda técnicas de construção em tribunal algum. Mas isso não chega a comprometer.

No corpo da matéria há um “box” com o título AR-CONDICIONADO ESCOLHIDO TEM PRÓS E CONTRAS. Nele é possível ver que em relação ao tema o que existe é apenas uma divergência sobre qual será o melhor sistema de ar condicionado para funcionar no prédio (histórico) a ser reformado e que entre um e outro existem vantagens e desvantagens e, ainda, segundo o especialista ouvido pela reportagem, a diferença de preço é algo difícil de mensurar.

Há também na matéria uma passagem sobre diferenças no BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), cuja compreensão está fora do alcance do leigo e a matéria nada trouxe para que a compreensão fosse possível. A matéria apenas faz referência a um texto dos engenheiros do Tribunal sobre o fato do BDI incidir sobre fatores que não deveriam incidir. Não foram ouvidos especialistas no tema. O que se sabe é que o BDI será linear de 25,65%. Nada mais. O leitor que se dane. Ou melhor, Clayton Camargo e Raul Baglioli Filho que se danem.

Mas nem tudo está perdido. Os jornalistas fizerem um outro “box”:

“COMPARATIVO Reforma do TJ custará mais do que o dobro da obra do Palácio Iguaçu”.

Novamente, parece que o editor quer derrubar os jornalistas. O conteúdo da matéria em nada reflete a chamada. Então vale reproduzir o conteúdo do texto, que, na verdade, é um dos poucos que realmente merece leitura atenta em toda a matéria:

“Praticamente só vão sobrar as estruturas de concreto caso o plano de reformar todo o Palácio da Justiça seja levado adiante. A obra prevê a substituição de todas as esquadrarias que deverão ser de alumínio, e a troca do piso, do forro, do cabeamento de energia elétrica e da rede de informática. Além disso, um estacionamento subterrâneo, com 7 mil metros e para mais de 200 veículos, deve ser construído (OPS!!! Na obra do Palácio Iguaçu teve isso?) O prédio deve ter um restaurante na cobertura e um setor de atendimento médico. Luminárias e elevadores serão revitalizados. Estão previstas passarelas ligando o Palácio ao prédio anexo. O prédio é histórico – foi concluído em 1953 e precisa seguir uma série de regras para preservação do patrimônio. As luminárias e o mármore branco do térreo deve ser restaurados (OPS!!! então não é uma reforma qualquer!).

Basta!

Para sustentar as chamadas, absolutamente desconexas com os textos da matéria, a Gazeta vai no passado do ex-diretor de engenharia, Raul Baglioli Filho. O homem não tem nenhuma condenação. Mas esteve na administração de Belinati em Londrina. Pronto! Raul que se dane!

No histórico, a matéria refere que a construção do prédio anexo também foi alvo de “suspeita” e que no ano passado o CNJ determinou a suspensão da obra do Fórum de Curitiba. Alguém foi processado, condenado? O que Clayton Camargo e Raul Baglioli têm com isso? Nada, mas a informação foi para a matéria. Qual a razão? Clayton e Raul que se danem!

Diferentemente das chamadas, a própria matéria cuida de revelar que as questões envolvendo a reforma do prédio são corriqueiras em qualquer obra pública ou privada, que podem ser resolvidas sem maiores dificuldades, e que estão muito longe de representar qualquer tentativa de avançar sobre o patrimônio público, como esclareceu o sócio da empresa responsável pelo projeto que foi ouvido (Isso mesmo, tem uma empresa. Não foi o Presidente do Tribunal quem fez o projeto!).

Mas as manchetes que o editor da matéria que a Gazeta do Povo veiculou nesse domingo sobre a reforma do prédio do Palácio da Justiça demonstra que o jornal perdeu a capacidade de produzir matérias isentas sobre o Desembargador Clayton Camargo.

Lamentável na medida em que se trata do maior jornal do Paraná.