RESENHA DAS REVISTAS VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ, CARTA CAPITAL: MAIS MÉDICOS, SUICÍDIOS NA PF, ETC…

Veja aparece fria e repleta de teses de boteco ! Nada de relevante em relação ao noticiário semanal e muito menos alguma surpresa quanto ao que acontece no Brasil ou no mundo. Desde sexta já sabíamos que Obama atacará a Síria e que o deputado quadrilheiro Natan Donadon envergonha o já apodrecido congresso brasileiro. A capa da periódica insiste em bater na corja de deputados federais com a montagem do “nobre” Donadon algemado em pleno discurso no plenário. Talvez uma capa que não sobreviva a concorrência das mesinhas dos consultórios do dentista, frente as mais criativas capas de CARAS, CLAUDIA e BOA FORMA. Afinal … deputado bandido já se tornou quase pleonasmo há décadas! Uma reportagem opinativa, sem fundo jornalístico, diz que o ministro da Saúde, o tal Padilha, está mais preocupado em servir ao comunismo cubano do que ao Brasil por abrir as porteiras tupiniquins aos médicos de Fidel. A mesma lamúria anti-comunista das entidades que representam as elites médicas e viveram a vida toda de costas para o povo brasileiro dos grotões que passa a vida sem ver um médico. A lógica de que o importante é de onde vem os médicos, as formas usadas para trazê-los e o povo que esperou até agora por um médico que continue esperando até que apareça um governo louco o suficiente para transformar a carreira de médico em carreira de Estado, dando-lhes salários de juízes, vitaliciedade no cargo e aposentadoria com vencimentos integrais. E o povo que se exploda mais um pouco. E Veja não nos decepciona no capítulo “assuntos bizarros”. Traz nas páginas de cultura uma reportagem sobre o perfil e a vida de Rin Tin tin … isso mesmo … o cão justiceiro da raça capa preta, pásmem, era temperamental e oferecia dificuldades para gravar as incríveis cenas de um dos seriados mais famosos da década de setenta!!!  Biografia canina de fazer inveja a de Winston Churchill (considerado um bulldog), entre outras lendas da historia animal. Aguenta!!!

Capa - Edição 797 (HOME) (Foto: ÉPOCA)

Graficamente a capa da Época desta semana é pouco atraente, confusa e quase infantilizada com sua profusão de band-aids e esparadrapos, mas a matéria propriamente dita, que é o que importa, faz abordagem honesta e competente quanto à vinda de médicos estrangeiros ao Brasil. Em vez de meramente atacar o programa do governo ou dar voz à gritaria corporativista da elite dos “doutores” brasileiros, eternamente de costas para o povo dos grotões, ela vai em um dos pontos nevrálgicos da questão: a má formação dos médicos no país. O Brasil tem mais faculdades de medicina que EUA ou China, mas nem todas oferecem professores qualificados, hospital universitário ou estrutura física. Às vezes o próprio aluno deixa a desejar, especialmente nas particulares. Para piorar, o mercado manda os melhores para ramos rentáveis como oftalmologia ou cirurgia estética. Sobra pouco para a atenção básica – por sinal, a especialidade dos cubanos. O clínico geral é um discriminado e animal em extinção em uma medicina elitizada e de mercado. Uma matéria interessante de comportamento sugere que reservar a tomada de decisões apenas para situações cruciais da vida dá um belo alívio para a mente. Escolher entre pizza portuguesa ou calabresa, ou entre loira ou morena, chega a dar nó no cérebro. O resto, que siga pelo piloto automático. A entrevista da semana, embora com figura pouca conhecida (filósofo americano especialista em bioética), levanta polêmica: pais que não vacinam filhos e fazem renascer doenças como o sarampo devem ser processados. Às vezes só a ameaça breca a imbecilidade humana.

A IstoÉ, não pela primeira vez, erra a mão ao escolher o tema de capa. A história da fuga do senador boliviano com ajuda de diplomata brasileiro já está enterrada com a demissão de Patriota. O tema pouco comove a opinião pública e o fato já completou uma semana (uma eternidade para a mídia atual). Sono. Uma pauta boa com texto razoável trata os casos de suicídio na PF, quase um por mês. Outra reportagem mostra a pasteurização do mundo do pop/rock: saem de cena as exigências de álcool, menu nababesco e preservativos dos camarins e quartos de hotel dos astros, e entram produtos recicláveis, água mineral e menu vegetariano. É a ditadura do politicamente correto tornando o planeta cada vez mais entediante.

Nas barbas de Patriota

A Carta Capital está sonolenta. Dedica a capa para a futrica da fuga do Senador Boliviano para o Brasil atribuindo-lhe uma importância desmesurada. Um briga intestina do governo, com as nuances ideológicas que a cercam, para a qual a opinião pública não está nem aí. Errou feio a Carta Capital. No miolo nada de mais interessante. Com acerto aborda o programa Mais Médicos criticando a reação de anti-comunismo primário das entidades que defendem as elites médicas. Dá bom espaço para o fato – e é fato que as outras concorrentes não olharam ou fingiram não ver – da recuperação da rainha Dilma nas pesquisas de opinião pública. Na tocada que vai, reagindo de modo consistente, Aécio, Campos e etc vão ter que somar-se dentro de um mesmo saco e rezar. Dilma vai crescendo.

Setembro chega e logo teremos a bela primavera tropical e nos brindar !!! Abraços efusivos !!!