TOMBINI DIZ QUE ECONOMIA BRASILEIRA ESTÁ PREPARADA PARA TRANSIÇÃO

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem ressaltado que está em curso, na economia mundial, um processo que levará ao fim dos estímulos utilizados pelos países ricos para combater a crise iniciada em 2008. Ele também argumenta que o Brasil está preparado para enfrentar essa transição, que envolve a eventual alta dos juros internacionais, pois o país “tem bons fundamentos macroeconômicos e possui robustas reservas internacionais”.

Tombini reiterou essa posição – que já havia apresentado na semana passada – durante a audiência pública realizada nesta terça-feira (24) pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Ele repetiu que a transição para “condições monetárias mais próximas da normalidade” já começou nas economias mais avançadas, com destaque para os Estados Unidos.

– O mercado financeiro aguarda o início efetivo da redução dos estímulos monetários para algum momento no futuro – observou.

Reservas: colchão de segurança

Ao citar exemplos que comprovariam a solidez macroeconômica do Brasil, Tombini lembrou que o país é, atualmente, credor internacional líquido. Também assinalou que as reservas internacionais do país aumentaram quase US$ 90 bilhões nos últimos dois anos, alcançando um total de US$ 370 bilhões.

Segundo Tombini, esse “colchão de segurança e liquidez” permite ao Banco Central oferecer o chamado hedge (proteção) aos agentes econômicos e liquidez aos diversos segmentos do mercado, “neste momento em que há maior volatilidade no mercado financeiro e maior aversão ao risco”.

Outro ponto positivo, frisou, é a mudança na composição dos recursos estrangeiros que entram no país: Tombini disse que aumentou a participação dos capitais de longo prazo e houve uma “moderação” na participação dos capitais de curto prazo.

Contraponto

Por outro lado, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que participou da audiência com Tombini, alertou para os números das contas externas brasileiras, “que não são dos mais razoáveis”. Dornelles recordou, por exemplo, que a balança comercial do país no ano passado registrou um superávit de US$ 20 bilhões, enquanto neste ano as projeções “mais otimistas” indicam um superávit entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.

– E o déficit nas contas financeiras vem aumentando – advertiu.

Em meio a tal situação, Dornelles demonstrou preocupação quanto à capacidade dos investimentos diretos e investimentos financeiros vindos do exterior para cobrir o déficit em conta corrente.

Agência Senado