DATA FOLHA DIZ QUE FREIRE ESTAVA CERTO: A RAINHA DILMA AINDA É REELEITA EM QUALQUER COMBINAÇÃO

A pesquisa do instituto Datafolha realizada na sexta-feira (11) jogou o primeiro balde de água fria no frenesi criado com a surpreendente filiação de Marina Silva no PSB.

Agora, segundo o DataFolha, a rainha Dilma teria 42% das intenções de voto,  Aécio 21% e Campos 15%. Votos em branco, nulo ou nenhum totalizam 16% e outros 7% não sabem em quem votar. Ou seja, a galinha é morta já no primeiro turno e com uma bela dianteira de 8%.

Trata-se de uma pesquisa com 2.517 entrevistas em 154 municípios e com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

A pesquisa trabalhou ainda com 4 cenários diferentes, substituindo Campos por Marina, no PSB e Aécio por José Serra no PSDB.

Em três combinações a rainha Dilma não teria índice suficiente para garantir a reeleição no primeiro turno e esse será o pesadelo de Eduardo Campo e Aécio Neves daqui para a frente.

É que com Marina e Serra a vida da rainha Dilma fica mais difícil.

Dilma teria 37% dos votos, Marina 28%, Serra 20%, brancos, nulos e nenhum, 10%, e não sabem, 5%. Teríamos segundo turno.

Dilma teria 40%, Serra, 25%, e Campos 15%, brancos, nulos e nenhum, 15%, e não sabem, 6%. Teríamos segundo turno.

Dilma teria 39%, Marina 29%, Aécio 17%, brancos, nulos e nenhum, 10%, e não sabem, 5%. Teríamos segundo turno.

Campos ainda vai ter que remar muito para um lugar ao sol.

Assim, ou Aécio ou Campos teriam que sair da disputa. Uma bela confusão interna no PSB e no PSDB a ser observada nos próximos meses.

É bem verdade que o Datafolha diz que a  rainha Dilma venceria todas as simulações de segundo turno, resultando que as modificações trariam para a rainha apenas a necessidade de aumentar um pouco o esforço.

A vitória mais apertada seria contra Marina, 47% a 41%, e ai está o drama do PSB.

Contra Aécio Neves a rainha teria 54%  31%,

Contra Serra a rainha seria reeleita por 51% a 33%.

O maior índice de rejeição é ao nome de José Serra: 36% não votariam nele. Normal para ele. Dilma tem rejeição de 27%, baixíssima para que  viveu a crise recente. Campos 25%, alta para um novato que surfou nas benesses do governo federal até agora. Aécio tem 24%, alta para alguém tão charmoso. E tem Marina, 17%, a menor rejeição, normal para quem assume tão poucos compromissos.

Ou seja, a rainha Dilma é uma adversária muito dura para qualquer um deles.

Roberto Freire estava certo, melhor 3 candidaturas na oposição do que apenas duas.

Veja que o índice de popularidade de Dilma se estabilizou e agora tem recuperação mais lenta. Subiu 8 pontos após a grande queda pós manifestações de junho.

Editoria de arte/Folhapress

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FREIRE ESTÁ CERTO, A OPOSIÇÃO ENCOLHEU E O SEGUNDO TURNO FICOU MAIS LONGE

 

Houve quem dissesse que a reação de Roberto Freire, Presidente do PPS e deputado federal, condenando a opção de Marina Silva por se filiar no PSB, era resultado de seu partido ter sido rejeitado pela ex-senadora.

Esse argumento é falto e simplista na medida em que Freire apresentou uma argumentação com razoável consistência para considerar que a decisão de Marina “é um erro para as oposições”. Freire já demonstrou em outras ocasiões o seu desapego por comandar candidaturas presidenciais quanto abriu o partido para Ciro Gomes por duas vezes e compartilhando-a com outras legendas (na última vez com PDT e PTB). No frigir dos ovos Freire já viu que esse tipo de manobra nada acrescenta ao Partido. Ciro entrou e saiu e o PPS continuou do mesmo tamanho. Com Marina não seria diferente. E a prova disso é que os mais de 20 milhões de votos de Marina não fizeram do PV um partido de mais de 20 milhões de votos. Então, ter candidato a presidente não gera automaticamente um partido maior e mais forte. O PSB verá isso.

O que Freire queria agora era manter a oposição com um leque maior de boas candidaturas para ter melhores chances num eventual segundo turno.

O argumento de Freire é de que a decisão é ruim porque implica em abdicar de uma candidatura no campo da oposição.

De fato, todos pudemos ver que após o Rede Sustentabilidade, partido que Marina queria criar, ter seu registro indeferido pelo TSE, o PPS se colocou à disposição de Marina para abrigar a candidatura de Marina e, assim, manter o campo da oposição com as candidaturas de Marina, Aécio e Eduardo Campos. Esse era o objetivo de Freire.

Quando foi comunicado da decisão por Marina, Freire ainda tentou argumentar com a ex-senadora afirmando que considerava a decisão um erro e que a saída dela da disputa presidencial enfraqueceria o campo oposicionista. Segundo Freire, “Nós dissemos que não era uma alternativa boa para a oposição, pois diminuiria o número de opções aos eleitores”.

De todas as análises que li e ouvi até agora essa de Freire parece ser a mais sensata.

Voto tem dono? Nas últimas eleições presidenciais no Brasil a única liderança que conseguiu transferir votos seus para outro, com vigor sem precedentes, foi Lula na eleição de Dilma. Então, voto não tem dono. Aliás, na última eleição presidencial Marina não tem nem idéia onde foram parar os seus mais de 20 milhões de votos.

Essa história de que a candidatura de Eduardo Campo sai fortalecida com a filiação de Marina ao seu partido vai durar até a próxima pesquisa. Duvido que um some alguma coisa para o outro. Talvez, se Marina for a candidata o PSB poderá dar-lhe o que não teve na última eleição, ou seja, estrutura partidária. Mas o eleitorado que a seguiu até aqui, com o perfil que se concretizou, irá junto com ela num partido com os mesmos vícios dos outros? Qual será o custo dessa mudança? Voto tem dono?

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também argumenta que o fato diminuiu o número de candidatos ao Palácio do Planalto e beneficia a presidente Dilma Rousseff: “É uma novidade ruim para a oposição e para a democracia, porque a redução de alternativas limita o debate para a sociedade. Para a oposição, o melhor seria a Marina disputando a presidência pelo PPS. Para o Planalto, foi a melhor opção, por eliminar a candidatura que tinha mais densidade eleitoral”.

O fato é que o campo de oposição passou a ter somente duas candidaturas, circunstância que é flagrantemente ruim para quem quer levar a eleição para o segundo turno. É o dado concreto. Freire está certo, a oposição se fragilizou. Veremos se as pesquisas o contrariam.

EDUARDO CAMPOS AGORA É VIDRAÇA. VAI SOFRER E TER QUE OUVIR QUE MARINHA, O FANTASMA, É MELHOR.

 

Eduardo Campos vai definitivamente para a vitrine como candidato a Presidente da República com a ida dos programas do PSB ao ar nesta quinta-feira em rede nacional. Será a estrela do programa e vai insistir na linha de que o que as pessoas mais querem hoje de um governo são oportunidades. “Com respeito e compromisso é possível fazer mais, fazer diferente e fazer benfeito”, aponta ele. “E o PSB quer ser o caminho para a gente continuar levando esse País para dias melhores”. É a justificativa para a mudança de posição, depois de 10 anos na base do Governo Federal e aliado do PT. A questão é saber se o discurso ganhará credibilidade no longo caminho até outubro de 2014.

O programa partidário do PSB traz ainda outra importante novidade: a participação da ex-senadora Marina Silva, uma das fundadoras do Rede Sustentabilidade e que no último sábado (05) se filiou ao PSB, após ter negado pelo TSE o seu registro como partido.

A partir daí Eduardo Campos terá uma enorme sombra: Marina Silva.

A partir daí virá a cobrança sobre seu desempenho nas pesquisas de opinião. Se não subir, a cada pesquisa, inexoravelmente virá o murmúrio de que Marinha é a melhor alternativa para o PSB e os conflitos internos também vão ganhar maior dimensão.

Aliás, já há ruído e foi estampado na declaração do Deputado Rolemberg ontem: “Não tem isso de discutir lá na frente posição na chapa. A candidatura posta é a de Eduardo e ela vai até o dia da eleição. A cabeça de chapa se chama Eduardo Henrique Accioly Campos e esse será o nome na urna no dia da eleição”. Foi uma reação a um ato falho de Marina ontem quando deixou escapar que poderá vir a ser candidata.

Agora Eduardo Campos vai para o centro do combate e começa o seu calvário.

Tal como Dilma, quando alguns aliados falavam, até recentemente, na volta de Lula, entre eles, o próprio Campos.