FREIRE ESTÁ CERTO, A OPOSIÇÃO ENCOLHEU E O SEGUNDO TURNO FICOU MAIS LONGE

 

Houve quem dissesse que a reação de Roberto Freire, Presidente do PPS e deputado federal, condenando a opção de Marina Silva por se filiar no PSB, era resultado de seu partido ter sido rejeitado pela ex-senadora.

Esse argumento é falto e simplista na medida em que Freire apresentou uma argumentação com razoável consistência para considerar que a decisão de Marina “é um erro para as oposições”. Freire já demonstrou em outras ocasiões o seu desapego por comandar candidaturas presidenciais quanto abriu o partido para Ciro Gomes por duas vezes e compartilhando-a com outras legendas (na última vez com PDT e PTB). No frigir dos ovos Freire já viu que esse tipo de manobra nada acrescenta ao Partido. Ciro entrou e saiu e o PPS continuou do mesmo tamanho. Com Marina não seria diferente. E a prova disso é que os mais de 20 milhões de votos de Marina não fizeram do PV um partido de mais de 20 milhões de votos. Então, ter candidato a presidente não gera automaticamente um partido maior e mais forte. O PSB verá isso.

O que Freire queria agora era manter a oposição com um leque maior de boas candidaturas para ter melhores chances num eventual segundo turno.

O argumento de Freire é de que a decisão é ruim porque implica em abdicar de uma candidatura no campo da oposição.

De fato, todos pudemos ver que após o Rede Sustentabilidade, partido que Marina queria criar, ter seu registro indeferido pelo TSE, o PPS se colocou à disposição de Marina para abrigar a candidatura de Marina e, assim, manter o campo da oposição com as candidaturas de Marina, Aécio e Eduardo Campos. Esse era o objetivo de Freire.

Quando foi comunicado da decisão por Marina, Freire ainda tentou argumentar com a ex-senadora afirmando que considerava a decisão um erro e que a saída dela da disputa presidencial enfraqueceria o campo oposicionista. Segundo Freire, “Nós dissemos que não era uma alternativa boa para a oposição, pois diminuiria o número de opções aos eleitores”.

De todas as análises que li e ouvi até agora essa de Freire parece ser a mais sensata.

Voto tem dono? Nas últimas eleições presidenciais no Brasil a única liderança que conseguiu transferir votos seus para outro, com vigor sem precedentes, foi Lula na eleição de Dilma. Então, voto não tem dono. Aliás, na última eleição presidencial Marina não tem nem idéia onde foram parar os seus mais de 20 milhões de votos.

Essa história de que a candidatura de Eduardo Campo sai fortalecida com a filiação de Marina ao seu partido vai durar até a próxima pesquisa. Duvido que um some alguma coisa para o outro. Talvez, se Marina for a candidata o PSB poderá dar-lhe o que não teve na última eleição, ou seja, estrutura partidária. Mas o eleitorado que a seguiu até aqui, com o perfil que se concretizou, irá junto com ela num partido com os mesmos vícios dos outros? Qual será o custo dessa mudança? Voto tem dono?

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também argumenta que o fato diminuiu o número de candidatos ao Palácio do Planalto e beneficia a presidente Dilma Rousseff: “É uma novidade ruim para a oposição e para a democracia, porque a redução de alternativas limita o debate para a sociedade. Para a oposição, o melhor seria a Marina disputando a presidência pelo PPS. Para o Planalto, foi a melhor opção, por eliminar a candidatura que tinha mais densidade eleitoral”.

O fato é que o campo de oposição passou a ter somente duas candidaturas, circunstância que é flagrantemente ruim para quem quer levar a eleição para o segundo turno. É o dado concreto. Freire está certo, a oposição se fragilizou. Veremos se as pesquisas o contrariam.