KASSAB: PSD É DILMA.

Gilberto Kassab afastou quaisquer dúvidas ontem sobre a posição do seu partido em 2014: é Dilma. Vale a leitura da entrevista.

Estadão:

Criador do PSD e presidente da sigla, o ex-prefeito Gilberto Kassab deixa claro, em entrevista ao Estado, que vai caminhar com o PT no cenário nacional e apoiará a reeleição de Dilma Rousseff. A adesão de Marina Silva à provável candidatura de Eduardo Campos (PSB) – o que “dá musculatura” ao governador, segundo ele – não reverte o quadro, ainda que o pernambucano tenha sido aliado de primeira hora do PSD. A certeza é tanta que, convidado a teorizar sobre um cenário hipotético com reviravoltas no PT, PSDB e PSB, em que os candidatos fossem o ex-presidente Lula, o ex-governador José Serra – seu padrinho político – e a ex-ministra Marina Silva, Kassab é direto: “Nossa aliança é com o PT. Apoiaria Lula”. Em São Paulo, Kassab será o candidato do PSD – “aceito a missão”, diz – e oferecerá o palanque a Dilma. Geraldo Alckmin não será atacado diretamente (esse é o plano por ora), mas o argumento para o confronto com os antigos aliados tucanos está posto: “É evidente que, depois de 20 anos, as pessoas vão ficando cansadas. O governador Geraldo Alckmin vai pagar um preço alto por integrar um governo tão longo”.

Presidente nacional do PSD diz que não atacará diretamente Alckmin - Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão
Presidente nacional do PSD diz que não atacará diretamente Alckmin

Olhando o retrato de hoje: o sr. é candidato ao governo de São Paulo?
O partido vai ter candidato. Gostaria muito que fosse o Henrique (Meirelles, ex-presidente do Banco Central), mas ele resiste. Existe uma tendência grande de que a escolha caia no meu nome. Se isso acontecer, aceito a missão.

O sr. deve enfrentar Geraldo Alckmin (PSDB) e Alexandre Padilha (PT). Já foi aliado dos tucanos e agora se aproxima dos petistas. Como vai se posicionar?
Com uma proposta própria, mostrar que temos um projeto e uma equipe. Ao contrário de outros candidatos, tivemos a experiência de governar a maior cidade do País. Na campanha, não vamos olhar para trás e jogar pedra.

Esse discurso da experiência vale para o ministro Alexandre Padilha?
Seria desrespeitoso eu dizer que não tem experiência. Ele tem. É ministro.

Alckmin procurou o sr. há cerca de duas semanas para falar sobre eleição?
Não conversei especificamente sobre eleição com ele. Temos uma relação cordial, civilizada. Ele me apoiou no segundo turno da eleição municipal.

As mágoas foram superadas?
Quais mágoas?

Houve a exoneração do vice-governador (da Secretaria de Desenvolvimento Econômico) após filiar-se ao PSD… A adesão de Guilherme Afif ao governo Dilma gerou um constrangimento.
Isso foi superado. Não há nenhum questionamento ético. Ele foi exonerado. Foi um gesto do governador, que era contra a criação do partido.

Quais presidenciáveis poderão subir no seu palanque em SP?
Quem meu partido apoiar. E a tendência é apoiar a presidente Dilma.

Só haverá espaço para Dilma?
Evidente.

O sr. vem da oposição ao PT e agora se aproximou. Mudou o PT ou o sr.?
O grupo que deixou o DEM saiu por entender que aquele não era o modelo de oposição que a gente queria, de ser contra por ser contra. Deixamos o DEM por essa circunstância. Ao longo do processo, o PSD se aproximou do PT, mas não é um partido na órbita do PT.

Seria natural o PSD ocupar os espaços que o PSB deixou no governo?
Acordamos com a presidente que, enquanto não tivéssemos a definição de apoiá-la, seríamos independentes. Caso se confirme a tendência de apoiar Dilma, é natural e legítimo que o partido participe do governo. É uma honra ter Afif no governo, mas não foi indicação partidária, foi convidado em uma relação pessoal. Se Dilma perder, vamos para a oposição com o PT.

José Serra ficou no PSDB por ainda acreditar que pode disputar o Planalto?
A tendência do PSDB é ter o Aécio candidato, mas estamos a um ano da eleição. Alguns lançamentos de candidaturas foram prematuros. As coisas podem mudar. Haja vista a decisão da Marina de apoiar Campos.