PRÉ-SAL: A OPOSIÇÃO TORCE O NARIZ E O GOVERNO TEM VITÓRIA IMPORTANTE

A oposição tenta minimizar a importância do leilão de Campo de Libra, argumentando que o “leilão tem uma importância muito mais fiscal do que propriamente para a expansão da produção nacional de petróleo. É um tremendo contrassenso, que ajudou a reduzir o interesse na disputa e, consequentemente, os ganhos para o país. O governo Dilma precisa dos R$ 15 bilhões que serão arrecadados a título de bônus de assinatura para fechar suas contas e produzir um superávit menos feio este ano”, conforme o Senador Álvaro Dias.

Na mesma esteira o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) classificou o leilão do Campo de Libra como um “furo n’água” ao contrastar as previsões otimistas do governo com o baixo interesse das empresas pela exploração do petróleo do pré-sal. 

– Uma mudança das regras do jogo em que nós estávamos ganhando e o resultado é a incerteza. E dinheiro de empresa forte não entra no cenário de incerteza. É preciso um mínimo de clareza no funcionamento das regras para que uma empresa de grande porte possa entrar – declarou o senador.

Na verdade, a tarefe da oposição é ingrata na medida em que não há como negar a importância do leilão, ainda que dele só poucas empresas tenham participado em consórcio com a Petrobrás.

É fato que, embora não tenha sido um leilão com 40 empresas, como seria se o modelo fosse o de concessão, que vigorou até que o Governo optasse pelo modelo de partilha, o acontecimento foi uma vitória para seus defensores na medida em que se concretizou.

É como aquele time que esperava ganhar de 3 x 0 e acaba ganhando só de 1 x 0. A vitória não foi a ideal, mas valeu os 3 pontos. Foi o que aconteceu. O Governo não goleou, mas seu novo modelo de partilha aconteceu e vai ser concretizado. Se der certo, é provável que os que vierem no futuro tenham outro clima e desdobramento.

Com isso, o diretor-geral da francesa Total no Brasil, Denis Palluat, diz ser viável iniciar a produção até o final da década, o mesmo prazo estimado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e para isso o consórcio realizará trabalhos exploratórios o mais rápido possível, acrescentou.

Para ele a Petrobras e as parceiras Shell, a Total e as estatais chinesas CNPC e CNOOC formam “um ‘dream team’ neste consórcio, um grupo muito equilibrado, com Brasil, Europa e a China”.

Espera-se que o pico de produção aconteça em até 15 anos, após a assinatura do contrato, e que atinja um pico de 1,4 milhão de barris, de acordo com cálculos da ANP.

O resultado do leilão para exploração da área de Libra – maior reserva de petróleo do Brasil – fez com que as ações da Petrobrás aumentassem significativamente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

As ações preferenciais (PN) da Petrobras subiram 5,08% e as ações nominais (ON) evoluíram 4,92%, contribuindo para que o Ibovespa (principal índice da Bovespa) subisse 1,26% no pregão de hoje (21), aos 56.077 pontos, depois de fechar 739.540 negócios no valor de R$ 8,461 bilhões.

As ações da Petrobras têm mais peso dentre as aplicações da Bovespa, mas outras ações também favoreceram a alta do mercado de ações. Os papéis da OGX Petróleo subiram 7,32%, seguidos da Gol (+6,55%) e da OI Telefonia (+5%).

O resultado do leilão de Libra também influenciou a cotação do dólar, apesar de o leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) do Banco Central ter vendido todas as opções pela manhã, além das expectativas de o BC renegociar US$ 8,9 bilhões em contratos cambiais que vencem em novembro. A moeda norte-americana aumentou 0,28% no pregão de hoje, vendida a R$ 2,182.