COM 6,6 MIL MÉDICOS, “MAIS MÉDICOS” IRÁ A TODOS OS MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA LEGAL E SEMINÁRIDO DO NORDESTE

Os 3 mil cubanos que foram participar da segunda etapa do Programa Mais Médicos em Brasília começaram a embarcar para as capitais dos estados onde atuarão. Eles partiram de Brasília, Fortaleza, Vitória, Belo Horizonte e São Paulo, onde participaram do módulo de acolhimento e avaliação. O ministro da Saúde acompanhou o embarque de um grupo para Rio Branco

Os 3 mil cubanos que vieram participar da segunda etapa do Programa Mais Médicos começaram a embarcar para as capitais dos estados onde atuarão. Eles partiram de Brasília, Fortaleza, Vitória, Belo Horizonte e São Paulo, onde participaram do módulo de acolhimento e avaliação. O ministro da Saúde acompanhou o embarque de um grupo para Rio Branco

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta sexta-feira (29), que o Programa Mais Médicos chegará a todos os municípios da Amazônia Legal e do Semiárido nordestino que fizeram a solicitação de profissionais até o último dia do ano.

De acordo com o ministro, a expectativa é que todos os municípios tenham recebido os 13 mil médicos previstos pelo programa até março do próximo ano. Até o final de dezembro, mais de 6,6 mil médicos atuarão no país. “Teremos a oferta de médicos brasileiros que se formam no final deste ano”, disse ele. As inscrições para a terceira etapa do Mais Médicos foram abertas ontem (28).

Sobre o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado hoje (29), que identificou uma desigualdade regional acentuada na distribuição de médicos pelo país, Padilha disse que apesar de a média de profissionais do Sudeste ter ficado dentro da ideal, isso não se traduz em distribuição igualitária de médicos entre as comunidades. O Ministério da Saúde recomenda a proporção de 2,5 médicos por mil habitantes e apenas o Sudeste atingiu essa meta, com 2,61.

“São Paulo tem grande número de pessoas concentradas na periferia das metrópoles”, disse ele. Isso explica o fato de São Paulo ter sido o estado que mais recebeu médicos na segunda etapa do programa. “O estado de São Paulo foi o que mais pediu médicos, foram 2,5 mil”, completou Padilha (Agência Brasil).

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O programa Mais Médicos vai expondo aos poucos a mazela da falta de médico no sistema público de saúde acontece no Brasil.

O Jogo do Poder entrevistou dois médicos do programa, um vindo da Venezuela e uma vindo de Cuba (assista o Video abaixo), e foi possível compreender como se dará a atuação desses profissionais dentro do sistema público.

Em primeiro lugar o que chamou a atenção foi o fato de ambos estarem em Piraquara, uma município que está a menos de 30 km do centro de Curitiba, de acesso fácil, e, portanto, em tese, não haveria razão para os médicos formados na capital paranaense não estarem trabalhando lá na quantidade necessária. Mas, segundo o prefeito, há falta de médicos e o município inscreveu-se no programa e recebeu 6 médicos.

Assim, fica claro que o programa está atendendo a lugares onde há falta de médicos e o município se inscreveu. No caso de Piraquara, segundo o Prefeito, os médicos vão atender em bairros pobres e citou nominalmente um bairro que está longe do centro da cidade mas que, paradoxalmente, está muito mais perto do centro de Curitiba, apenas cerca de 10 km. De fato, trata-se de um dos locais mais pobres da região metropolitana e lá há falta de assistência médica, mas há condições adequadas para que os profissionais exerçam a sua atividade e, portanto, esse não seria um argumento para faltar médicos ali.  Ironia.

A notícia que se tem é que o município de Curitiba também recebeu médicos do programa e está utilizando esse contingente nos bairros mais pobres da cidade.

O segundo aspecto que chamou a atenção na entrevista é que os médicos do programa, por terem como único vínculo de emprego a atividade do próprio programa, vão dar atendimento exclusivo nas unidades públicas de saúde para onde forem designados, uma raridade no Brasil: médico permanecendo 8 horas por dia, com dois turnos de 4 horas, no posto de saúde à disposição da população. Algo realmente extraordinário.

O terceiro aspecto está em que a médica cubana revelou que o atendimento será integral no sentido de que os médicos do programa poderão dar consultas sem limite de tempo e, assim, dar atenção aos aspectos emocionais, psicológicos e espirituais dos pacientes. Carinho e atenção: eis outro aspecto extraordinário. Um dos maiores problemas no relacionamento médico paciente é a pobreza no acolhimento, na atenção emocional.

No curso que as coisas vão as teses levantadas pelas entidades médicas para impedir o programa vão sendo desmoralizadas uma a uma.

De acordo com o Ministro Alexandre Padilha, com a chegada dos 3 mil médicos cubanos para o Programa Mais Médicos, há condições para que os municípios prioritários sejam atendidos até o fim do ano. “Com a chegada deste novo grupo de profissionais, o Brasil fecha o ano com pelo menos um médico em quase todas as regiões mais carentes do país. Estamos conseguindo atingir a nossa meta de levar profissionais aos bairros e comunidades que não tinham acesso a médicos”, disse.

Os 3 mil profissionais vão atuar em 1.745 municípios e 15 distritos indígenas. Todos os municípios prioritários e sem atendimento médico terão pelo menos um profissional do programa. Com isso, mais de 10,3 milhões de pessoas passarão a ter assistência. Com esse reforço, o programa chegará ao fim deste ano, com mais de 6,6 mil profissionais. Hoje, esse número chega a 3.663 médicos que atuam em 1.099 municípios e 19 distritos indígenas.

Nesta segunda fase do programa, regiões carentes do Brasil, como o Semiárido, áreas de comunidades quilombolas e cidades com desenvolvimento humano baixo receberam 1.758 médicos. Os municípios do Vale de Jequitinhonha e Mucuri do estado de Minas, Médio Alto Uruguai no Rio Grande do Sul, Vale do Ribeira em São Paulo e outros municípios do Norte do país, que ainda não tinham médicos, também receberão os profissionais cubanos.

A maioria dos médicos que vieram para essa segunda fase atenderá à população do Nordeste onde serão 1.416 profissionais cubanos. Para o Sudeste do país, serão encaminhados 566 profissionais, no Norte 459, a Região Sul recebe 398 e o Centro-Oeste, 114. Outros 47 médicos atuarão em 15 distritos indígenas.

MÉDICA CUBANA E VENEZUELANO DO “MAIS MÉDICOS” FALAM DO PROGRAMA NO JOGO DO PODER

No último domingo (10/11), o advogado Luiz Carlos da Rocha teve a satisfação de entrevistar, ao vivo, no Jogo do Poder PR (Rede CNT) dois médicos do programa “Mais Médicos”, do Governo Federal, que estão atuando no município de Piraquara – Região Metropolitana de Curitiba.

Participaram do programa, os médicos: Dr. Juan Carlos Alvarez (Venezuelano) e a Dra. Julia Ruiz Lopes (Cubana), além do prefeito de Piraquara, Marcus Tesserolli – o professor Marquinhos.

Para o prefeito prof. Marquinhos, a cidade de Piraquara foi inscrita no programa Mais Médicos, “porque a população de Piraquara precisa ter esse acolhimento, precisa ter pessoas comprometidas e que estejam mais presentes na cidade”. Segundo ele, as consultas médicas aumentaram em 20%. “Queremos trazer mais médicos para a cidade”, enfatizou o prefeito.

“Eu me sinto muito contente pela oportunidade de vir ao Brasil e poder participar do programa Mais Médicos”, disse a Dra. Julia Ruiz Lopes.

Formado há dois anos, o Dr. Juan Carlos Alvarez, chegou no Brasil há dois meses. Para ele, trabalhar no Brasil é muito atrativo. “Vou aprender um novo idioma e cursar a especialidade de Atendimento Básico”, destacou ele.

Assista a entrevista:

OMS revela que Brasil convive com desigualdade na assistência à saúde

Recife – O Brasil tem 81,4 profissionais de saúde por 10 mil habitantes, muito acima das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas há uma grande desigualdade entre regiões, revela um relatório da entidade divulgado hoje (11).

A conclusão está no estudo Uma Verdade Universal: Não Há Saúde sem Profissionais, divulgado pela OMS durante o terceiro Fórum Global sobre os Recursos Humanos da Saúde, que reúne mais de 1.300 participantes de 85 países, incluindo 40 ministros da Saúde.
O estudo alerta que faltam, atualmente, 7,2 milhões de profissionais de saúde em todo o mundo e que o déficit subirá para 12,9 milhões até 2035, com graves implicações para milhões de pessoas.

No documento, a OMS apresenta os perfis de 36 países, incluindo o Brasil. Segundo os dados, o país tem 2.523 parteiras, 1.243.804 enfermeiros e 341.849 médicos, o que resulta em 1.588.176 profissionais de saúde qualificados, ou seja, 81,4 por 10 mil habitantes.

Entre os 186 países com informações disponíveis, apenas 68 (36,6%), incluindo o Brasil, atingem ou ultrapassam todas as metas definidas, revela a agência das Nações Unidas para a saúde.

O estudo indica que 83 países, ou seja 44,6%, ainda não atingiram sequer o patamar mínimo definido peloRelatório Mundial de Saúde de 2006, que prevê 22,8 profissionais de saúde qualificados por cada 10.000 habitantes.

Outros 17 países (9,1%) ultrapassam o patamar mínimo, mas não atingem essa meta da Organização Internacional de Trabalho, que aponta para 34,5 profissionais de saúde qualificados por 10 mil habitantes. Há, ainda, 18 países (9,7%) que atingem esta meta, mas não o patamar dos 59,4 profissionais para 10 mil cidadãos.

 

No perfil relativo ao Brasil, a OMS ressalta que há grandes disparidades geográficas no acesso a profissionais de saúde, e exemplifica que embora a média nacional seja 17,6 médicos por 10 mil habitantes, a densidade varia entre 40,9 por 10 mil no Rio de Janeiro e 7,1 no Maranhão.

A organização destaca que o país tem investimentos e estratégias em curso para abordar a questão das disparidades e lembra que o Ministério da Saúde lançou, em junho, o Programa Mais Médicos, para recrutar clínicos dentro e fora do país e preencher vagas nas regiões mais carentes em atenção básica de saúde.

Pelo programa, já foram contratados 6,6 mil médicos que fizeram a sua formação em universidades estrangeiras, número que o governo estima aumentar para 12.996 até março de 2014. Um total de 50 médicos formados em universidades portuguesas – 18 dos quais de nacionalidade portuguesa – foram recrutados pelo Mais Médicos (Agência Brasil).